Ao final de setembro de
2026, o jornal Valor Econômico publicou a tradicional listagem das 1.000
Maiores Empresas do Brasil em 20251, restringindo-se o compilado
exclusivamente àquelas que possuem balanços econômicos/financeiros publicados
(SAs e cooperativas). Dessa listagem, foram extraídas aquelas companhias que,
em diferentes graus, possuem o café enquanto um dos componentes de seu negócio.
Concentradas nos segmentos de agronegócios e bebidas
e alimentação, encontram-se 20 companhias transnacionais, nacionais e regionais
em que o café (verde, torrado e moído ou solúvel) pertence à linha segmentada
de produtos na qual atuam. Compilando os dados das respectivas empresas,
constata-se que o conjunto dessas empresas/cooperativas alcançou a
impressionante marca de R$163.079,80 milhões, representando uma variação de
27,45% frente ao ano anterior (Tabela 1)2.
Não menos impressionante foi o resultado médio do
lucro líquido, que se distingue da receita líquida por representar aquele
montante que efetivamente resta após subtrair todos os custos de produção,
despesas operacionais, juros e impostos sobre o lucro. Nesse quesito, o
resultado de R$253,67 milhões mostra o vigor que essas empresas e cooperativas
obtiveram ao longo de 2025. Muito próximo da variação contabilizada da receita
líquida, o resultado percentual de aumento do lucro líquido foi de 22,18%.
A média do percentual de variação da margem líquida,
frente ao resultado do ano anterior, alcançou 2,62%, representando ganho de
eficiência operacional das empresas/cooperativas relacionadas. Por sua vez, o
lucro gerado a cada unidade monetária aplicada pelos acionistas (rentabilidade
sobre o PL - ROE em inglês) foi de 14,45%, representando patamar satisfatório
para o investimento efetuado.
Excluída a transnacional que lidera o ranking, duas cooperativas estão entre as 100 maiores companhias brasileiras. A melhor colocada na listagem foi a Coamo, mantendo-se relativamente estável em sua colocação frente ao ano anterior (em 2024 situou-se na 53a posição, baixando para a 55a em 2025). Foi impressionante o resultado líquido alcançado pela cooperativa, rivalizando com o contabilizado pela transnacional. Na sequência surge a Cooxupe, que teve substancial escalada no ranking, saltando da 129a posição para a 84a. Com quase R$17 bilhões de receita líquida e R$381 milhões de lucro líquido, representando variação percentual de 17,6%, demonstra a força dessa organização cooperativista líder no território nacional.
O movimento cooperativista também trouxe outras
coirmãs das duas melhores colocadas, subindo várias posições no ranking:
Cocamar, Coopercitrus, Cooperativa Integrada, Capal, Expocacer, Coogabriel,
Cocapec, Camda e Coopama. Destaque para a Coogabriel que, em 2024, sequer
aparecia no ranking das 1.000 maiores, passando a ocupar a 420a
posição em 2025. A Expocacer foi a que exibiu maior ROE, contabilizando 43,4%.
Invariavelmente, todas as cooperativas tiveram expressivos saltos em suas
colocações no ranking das maiores empresas brasileiras.
Entre as empresas privadas, em 2025, os destaques
foram: Grupo 3 Corações, Camil, Eisa, Tristão, Unicafé, Cacique, São Brás e
Cafebrás. Esta última, embora incluída no ranking, encontra-se em
processo de recuperação judicial. Destaque para o Grupo 3 Corações, que obteve
40,1% de ROE.
O ano de 2025 pode ser considerado jubilar para o
agronegócio cafés do Brasil, devido aos excelentes resultados alcançados pelas
empresas que atuam nesse segmento, refletidos, em parte, no avanço das cotações
do produto nas bolsas internacionais, contabilizado ao longo do ano que se
iniciou a partir do último trimestre de 2024. As maiores cotações catapultaram
as movimentações financeiras derivadas tanto da comercialização do produto como
de sua transformação com agregação de valor. Tal fato trouxe ganhos de
eficiência operacional, que serão elemento decisivo para que a posição alcançada
no ranking pouco se altere, apesar das cotações em 2026 estarem aquém
das que foram contabilizadas em 2025.
Diferentemente de outros países competidores do
Brasil, a receita apurada com as exportações de café são quase que
integralmente transferida para os cafeicultores, com margem estreita capturada
pelos exportadores3. Disso se extrai que o possível desempenho
econômico/financeiro dos cafeicultores se assemelha ao que as empresas exibiram
em 2025.
Concluindo, produzir café continua sendo excelente
negócio e um dos principais pilares do agronegócio brasileiro.
1VALOR ECONÔMICO. 26ª
edição do Valor 1000 premia 28 empresas. [S. l.]: Valor Econômico,
2026. Disponível em:
https://infograficos.valor.globo.com/especial/26a-edicao-do-valor-1000-premia-28-empresas.html.
Acesso em: set. 2026.
2Efetuar cálculos
percentuais sobre perfis tão dispares de empresas certamente produz vieses.
Assumimos esse procedimento apenas para fins didáticos. A análise precisa deve
ser conduzida caso a caso, reconhecendo as peculiaridades de cada empresa:
sociedades anônimas e cooperativas.
3CONSELHO DOS
EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL. IPEP 2025.4: índice de participação na
exportação do produtor: café arábica. [S. l.]: Cecafé, 2026. Disponível
em: https://www.cecafe.com.br/indicadores-de-mercado/ipep-arabica/. Acesso em:
set. 2026.
Palavras-chave: ranking empresarial,
agronegócio café, rentabilidade.
Liberado para publicação
em: 20/10/2026
COMO
CITAR ESTE ARTIGO
VEGRO, C. L. R. Um Extraordinário Ano para o
Agronegócio Cafés do Brasil. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo,
v. 21, n. 10, out. 2026, p. 1-4. Disponível em: colocar o link do artigo.
Acesso em: dd
mmm. aaaa.

