Revista de Economia Agrícola — Artigos
Acumulação de capital na propiedade agrícola, região de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo
Iby Arvatti Pedroso
Publicado em · em v. 25, t. 1-2 · 1977
Resumo dos autores
A política de desenvolvimento econômico do Brasil, propiciando a acumulação de capital, facilita a formação de capital nas empresas agrícolas. Essa formação, contudo, não tem a mesma intensidade em todos os tipos de agricultura e em todos os tamanhos de empresas.
Para analisar o comportamento dessas empresas de diferentes tamanhos e de diferentes atividades — pecuária, mista, de cultura anual e de cultura perene — partindo-se da hipótese de que as políticas agrícolas desenvolvidas favorecem tipos e tamanhos específicos de empresas agrícolas na acumulação de recurso, trabalhou-se com dados de nove municípios da DIRA de Ribeirão Preto, utilizando-se a análise descritiva, a análise tabular de tendência e a análise gráfica.
Algumas das conclusões tiradas foram: o investimento em máquinas se constitui na principal forma de investimento para todas as empresas estudadas. As propriedades maiores iniciam o processo de acumulação bem antes que as pequenas.
Para as propriedades de culturas anuais a terra é um recurso importante, disponível.
Quanto às culturas perenes e empresas mistas, o declínio de área das propriedades pequenas e o aumento do tamanho das áreas de cultura das propriedades grandes e muito grandes indicam ou um aumento significativo da eficiência à medida que as mesmas aumentam a área, ou a existência de políticas agrícolas que, no geral, facilitam o crescimento das mesmas. Montante razoável de crédito é, aparentemente, disponível para aquisição de máquinas e para despesas operacionais. Para aquisição de terra e empreendimento de melhoramentos há consideravelmente menor disponibilidade. A deficiência de crédito para aquisição de terra, com o considerável aumento de terra explorada pela maioria dos empresários, evidencia imperfeição no mercado de crédito, que causa distorção nos preços dos fatores e na alocação dos recursos.
Com certa reserva, em vista do pequeno número de observações, o pequeno declínio na área da terra explorada associado aos níveis relativamente baixos de investimento é indicativo de que pecuária não deve ser uma alternativa atraente — tanto que o número de empresas dedicadas a esse empreendimento foi pequeno na amostra.
As culturas da cana-de-açúcar e da soja, assistidas por políticas favoráveis, vêm competindo favoravelmente com atividades mais tradicionais.
A hipótese de que políticas de âmbito nacional têm diferentes impactos sobre diferentes empresas, é confirmada.
As políticas agrícolas gerais do país não discriminaram contra as pequenas propriedades, pelo menos no que se refere à terra, mas as políticas específicas (de culturas e de insumos, bem como de comercialização) prejudicaram o crescimento das pequenas propriedades.
Transcrito da versão digitalizada (p. 31-32).
Como citar
IBY ARVATTI PEDROSO. Acumulação de capital na propiedade agrícola, região de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. Revista de Economia Agrícola, v. 25, t. 1-2, 1977. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=9561. Acesso em: 23/10/2026.

