O Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado de São Paulo,
estimado pelo Instituto de Economia Agrícola para o ano de 2025, alcançou
R$174,60 bilhões. Em termos reais, o resultado representa retração de 0,8% em
relação ao observado em 20242, considerando-se a atualização
monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)3.
O presente artigo analisa a distribuição territorial do valor da
produção agropecuária (VPA) no estado de São Paulo, considerando-se as 40
regionais da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI Regionais)
vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, abrangendo os
645 municípios paulistas. A abordagem regional permite identificar a
localização geográfica da renda agropecuária gerada, bem como evidenciar as
cadeias produtivas de maior relevância econômica em cada território, contribuindo
para uma compreensão mais abrangente da agropecuária paulista.
Com o propósito de aprofundar a análise, os dados regionais
passaram a ser avaliados também segundo grupos de produtos, de acordo com a
metodologia adotada para o cálculo do VPA estadual. Assim, os 52 produtos que
compõem o indicador foram organizados em seis grandes grupos, de acordo com
suas características produtivas e econômicas, com a introdução de tilápia e
eucalipto.
a) Frutas frescas: abacate, abacaxi, banana, caqui, figo para
mesa, goiaba para mesa, laranja para mesa, limão, manga, maracujá, melancia,
morango, pêssego para mesa, tangerina e uva para mesa;
b) Grãos e fibras: algodão em caroço, amendoim em casca, arroz
em casca, feijão, milho, soja, sorgo, trigo e triticale;
c) Olerícolas: abóbora, abobrinha, alface, batata, batata-doce,
beterraba, cebola, cenoura, mandioca para mesa, pimentão, repolho e tomate para
mesa;
d) Produtos animais: carne bovina, carne de frango, carne suína,
casulo, leite, mel e ovos de galinha;
e) Produtos para indústria: borracha, café
beneficiado, cana-de-açúcar, goiaba para indústria, laranja para indústria,
mandioca para indústria e tomate para indústria; e
f) Produtos florestais: eucalipto.
Essa agregação possibilita avaliar a composição produtiva das
diferentes regiões paulistas, destacando especializações regionais, padrões de
concentração econômica e a contribuição relativa de cada grupo de produtos para
a formação do VPA regional.
RANKING
DAS REGIONAIS
A CATI Regional de Barretos apresentou o maior VPA entre as 40
regionais paulistas em 2025, com R$10,2 bilhões, retomando a liderança
observada em 2022 e 2023 (Tabela 1 e Figura 1). As dez regionais mais bem
posicionadas concentraram R$73,62 bilhões, correspondentes a 42,2% do VPA
estadual.
Entre as
regionais que apresentaram maior evolução no ranking do VPA em 2025,
destacou-se a CATI Regional de General Salgado, que passou da 17ª para a 10ª
posição (Tabelas 1 e 2). O avanço foi impulsionado pelo grupo produtos animais,
responsável por 49,8% do VPA regional (Tabela 3), com destaque para a carne
bovina, favorecida pela elevação de 17,9% nos preços médios estaduais4.
A CATI
Regional de Tupã também avançou no ranking, reflexo da relevância da
produção de ovos de galinha e do aumento dos preços recebidos pelos produtores.
Já a CATI Regional de Bauru passou da 30ª para a 20ª posição, sustentada
principalmente pelos desempenhos da laranja para indústria (31,0% do VPA regional),
da cana-de-açúcar (21,6%) e da carne bovina (15,4%) (Tabelas 1, 2 e 3).
GRUPO
DE PRODUTOS
O principal grupo em valor da
produção é produtos para indústria, que concentra 45,8% do total, ou seja,
R$79,8 bilhões (Tabela 4). Ressalta-se que dentro deste grupo estão a
cana-de-açúcar, com R$53,8 bilhões, laranja para a indústria, com R$ 13,2 bilhões,
além do café beneficiado, com R$10,4 bilhões. Apenas os dois primeiros
equivalem a 83,2% do grupo. Acrescentando-se o café beneficiado, a participação
no grupo sobe para 96,9%.
O segundo grupo em importância econômica é produtos
animais, com R$54,0 bilhões, correspondendo a 31,3% do total (Tabela 4). Destacam-se
a carne bovina (R$25,3 bilhões) e a carne de frango (R$14,6 bilhões) que,
juntos, concentram 72,9% do valor da produção nesse grupo. Lembrando que a esse
grupo pertencem ovos de galinha e leite, que somados totalizam R$11,6 milhões,
elevando o percentual para 94,1%.
O terceiro grupo, grãos e fibras, atingiu 9,4% do
total do valor da produção agropecuária estadual (Tabela 4). Nele, soja (R$8,8
bilhões), milho (R$4,0 bilhões) e amendoim (R$2,0 bilhões) correspondem a 90,2%
do total do valor da produção agropecuária.
Frutas frescas é o quarto grupo em importância
econômica estadual, correspondendo a 7,3% desse total (Tabela 4). Laranja para
mesa (R$3,8 bilhões de reais), banana (R$2,2 bilhões), limão (R$1,6 bilhões) e
uva (R$1,0 bilhão) são os principais produtos e totalizam 68,4% do total de
valor deste grupo.
O grupo das olerícolas, quinto em importância no
valor da produção, concentra 4,6% do total (Tabela 4). Tomate para mesa (R$3,2
bilhões), batata (R$1,0 bilhão) e alface (R$942,9 milhões) respondem juntos por
64,6% do VPA deste grupo.
O último grupo, produtos florestais, foi retomado
recentemente no cálculo do VPA estadual, e corresponde a apenas 1,7% do total
(Tabela 4). Nesta primeira fase, a estimativa do valor de produção do eucalipto
foi utilizada como aproximação do valor da produção florestal (VPF). Essa
abordagem se justifica pelo predomínio dessa cultura no estado de São Paulo, pois,
de um total de 1,29 milhão de hectares de florestas plantadas (incluindo
eucalipto, pínus, seringueira e outras espécies), cerca de 1,0 milhão de
hectares são ocupados pelo eucalipto5.
Ao regionalizar o valor da produção agropecuária por
grupos entre as 40 CATI Regionais, observa-se que produtos para indústria
predomina em 21 regionais, mas com participações heterogêneas no VPA regional.
Na CATI Regional de Mogi Mirim, o grupo representa 28,6% do VPA, enquanto em
Franca sua participação alcança 80,4%.
A cana-de-açúcar assume destaque no VPA estadual em
2025, pois é responsável por 30,8% do total. Ela está presente em 31 CATI
Regionais em maior ou menor importância em termos de participação no valor da
produção regional. Especificamente, é a principal em 17 CATI Regionais,
evidenciando elevada concentração produtiva – Ribeirão Preto, Andradina,
Dracena, Orlândia, Araçatuba, Limeira, Jaú, Jaboticabal, Araraquara, São José
do Rio Preto, Assis, Votuporanga, Catanduva, Barretos, Piracicaba, Presidente
Prudente e Ourinhos. Em algumas dessas regionais, nota-se a elevada
concentração da cana-de-açúcar no VPA regional, pois em sete CATI, o produto respondeu por
mais de 50% do VPA total, com participações variando de 50,9% na regional de
Jaú a 65,7% na regional de Ribeirão Preto. Esses aspectos não
apenas dimensionam a importância econômica da cana-de-açúcar para cada
regional, mas também para o estado e ilustra sua ampla distribuição espacial no uso do solo agrícola
paulista.
Ao se distanciarem do polo produtor de
cana-de-açúcar no estado, outras regionais apresentam diversos produtos
relevantes na composição do grupo produtos para indústria. É o caso de nove CATI
Regionais onde o café integrou o grupo dos cinco
principais produtos do VPA, somando 93,6% do valor da produção estadual de café
beneficiado. Em três regionais, o café figura como principal produto:
Franca, na qual o café responde por R$4,3 bilhões e importância de 55,0% no VPA
dessa regional; São João da Boa Vista, com R$2,3 bilhões, onde representa 28,7%
de participação, e Marília, na qual o café, com R$640 milhões, concentra 34,7%
do total do valor da produção na regional. Por último, no grupo de produtos
para indústria, na regional de Bauru, a laranja para indústria é o principal no
valor da produção com R$1,4 bilhão e participação de 31,0% na composição desta
regional.
O grupo produtos animais é o principal em 13 CATI
Regionais, a saber: Campinas, Itapetininga, Jales, Botucatu, Presidente
Prudente, Piracicaba, General Salgado, Fernandópolis, Bragança Paulista,
Presidente Venceslau, Pindamonhangaba, Tupã e Guaratinguetá. Novamente, a
participação desse grupo em cada uma das regionais é variável, por exemplo, em
Campinas, a participação desse grupo no VPA é de 37,2%, enquanto em
Guaratinguetá encontra-se a maior participação, 84,9%.
Diferentemente, do grupo anterior, em que
cana-de-açúcar prevalecia entre a maioria das CATI Regionais, neste grupo,
quatro produtos são os principais: carne bovina, carne de frango, ovos de
galinha e leite.
Especificamente sobre a carne bovina, segundo
principal produto no VPA estadual (R$25,3 bilhões), é a principal em cinco
regionais: Jales (34,2%), Presidente Prudente (31,9%), General Salgado (38,6%),
Fernandópolis (42,8%) e Presidente Venceslau (52,3%). Além disso, a carne bovina está presente em 29 das 40
regionais da CATI e nesse aspecto, ainda que não figure como principal nas
regionais, esse produto supera a marca de R$2 bilhões em Barretos (R$2,9
bilhões) e Presidente Prudente (R$2,1 bilhões). Para a regional General
Salgada, já citada onde a carne bovina é a principal, também supera R$2
bilhões, com R$2,2 bilhões.
A carne de frango está presente como principal
produto em quatro regionais: Botucatu (22,2%), Campinas (26,9%), Itapetininga
(31,6%) e Bragança Paulista (43,3%). Essas regionais, que totalizam R$5,0
bilhões, representam 34,4% do total do VPA da carne de frango no estado. Ainda
que em menor importância de valor, a carne de frango está presente também em
outras 19 regionais, tais como Piracicaba (32,5% do VPA desta regional), São José do Rio Preto (14,8%) e Araraquara (14,2%).
O leite é o principal em duas CATI Regionais,
Pindamonhangaba e Guaratinguetá, respectivamente com 47,7% e 26,1%. O somatório do VPA deste produto nessas duas regionais, R$557,1 milhões,
representa 12,0% do total do valor deste produto no estado (Tabela 2).
Ovos de galinha, ainda que presentes em sete
regionais, em maior ou menor importância, assume principal destaque na CATI
Regional de Tupã, onde é o principal em valor da produção. Para essa regional,
ovos de galinha totalizam R$3,2 bilhões, assumindo importância regional de
67,0% e representando 46,2% do total deste produto para o estado.
A produção de carne suína é o
principal produto apenas na regional de Avaré (15,5% do VPA regional) e assume
relativa importância em Pindamonhangaba (10,2%), Piracicaba (8,4%), Sorocaba
(8,0%) e Limeira (4,0%).
A tilápia, introduzida
recentemente e relevante para o VPA estadual, aparece como um dos cinco
principais produtos apenas na CATI Regional de Jales, onde sua participação é
de 6,9% do total regional, apesar de concentrar 47,4% da produção estadual,
cujo valor em 2025, foi de R$493,4 milhões.
O grupo grãos e fibras, cujos principais produtos
são soja e milho, é o mais importante economicamente em apenas duas regionais.
Em Itapeva, cuja importância para a regional representa 41,5% e em Avaré em que
a participação é de 32,2%. Na primeira regional, apesar da olerícola tomate para
mesa ser o principal produto em relação ao VPA, o conjunto de soja (26,3%),
milho (9,5%) e trigo (4,6%) compõe a importância desse grupo para a regional.
Já na CATI de Avaré, a soja é destaque no grupo grãos e fibras, mas,
individualmente, é a carne suína o responsável pela maior parcela do VPA
regional (15,5%).
Especificamente sobre os
produtos deste grupo, a soja está presente em importância em 12 CATI Regionais,
figurando entre as cinco principais cadeias produtivas, concentrando 72,7% do
valor da produção estadual do produto, equivalente a R$6,4 bilhões dos R$8,8
bilhões registrados no estado. Entre as regionais de maior destaque, sobressaem
Itapeva, com VPA de R$1,7 bilhão e participação de 26,3% no VPA regional, e
Assis, com R$1,1 bilhão e participação de 20,6%.
O VPA da cultura do milho
situou-se entre as cinco atividades agropecuárias de maior valor em apenas três
regionais, Itapeva, Assis e Guaratinguetá. Os valores somados representam
apenas 16,2% da produção estadual (R$4,0 bilhões), refletindo a dispersão
espacial da produção paulista.
São Paulo, principal produtor
de amendoim em casca no Brasil, tem elevada concentração no estado, com
participação relevante no VPA das regionais de Presidente Prudente, Tupã,
Dracena e Marília, responsáveis por 30,2% da produção do estadual.
O grupo de frutas frescas é o principal para a CATI
Regional de Registro e representa 90,3% do VPA, com destaque em sua composição
para a banana, primeiro produto do VPA regional (84,0%) e a tangerina (5,4%). A
banana é representativa também em outras duas regionais ao leste do estado:
Pindamonhangaba e Santos. Nessa última, a banana representa 43,1% do VPA
regional.
O grupo de olerícolas é o
principal em três regionais: Santos, Mogi das Cruzes e Sorocaba. Na primeira,
onde o grupo representa 54,8% do VPA regional, a alface aparece como principal
(44,3% do VPA regional), mas outros compõem o rol diversificado, tais como
repolho (5,0%), pimentão (1,5%) e beterraba (1,3%). A alface é também o
principal na regional de Sorocaba e representa 15,7% do total do VPA regional e
na qual o grupo de olerícolas representa 32,8% do VPA total. Já a CATI Regional
de Mogi das Cruzes, cuja importância do grupo é de 49,9%, tem como principais
produtos na composição alface (16,8%), repolho (9,9%) e cenoura (8,3%),
evidenciando a diversificação olerícola para esta região. Ainda neste grupo, o
tomate para mesa é o principal produto em VPA na CATI Regional de Itapeva, com R$2,1
bilhões e representando 33,2% do VPA desta regional.
Por último, o grupo de produtos florestais,
representado pelo eucalipto com R$2,9 bilhões de VPA, representa 1,7% no total
do VPA estadual. Ele figura entre os cinco
principais produtos em sete CATI Regionais: Jaú, Bauru, Piracicaba, Sorocaba,
Bragança Paulista, Pindamonhangaba e Mogi-Mirim, concentrando 74,0% da produção
estadual. Em termos de importância para o VPA regional, é o primeiro em
participação em Mogi-Mirim (17,7%) e
o terceiro em Pindamonhangaba (15,2%) e Jaú (10,1%).
A distribuição regional do VPA
paulista apresentou alterações relevantes entre 2024 e 2025, com mudanças de
posicionamento entre as dez principais CATI Regionais. A entrada de Ourinhos e
General Salgado no grupo das dez maiores e a saída de Araraquara e Avaré
estiveram associadas, sobretudo, à valorização da carne bovina e à retração dos
preços da laranja para indústria e da cana-de-açúcar (Tabela 1).
O comportamento do VPA
regional está diretamente relacionado à elevada concentração do valor da
produção em poucos produtos. Em 2025, cana-de-açúcar, carne bovina, carne de
frango, laranja para indústria e café responderam por 67,2% do VPA estadual,
percentual ligeiramente superior ao observado em 2024 (66,7%). Dessa forma,
oscilações de preços e produção dessas atividades exercem forte influência
sobre a dinâmica regional do indicador.
As alterações observadas
resultam da combinação entre variações nos preços recebidos pelos produtores e
nos volumes produzidos. A inserção de parte relevante dessas atividades nos
mercados internacionais de commodities expõe o VPA à volatilidade de
preços, enquanto fatores climáticos afetam diretamente o desempenho produtivo
das lavouras e da pecuária.
Nesse contexto, o
comportamento regional do VPA evidencia diferenças estruturais entre as
regionais paulistas, refletindo distintos níveis de especialização produtiva e
de exposição às oscilações de mercado e clima.
1Os autores agradecem o apoio
recebido de Tereza Satiko Nishida Pinto, Assistente de Pesquisa Científica.
2VEGRO, C. L. R.
et al. Valor
da Produção Agropecuária Paulista 2025. Análises e Indicadores do Agronegócio,
São Paulo, v. 21, n. 5, maio. 2026, p. 1-8. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=16329. Acesso em:
28.mai.2026.
3Op. cit. nota 2.
4Op. cit. nota 2.
5FLORESTAR –
INDÚSTRIA FLORESTAL PAULISTA. Publicação setorial 2026. São Paulo:
Florestar, 2026.
Palavras-chave: valor da produção agropecuária paulista, preços e
produção, agropecuária regional.
COMO
CITAR ESTE ARTIGO
FRANCA, T. J. F. et al. Valor da
Produção Agropecuária Paulista em 2025: resultado por regionais da CATI. Análises
e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 6, jun. 2026, p. 1-14. Disponível
em: colocar o link
do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.

