Com as recentes inclusões da produção de eucalipto e da
criação de tilápias, somam-se agora 52 principais produtos agropecuários
considerados, selecionados conforme sua relevância na composição da produção
total estadual, para compor o cálculo do valor da produção agropecuária (VPA),
classificando-os, ainda, em cinco grupos conforme o destino da produção, a
saber: para a agroindústria, produtos animais, grãos e fibras, frutas frescas e
olerícolas – in natura. Os dados de preço e produção utilizados foram extraídos
do banco de dados levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA)1, 2,
sendo
as variações do VPA de cada um dos grupos de produtos, entre 2024 e 2025,
calculadas com base em índices de preços e de quantidades construídos pela
fórmula de Fisher (base 2024 = 100)3.
Em
2025, em termos reais (corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
- IPCA)4, o VPA do estado de São Paulo foi estimado em R$174,60
bilhões (contra R$175,97
bilhões registrados em
2024), representando queda de 0,78% ao obtido em 2024 (diminuição de R$1,38 bilhão frente ao ano
anterior) (Tabela 1). Quando se analisa o VPA pelos seus
componentes (preço médios e estimativa de produção), os índices calculados para
estes dois fatores indicam que o preço foi responsável pela sua baixa, com
índice reduzindo em 2,88%. Em contrapartida, a produção evitou uma queda maior,
apresentando índice positivo de 2,15%.
Em 2025, liderado pela cana-de-açúcar,
que contabilizou R$53,81 bilhões de VPA, o somatório dos valores da produção
obtidos pelos dez mais relevantes cultivos e criações do estado de São Paulo
(VPA 10+) contabilizou R$145,49 bilhões, ou seja, 83,33% do total
registrado pelo conjunto dos itens considerados (Figura 1).
Ainda considerando os dez principais produtos na geração de VPA
10+, sete exibiram incremento no valor: carne bovina, carne de frango, café beneficiado,
soja, ovo de galinha, leite e milho (Figura 2). Esses sete produtos com elevação
no VPA aportaram juntos incremento de R$13,68 bilhões ao valor total de 2025, sendo 46,10% desse total advindo
do somatório da carne bovina (R$6,31 bilhões),
expansão essa decorrente tanto do crescimento da produção de 12,94%, como de 17,97%
nos preços médios ocorridos no ano. Outro destaque no incremento do VPA veio do
café beneficiado, acrescentando R$3,63 bilhões ao VPA, tendo por base fundamentalmente
a expansão dos preços médios (60,39%), uma vez em que houve queda na produção paulista.
Ambos os produtos representaram 72,61% do total de incremento do VPA entre os 10
mais importantes produtos da pauta paulista.
Além da carne bovina, os demais produtos de origem animal dentro
do VPA 10+ (carne de frango, ovo de galinha e leite) incrementaram em R$2,06 bilhões
ao valor apurado no ano anterior. Por fim, os grãos (soja e milho), com importante
expansão da produção (acima de 15%), trouxeram aporte de R$2,06 bilhões ao VPA.
Para completar a lista dos produtos cárneos destaca-se ainda a participação da criação
de tilápias que, apesar da expansão de 0,56% na produção, enfrentou preços médios
cadentes (4,99%), resultante do tarifaço imposto ao produto pelo governo estadunidense.
Como resultado, em 2025, houve queda no VPA desse pescado que apurou R$493,39 milhões.
Os produtos
cárneos substitutos da origem bovina na dieta dos consumidores, como a carne de
frango e a suína, exibiram comportamento uníssono em relação aos preços médios e
produção na composição dos respectivos VPA. No caso do frango houve aumento de produção
(6,13%) e de preços (3,04%), repercutindo na apuração de R$14,60 bilhões, ou seja,
elevação de 9,36% de elevação do VPA. Para a carne suína, houve elevação de 5,56%
nos preços médios e de 3,70% na produção, totalizando R$2,66 bilhões, ou seja, expansão
de 9,47% no VPA de 2025.
Em contrapartida, a lavoura de cana-de-açúcar e os pomares de
laranja para indústria, com quedas tanto na produção como nos preços para ambos
os produtos, impuseram queda de R$5,28 bilhões e de R$5,94 bilhões ao VPA, respectivamente.
Conjuntamente, apenas esses dois importantes produtos da pauta paulista trouxeram
uma perda de R$11,22 bilhões ao VPA. A laranja para mesa, seguindo sua congênere,
teve queda de 27,28% no preço médio e de 1,87% na estimativa de produção, apurando
R$3,84 bilhões no VPA. Esse produto agregou uma perda adicional ao VPA paulista
de R$1,54 bilhão.
Seguem na
lista de produtos mais importantes do ranking do VPA paulista o tomate para mesa
e o eucalipto recém introduzido na composição do cálculo do valor. No caso do primeiro
produto, houve expansão tanto de preços médios (16,69%) como da estimativa de produção
(2,34%), aportando R$3,16 bilhões ou seja, crescimento de 19,42% ao VPA. Para o
caso do eucalipto, que contabilizou R$2,94 bilhões, houve aumento da produção de
14,64% que compensou a queda nos preços médios (-9,57%), repercutindo em expansão
de 3,68% no VPA.
Completando
a lista dos 15 mais destacados produtos seguem a banana e o amendoim, ambas culturas
com grande importância para seus respectivos territórios (Vale do Ribeira e oeste
paulista). No caso da banana, houve queda dos preços médios (-11,14%) e de estimativa
de produção (-3,79%), resultando assim em queda do VPA (-14,50%). O amendoim apresentou
aumento da produção (22,09%), mas redução de preço (-36,13%), resultando em queda
do VPA de 22,02%.
Batata e cebola
constituem dois produtos da cesta de alimentos básicos que normalmente exibem grandes
variações na formação anual do VPA. Em 2025, para a batata houve queda nos preços
médios de 65,18%, com aumento da estimativa de produção de 10,51%, resultando em
R$1,50 bilhão, ou seja, queda de 61,52% no VPA. Já para a cebola o declínio dos
preços médios foi ainda muito maior que o da batata, registrando baixa de 74,70%.
Com isso o VPA da cebola foi de apenas R$236,59 milhões em 2025, enquanto em 2024
havia alcançado R$933,93 milhões, queda de 74,67% do VPA.
O abastecimento
alimentar poderá ser prejudicado a partir da queda nos preços médios e nas estimativas
produção do feijão, outro item imprescindível na cesta de consumo dos brasileiros.
Totalizando um VPA de R$481,23 milhões, houve queda de 42,19% no indicador, o que
certamente será seguido por diminuição na intenção de plantio e também na oferta
nas próximas temporadas.
Um último
destaque recebe o algodão em caroço, que teve elevação de 91,35% no VPA (R$157,01
milhões), reflexo da expansão de 127,56% na estimativa de produção, apesar da queda
de 15,91% nos preços médios. Após quase desaparecer como lavoura de importância
no estado, tal resultado representa um retorno importante para diversificar ainda
mais as opções de cultivo dos agricultores paulistas.
Na análise dos agregados
dos grupos de produtos, frutas frescas e produtos para indústria tiveram quedas
tanto no índice dos preços médios (-10,15% e -4,49%, respectivamente) como no índice
das estimativas de produção (-0,82% e 3,74%), consolidando queda no VPA de ambos,
sendo -8,06% para produtos para indústria e -10,89% para as frutas frescas. Em contrapartida,
os produtos animais exibiram variações positivas tanto nos índices de preços (9,70%)
como no de produção (8,11%), contabilizando variação positiva no VPA de 18,59%.
Os demais grupos de produtos
(grãos e fibras, olerícolas e produtos florestais) tiveram queda no índice de preços
médios (-7,57%, 27,57% e 2,88%, respectivamente) e aumento nos índices de estimativa
de produção (14,53%, 6,03% e 2,25%, respectivamente).
Excluindo-se a cana-de-açúcar
do cálculo do VPA em 2025, houve queda no índice de preços (2,07%) com elevação
no índice de produção (5,52%), resultando, assim, e, uma evolução de 3,74% do VPA
2025 sem a cana-de-açúcar.
1INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Banco de dados: estatísticas da produção
paulista. São Paulo: IEA, 2025. Disponível em: http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/subjetiva.aspx?cod_sis=1&idioma=1
Acesso em: 13 abr. 2026.
2INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Banco de dados: estatísticas de preços
médios. São Paulo: IEA, 2025. Disponível em: http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/precos_medios.aspx?cod_sis=2.
Acesso em: 13 abr. 2026.
3HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 2. ed. São Paulo: Pioneira,
1991. 426 p.
4INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sistema IBGE de Recuperação
Automática – SIDRA. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, Tabela 7060
– IPCA: variação mensal, acumulada no ano, acumulada em 12 meses, 2025. Rio
de Janeiro: IBGE, 2026. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7060. Acesso
em: 24 mar. 2026.
Palavras-chave: valor da produção agropecuária,
preços médios, estimativa de produção.
COMO
CITAR ESTE ARTIGO
VEGRO, C. L. R. et al. Valor da Produção
Agropecuária Paulista 2025. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo,
v. 21, n. 5, maio. 2026, p. 1-8. Disponível em: colocar o link do artigo.
Acesso em: dd
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