A
fruta-do-conde e a atemoia são comumente
confundidas, mas são diferentes. Ambas as frutas fazem parte da família das
Anonáceas, da qual outras igualmente conhecidas fazem parte, como a cherimoia,
graviola, dentre outras.
A fruta-do-conde (Annona squamosa)1, também
conhecida como anona, pinha, ata, ateira, araticum, saramuyo, possui casca rugosa com gomos definidos
e é muito doce. Foi introduzida na Bahia em 1626, pelo governador Diogo Luís de
Oliveira, Conde de Miranda, nome que deu
origem ao da fruta. É uma planta de porte pequeno (4 metros a 6 metros) e de
rápido desenvolvimento. A fruta pesa entre 150 gramas e 650 gramas e muito
adaptada ao clima brasileiro. Uma árvore de
cinco anos pode produzir até 50 frutas-do-conde, cuja colheita é realizada manualmente,
exigindo manuseio cuidadoso no pós-colheita, dada sua fragilidade. Possui
excelente aceitação comercial, sendo consumida fresca, em sucos ou sobremesas. É frequentemente encontrada em mercados,
mas não demonstra potencial para exportação devido à fragilidade do fruto e
curto prazo de validade nas prateleiras.
A atemoia é o resultado do cruzamento da
fruta-do-conde com a cherimoia, realizado nos Estados Unidos em 1908 e
introduzida no Brasil em 1950, na cidade de São Bento do Sapucaí e,
posteriormente, em Caçapava, ambas no estado de São Paulo2 Nesse sentido, a atemoia, por ser um híbrido,
possui adaptação climática intermediária, aliando a qualidade da fruta-do-conde
à rusticidade da cherimoia. Essas características resultam do cruzamento
das duas frutas que pode proporcionar menor quantidade de sementes, tamanho da
fruta geralmente maior, mais doce e polpa mais
solta, além de
possuir melhor conservação pós-colheita por se diferenciar no tempo de
maturação e na composição química. Muito além do consumo da fruta nos seus
efeitos nutricionais, os compostos
fitoquímicos presentes na polpa, casca e sementes da atemoia atuam de forma
sinérgica ou aditiva, apresentando potencial promissor para o uso desta fruta
para além das propriedades nutricionais já conhecidas3, 4, 5.
A safra da
atemoia ocorre de abril a setembro. Em geral, são produzidos de 30 kg a 50kg de
fruta por pé. É uma cultura que exige, no decorrer do processo produtivo,
cuidados e atenção dos que a produzem, como o preparo do solo, a escolha do
porta enxerto e da variedade, e os tratos culturais (poda anual, pulverizações,
ensacamento dos frutos). A partir da colheita e pós-colheita, a ocupação de mão
de obra é mais expressiva. Na colheita, as frutas não devem cair ao chão e não
devem ficar expostas ao sol, tomando-se cuidado no transporte das frutas até as
casas de embalagem. Este trabalho especializado garante a qualidade da fruta,
aspecto crucial para a comercialização tanto no mercado interno quanto no
externo6.
A fruta-do-conde,
assim como a atemoia, tem ocupado espaço na pauta de exportação de frutas
realizadas pelo Brasil em constante interação com a produção. Segundo dados do
Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2017,
a produção total de atemoia foi de 4.840 toneladas, enquanto para a
fruta-do-conde foi de 8.753 toneladas7. Em relação aos principais
estados produtores, a Bahia, com 7.159 toneladas, concentra 81,8% da produção
de fruta-do-conde. Para a atemoia, Minas Gerais, com 2.205 toneladas, e São
Paulo, com 2.279 toneladas, concentram 92,6% da produção nacional desta fruta.
Diante desta
contextualização, este artigo tem por objetivo disponibilizar e analisar
informações sobre as exportações brasileiras de fruta-do-conde e de atemoia (de
anonas e outras), enfatizando o estado de São Paulo, o principal exportador
dessas frutas, assim como sua produção e comercialização. Os resultados
alcançados são importantes para as atividades de planejamento e gestão dos dois
segmentos agrícolas.
Para conduzir
o objetivo proposto, foram coletadas e analisadas informações por Regiões
Administrativas (RAs) do estado de São Paulo, sobre os pés plantados (novos e
em produção) e a produção de fruta-do-conde e atemoia obtidas a partir dos
levantamentos sistemáticos de previsões e estimativas de safras paulistas,
realizados em conjunto pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela
Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgãos vinculados à
Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). A respeito das informações de
exportação, foram coletados e organizados dados disponibilizados na plataforma
o Comex Stat para o ano de 2025, com recorte para a Nomenclatura Comum do
Mercosul com o código “08109012” – Anonas e outras frutas do gênero Annona -,
e detalhamento por unidade da federação, destinos por países e via.
FRUTA-DO-CONDE
Para saber se uma região terá continuidade na produção, é necessário
verificar se houve plantio de novos pomares, e/ou plantios de novos pés nos
pomares. A RA de Itapeva caracteriza-se por plantar regularmente pés novos na
região. Em 2025, ela foi responsável por 65,5% dos pés novos, seguida pela RA
de Campinas, com participação de 24,0%, sendo o total estadual de 13,7 mil pés
novos. Em 2021, sete RAs plantaram pés novos de fruta-do-conde, totalizando
17,3 mil pés novos; em 2025, somente cinco RAs continuaram a investir na
cultura (Tabela 1).
Os informes sobre pés em produção apresentaram taxa de crescimento negativo de 2,4% para o estado no decorrer dos anos em análise. As RAs de Sorocaba, Campinas, São José do Rio Preto, São Paulo e Itapeva detinham, em 2025, 74,6% das plantas em produção do estado, num total de 61,4 mil pés. A RA de Presidente Prudente apresentou tendência de queda acentuada de pés em produção no período (-41,6%), bem como a RA de Itapeva, que chegou a ter mais de 40 mil pés em produção; no entanto, atualmente apresenta pouco mais de 8 mil pés (Tabela 2).
Os anos de 2022 e 2023 foram os de maior produção de fruta-do-conde no estado, com 3,2 mil toneladas e 3,1 mil toneladas, sendo a RA de Itapeva a principal região produtora. Em 2025, num total estadual de 1,8 mil toneladas e taxa de crescimento negativo de 7,0%, a RA de Itapeva passou a ser a principal produtora, com 306 toneladas da fruta (Tabela 3).

As RAs de Campinas, São Paulo, Central e São José dos Campos tiveram taxa de crescimento positivo em relação à produção no decorrer do período em análise, bem como as RAs de Campinas e de São Paulo apresentaram o plantio de pés novos em suas regiões, consolidando a permanência e importância da fruta em suas regionais.
Na
distribuição espacial da cultura, observa-se que não foram indicados pomares da
fruta-do-conde em somente cinco RAs no estado. No entanto, está presente nas
demais regiões, sendo também uma opção para diversificar a produção e,
consequentemente, de renda dos produtores (Figura 1). Esta fruta é,
majoritariamente, comercializada no mercado interno, dada as suas próprias
características.
ATEMOIA
Ao analisar os
dados de 2021 a 2025, observou-se que a evolução do número de plantas novas de
atemoia em São Paulo apresentou taxa positiva de 12,9%. Das oito RAs que
informaram pés novos, três registraram taxas positivas, com destaque para a RA
de Campinas, que cresceu 157,2% no período considerado. No entanto, a principal
RA foi Itapeva, com 19,0 mil pés novos, o que corresponde a 61,5% do total no
estado (Tabela 4).
Os dados sobre
pés em produção apresentaram taxa crescente de 7,8% para o estado. As RAs que
concentram acima de 70,0% dos pés em produção do estado de São Paulo foram
Sorocaba, Itapeva e Campinas, sendo a RA de Campinas a que apresentou a maior
taxa de crescimento no período 20,3%. Registros de tendência de queda de pés em
produção ocorreram nas RAs de Bauru, São José dos Campos e São José do Rio
Preto; no entanto, ao observar o período, há certa estabilidade. A principal RA
em 2025 foi Sorocaba, com 63,7 mil pés, representando 32,1% do total. Em
seguida, destacaram-se as RAs Itapeva, com 40,6 mil pés (20,5%) e Campinas com
39,2 mil pés (19,8%) (Tabela 5).
Em 2025 constatou-se que em 11 RAs produziam atemoia num total de 7,0 mil toneladas. As principais RAs foram Sorocaba e Itapeva, que juntas produziram 4,2 mil toneladas, ou seja, foram responsáveis por 59,8% do total do estado (Tabela 6).
Na figura 2 apresenta-se a distribuição espacial das principais regiões de produção em 2025 da atemoia no estado. As regiões produtoras possuem clima mais amenos, estão próximas aos grandes centros consumidores, tem uma boa malha rodoviária e fácil acesso a aeroportos para exportação.
Do panorama apresentado por RAs, destaca-se a RA de Itapeva como região resiliente na cultura da atemoia, pois apresenta taxa de crescimento positivo no número de pés novos, o que indica a permanência da cultura na região no decorrer dos próximos anos. Outra informação relevante, com base nos dados a respeito de pés novos (Tabela 4), é que três RAs estão em processo de erradicação da produção de atemoia, pois não houve reposição de pés para os próximos anos. É o caso de São José dos Campos, Marília e Ribeirão Preto, ainda que para estas duas últimas tenham pouca significância produtiva no Estado de São Paulo, mas São José dos Campos, em 2025, ainda era responsável por 10,4% da produção paulista. Vale também destacar a RA de Presidente Prudente que desde 2023 não apresentou mais produção no estado de São Paulo.
EXPORTAÇÕES DE
ANONAS
Em 2025, o Brasil exportou 1,3 mil toneladas de frutas da família annonas, que correspondeu ao valor (FOB) de US$ 4,5 milhões. Desse total, a região Sudeste foi responsável por cerca de 99,4% da exportação nacional. O estado de São Paulo destacou-se como o maior exportador do país, respondendo por 95,2% de toda essa exportação. Minas Gerais aparece em seguida, com 4,2%, e Santa Catarina ocupa a terceira posição, com 0,5% (Tabela 7).
Retomando-se os dados do Censo Agropecuário de 2017 em que a produção de atemoia foi de 4.840 toneladas, e 8.753 toneladas para fruta-do-conde e, por meio das informações de exportações do Comex Stats de 2017, nota-se que, à época, apenas 232 toneladas foram exportadas, ou seja, pequena parcela da produção (1,7%) é direcionada ao mercado de exportações, restringindo-se assim ao abastecimento interno do Brasil. Ainda que sem dados mais recentes do IBGE a respeito dessas frutas, faz-se a ilação de que o panorama ainda seja o mesmo.
A fruta produzida em São Paulo tem alta
demanda no mercado internacional, levando o Brasil
a exportar para diversos continentes, sendo a América do Norte o principal
destino, atingindo o volume de 684,1 mil kg, representando 52,7% do total, com
valor FOB de US$ 2,2 milhões, sendo o
Canadá o principal importador com 40,6% do total. Já o continente europeu
apresentou o maior número de países, que corresponde a 42,0% das exportações.
Reino Unido e França, juntos, em 2025, importaram 413,0 mil kg, com valor FOB
de US$ 1,4 milhão. O Oriente Médio foi o terceiro importador do Brasil, com
67,8 mil kg com valor FOB de US$ 289,8 mil. Emirados Árabes Unidos e Arábia
Saudita8 foram os principais consumidores, com 89,9% do total deste
continente (Tabela 8).
As exportações
foram, majoritariamente, realizadas por via aérea, dadas as próprias
características do fruto e a distância dos mercados consumidores (Tabela 9).
A fruta-do-conde e a atemoia têm
importância econômica e social nas regiões onde são produzidas, conforme
apresentado, e contribuem para a ocupação de mão de obra e na renda dos que a
produzem. Vale ressaltar que o estado de São Paulo possui uma diversidade de
frutas frescas e estas culturas integram esse rol. Por isso, incentivar sua
produção, comercialização e exportação fortalece a fruticultura paulista, bem
como subsidiar esses segmentos com informações relevantes e atuais sobre número
de pés e produção.
1WIKIPEDIA.
Fruta-pinha. [S. l.]: Wikimedia Foundation, [20--?]. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fruta-pinha. Acesso em: 23 fev. 2026.
2DINHEIRO RURAL. Começa a safra da
atemoia: conheça a “prima” da fruta-do-conde. Brasília, DF: Abrafrutas, 2025.
Disponível em:
https://abrafrutas.org/2025/04/comeca-a-safra-da-atemoia-conheca-a-prima-da-fruta-do-conde/.
Acesso em: 23 fev. 2026.
3O estudo desenvolvido pela UNICAMP
demonstrou que tanto a polpa quanto os subprodutos, como a casca e a semente,
apresentaram compostos bioativos benéficos à saúde. A atemoia é bastante
atrativa dada às características organoléticas como aparência, cor, sabor doce,
textura e aroma. Há potencial dos subprodutos, que poderiam ser empregados, por
exemplo, como matéria-prima para a indústria cosmética e farmacêutica.
ANUNCIAÇÃO, S. Tudo se aproveita na atemoia. Jornal da Unicamp, Campinas, n.
677, p. 9, 5-11 dez. 2016. Disponível em: https://jornal.unicamp.br/edicao/677/tudo-se-aproveita-na-atemoia/.
Acesso em: 22 fev. 2026.
4SOCIEDADE
PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA. Conheça a atemoia. São Paulo:
SPDM, 2017. Disponível em: https://spdm.org.br/blog/conheca-a-atemoia/. Acesso
em: 7 maio 2026.
5PENTEADO,
J. O.; TRINDADE, F. M. R.; NOGUEIRA, C. C. Atividade biológica da fruta
atemoia: uma revisão sistemática. In: SIMPÓSIO DE SEGURANÇA ALIMENTAR, 6.,
2018, Gramado. Anais [...]. Gramado: FAURGS, 2018.
6JORNAL
DA FRUTA. Começou a safra da atemoia no Brasil: a fruta em formato de coração
conquista espaço no mercado brasileiro. [S. l.], 28 abr. 2025. Disponível em:
https://revistadafruta.com.br/noticias-do-pomar/comecou-a-safra-da-atemoia-no-brasil,453973.jhtml
7INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sistema IBGE de Recuperação Automática –
SIDRA: tabela 6955: produção, valor da produção, venda, valor da venda,
colheita, área plantada e efetivos das plantações da lavoura permanente nos
estabelecimentos agropecuários, por tipologia, produtos da lavoura permanente,
condição do produtor em relação às terras e grupos de atividade econômica. Rio
de Janeiro: IBGE, [2026?]. Disponível em:
https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6955. Acesso em: 24 jun. 2026.
8LENNON,
S. Novos mercados para exportação de frutas e sementes. Agrolink, [S. l.], 16
abr. 2026. Disponível em:
https://www.agrolink.com.br/noticias/novos-mercados-para-exportacao-de-frutas-e-sementes_513174.html.
Acesso em: 17 abr. 2026.
Palavras-chave:
fruta-do-conde, atemoia, estado de São Paulo, produção, comercialização.
Liberado para publicação em: 17/09/2026
COMO CITAR ESTE ARTIGO
BAPTISTELLA, C. da S. L. et al Fruta-do-conde
e Atemoia: produção e exportação de 2021 a 2025. Análises e Indicadores do
Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 9, set. 2026, p. 1-11. Disponível em: colocar o
link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.

