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Revista de Economia Agrícola — Artigos

Análise do mercado de terras no estado de São Paulo, 1969 a 1986

Ana Maria Montragio Pires de Camargo, Célia Regina Roncato Penteado Tavares Ferreira

Publicado em · em v. 26, t. 1-2 · 1987

Resumo dos autores

O Estado de São Paulo não é composto de terras de qualidade homogênea, o que por si só levaria a grandes diferenças nos preços dos diversos tipos de terra. Além disso, fatores tais como uso, localização e disponibilidade de infra-estrutura podem levar a variações amplas em torno da média.

O objetivo deste trabalho foi o de verificar as alterações ocorridas no mercado de terras agrícolas na sua utilização e na composição da agricultura, no Estado de São Paulo, como um todo e a nível de região.

Analisando-se o preço real das terras nuas nos diferentes tipos, no período de 1969-85, constata-se que as terras de campo foram as que apresentaram uma maior valorização, com a taxa de crescimento anual situando-se ao redor de 11,4%, seguida das terras para reflorestamento (9,9%), terras de segunda (9,3%), terra para pastagens (9,2%) e terra de primeira (7,9%).

As terras mais valorizadas no Estado estão localizadas nas DIRAs de Campinas e Ribeirão Preto, enquanto que as de menor valor estão na DIRA do Vale do Paraíba.

No Estado de São Paulo, as áreas de terras sob a responsabilidade do arrendatário são bastante pequenas. Em geral, o valor real dos arrendamentos paulistas não cresceu tanto quanto os preços das terras agrícolas do Estado, que se apresentaram como boa opção de investimento.

O perfil agrícola do Estado de São Paulo mostrou expressiva transformação a partir de meados da década de 60. A terra ocupada em 1969 principalmente por culturas voltadas para o mercado interno foi tomada gradativamente por outras culturas de maior rentabilidade, geralmente destinadas à exportação. É o caso da cana-de-açúcar, laranja e soja, que ocupavam cerca de 15,0% dos 5,2 milhões de hectares plantados em 1968/69 e passaram a representar 46% do total de 6,5 milhões de hectares em 1983/84. Em contrapartida, o milho, o arroz e o algodão, no período em análise, decresceram suas participações de 52,3% para 34,4% da área plantada.

O Plano de Reforma Agrária não foi fator determinante nas alterações dos preços da terra existindo outros fatores que influem fortemente nesse mercado, tais como: os preços recebidos pelos agricultores, a relação de troca produto/insumo e políticas econômicas.

Transcrito da versão digitalizada (p. 29-30).

Como citar

ANA MARIA MONTRAGIO PIRES DE CAMARGO; CÉLIA REGINA RONCATO PENTEADO TAVARES FERREIRA. Análise do mercado de terras no estado de São Paulo, 1969 a 1986. Revista de Economia Agrícola, v. 26, t. 1-2, 1987. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=9464. Acesso em: 23/10/2026.