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Revista de Economia Agrícola — Artigos

A produção da pesquisa para a agricultura: o caso do café no estado de São Paulo

Alceu de Arruda Veiga Filho, Luiz Carlos Assef, Maria Celia Martins de Souza

Publicado em · em v. 22 · 1985

Resumo dos autores

Objetivando mostar que o setor agrícola não pode ser analisado entendendo-o como homogêneo, uma vez que a essa característica associam-se visões reducionistas e simplificadoras do complexo quadro das suas relações produtivas, escolheu-se demonstrar o grau de complexidade da agricultura analisando-o pelo ângulo da produção da pesquisa cafeeira no Estado de São Paulo e sua aderência à realidade, contrapondo-se à idéia de que a tecnologia gerada respondeu à necessidade apenas do capital internacional e do grande produtor agrícola. Para isso construiu-se um indicador da geração de tecnologias/conhecimento por parte do setor público, através dos trabalhos publicados pelos pesquisadores dos Institutos Agrônomico e Biológico, classificando-os conforme linhas e natureza da pesquisa, além de verificar se o processo de adoção ocorrido na cafeicultura paulista teria levado a alterações no perfil de distribuição dos produtores.

Concluiu-se que no período analisado, 1890-1985, as pesquisas poupadoras de terra representaram 55,5% do total, sendo significativas ainda as biológicas com participação de 22,5%. Em termos do total, as pesquisas em melhoramento e em pragas e doenças representaram 43,5% do total nos 95 anos analisados.

A distribuição da produção ao longo do tempo, associada a tamanhos de propriedade foi estudada calculando-se Índices de Gini para 1972/73 e 1980/81, períodos característicos da intensificação do processo de adoção na cafeicultura paulista e sua consolidação, respectivamente. Os Índices calculados são praticamente idênticos, o que sugere a inalterabilidade no perfil da produção de café entre produtores em face da mudança tecnológica ocorrida.

A análise de variância, feita com o objetivo de verificar diferenças de produtividade entre tamanhos de lavoura, não rejeitou a hipótese de igualdade ao nível de significância de 1%, confirmando que as tecnologias geradas não exigiram escala econômica para ser adotadas.

A hipótese inicial foi confirmada empiricamente, dela resultando a recomendação de considerar a característica de heterogeneidade como pressuposto primordial no planejamento e implementação de medidas de política ao setor agrícola, evitando dessa maneira a discriminação e o desincentivo que podem surgir de percepções simplistas sobre a realidade do setor agrícola.

Transcrito da versão digitalizada (p. 83-84).

Como citar

ALCEU DE ARRUDA VEIGA FILHO; LUIZ CARLOS ASSEF; MARIA CELIA MARTINS DE SOUZA. A produção da pesquisa para a agricultura: o caso do café no estado de São Paulo . Revista de Economia Agrícola, v. 22, 1985. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=11013. Acesso em: 23/10/2026.