Revista de Economia Agrícola — Artigos
Análise da parcela brasileira no mercado internacional do cacau
Flavio Condé de Carvalho, Sebastião Nogueira Junior, Regina Junko Yoshii, Elizabeth Alves e Nogueira
Publicado em · em v. 38, t. 1 · 1991
RESUMO: Os principais pólos de produção de cacau são, atualmente, Costa do Marfim (29,3%), Brasil (15,3%) e Malásia (10,5%). 0 elevado grau de instabilidade de preços ao longo dos anos, apresentado por esse mercado, com sérias implicações para os setores produtivo e consumidor, tem levado à busca de acordos internacionais, visando estabilizar os preços mundiais do produto. 0 objetivo deste trabalho é analisar a participação do Brasil no mercado mundial de cacau, avaliando os efeitos do Acordo Internacional sobre as exportações brasileiras. 0 método utilizado foi o de parcelas marginais de mercado, que mede a variação total das quantidades importadas do cacau brasileiro, em três efeitos: tamanho de mercado, distribuição e competição. Também foi utilizado o método tradicional de parcelas de mercado, comparando o subperíodo 1960-72 (sem Acordo) com o subperíodo 1973-88 (com Acordo).
A análise das parcelas marginais de mercado indica grandes oscilações anuais nos efeitos, atribuidas à própria estrutura do mercado mundial de cacau, cultura permanente afetada substancialmente pelas condições climáticas. Também contribuiu para essas oscilações a inelasticidade-preço da demanda do produto.
Os efeitos tamanho de mercado e competição entre os dois subperíodos foram positivos, indicando que o Brasil conseguiu se aproveitar do crescimento das importações mundiais. 0 efeito distribuição negativo indica perda de posição em mercados específicos. Não houve variação significativa na taxa de crescimento das importações mundiais nos períodos pré e pós-Acordo. No entanto, o Brasil parece ter sido beneficiado pelo Acordo, já que sua parcela média de exportação passou de 9,1% para 11,8%. Sugere-se um programa mais agressivo de conquista de mercado, traduzido no efeito competição, que poderia contribuir de fato para que o Brasil auferisse mais divisas com o cacau.
Como citar
FLAVIO CONDÉ DE CARVALHO; SEBASTIÃO NOGUEIRA JUNIOR; REGINA JUNKO YOSHII; ELIZABETH ALVES E NOGUEIRA. Análise da parcela brasileira no mercado internacional do cacau. Revista de Economia Agrícola, v. 38, t. 1, 1991. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=9162. Acesso em: 23/10/2026.

