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Análises e Indicadores do Agronegócio

Resultado da Balança Comercial do Agronegócio Paulista no Primeiro Quadrimestre de 2006

José Sidnei Gonçalves, José Roberto Vicente, Sueli Alves Moreira Souza, Nelson Batista Martin

Publicado em

            No primeiro quadrimestre de 2006, as exportações do Estado de São Paulo1 somaram US$ 12,79 bilhões (32,6% do total nacional) e as importações2, US$ 10,86 bilhões (40,6% do total nacional), gerando superávit de US$ 1,93 bilhão. Esse resultado mostra tendência crescente do saldo da balança comercial paulista (gráfico 1). Em relação ao primeiro quadrimestre de 2005, o valor das exportações paulistas aumentou 18,5% e o das importações, 19,7%. O crescimento nas exportações paulistas (+18,5%) nos quatro primeiros meses de 2006, em relação ao mesmo período de 2005, foi superior à média brasileira (+16,5%). Nas importações, ocorre tendência oposta, com incremento em São Paulo (+19,7%) muito inferior ao Brasil (+24,5%). Assim, o percentual de aumento do saldo da balança comercial paulista (+12,2%) foi muito maior que o da brasileira (+2,2%)(tabela 4). Dessa forma, foi o desempenho paulista que garantiu praticamente sozinho o crescimento do saldo da balança comercial brasileira, porque excluindo São Paulo, o saldo somado da balança comercial das demais unidades da federação brasileira no primeiro quadrimestre de 2006 seria de US$ 10,51 bilhões, praticamente igual aos US$ 10,45 bilhões de igual período do ano passado.

Gráfico 1 - Balança Comercial Estadual, Estado de São Paulo, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            O agronegócio paulista também apresentou exportações crescentes (+6,9%) atingindo US$ 3,54 bilhões, enquanto as importações cresceram 9,0%, somando cerca de US$ 1,21 bilhão, com saldo de US$ 2,33 bilhões3, 5,9% maior do que o do primeiro quadrimestre de 2005 (gráfico 2). As aquisições de produtos estrangeiros relacionados ao agronegócio, realizadas por importadores baseados em São Paulo, tiveram aumento de 9,0%, enquanto as importações totais estaduais cresceram 19,7%. Em função disso, há que se destacar que as importações paulistas nos demais setores - exclusive o agronegócio – somaram US$ 9,65 bilhões para exportações de US$ 9,25 bilhões, gerando um déficit externo, desse agregado, de US$ 400 milhões no primeiro quadrimestre de 2006. Isto permite concluir que os superávits do comércio exterior paulista continuam a depender do desempenho do agronegócio estadual.

Gráfico 2 - Balança Comercial do Agronegócio, Estado de São Paulo, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            A participação das exportações do agronegócio paulista no total do Estado diminuiu 3,0 pontos percentuais, enquanto a participação das importações decresceu apenas 1,1 ponto percentual (gráfico3).

Gráfico 3 - Participação do Agronegócio na Exportação e na Importação, Estado de São Paulo, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 12,44 bilhões no primeiro quadrimestre de 2006, com exportações de US$ 39,19 bilhões e importações de US$ 26,75 bilhões. Esse superávit, apenas 2,2% maior do que o do mesmo período em 2005, resultou de aumento nas exportações (+16,5%) muito inferior ao das importações (+24,7%) (gráfico 4). Assim, dada a persistência do atual patamar do câmbio, vem ocorrendo aumento das exportações em ritmo muito menor que o das importações e, com isso, uma sensível redução no ritmo de crescimento do superávit, só possível principalmente com o desempenho do agronegócio paulista cujo saldo se mostra ainda vigoroso.

Gráfico 4- Balança Comercial Nacional, Brasil, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 7,3% em relação ao primeiro quadrimestre do ano anterior, atingindo US$ 14,04bilhões (35,8% do total). Já as importações do setor somaram US$ 3,22 bilhões (12,0% do total). O superávit do agronegócio no primeiro quadrimestre de 2006 foi de US$ 10,82 bilhões4, 6,1% superior ao do mesmo período do ano anterior (gráfico 5). Isso revela incremento da importância relativa dos agronegócios no saldo do comércio externo brasileiro.

Gráfico 5 - Balança Comercial do Agronegócio, Brasil, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            A participação do agronegócio brasileiro no total da balança comercial do País diminuiu relativamente tanto em termos de exportação (-3,1 pontos percentuais) quanto de importações (-1,5 ponto percentual) (gráfico 6). Isto decorreu do avanço das transações externas de outros setores e dos efeitos do câmbio que diminuiu a competitividade das commodities agropecuárias.

Gráfico 6 - Participação do Agronegócio na Exportação e na Importação, Brasil, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            Em relação à economia brasileira, as exportações de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2006 representaram 32,6%, ou 0,4 ponto percentual a mais que as de janeiro-abril de 2005. Já as importações representaram 40,6%, ou 1,6 ponto percentual a menos que no ano anterior (gráfico 7).

Gráfico 7- Participação do Estado de São Paulo no Brasil, Exportação e Importação, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC

            Em relação ao agronegócio brasileiro, as exportações de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2006 representaram 25,2%, ou 0,1 ponto percentual a menos que as de janeiro-abril de 2005. Já as importações representaram 37,6%, ou 0,8 ponto percentual a menos do que no ano anterior (gráfico 8).

Gráfico 8- Participação do Agronegócio Paulista no Agronegócio Brasileiro, Exportação e Importação, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006 

Fonte: IEA/APTA/SAA, dados básicos da SECEX/MDIC.

            Os agregados da balança comercial do Brasil e de São Paulo, para o total e para o agronegócio, são apresentados nas tabelas 1 a 4.

Tabela 1 - Brasil - Balança Comercial, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006
( US$ bilhão)

Ano Total Agronegócio  Partic. do Agronegócio(%)
Exportação
Importação
Saldo
Exportação
Importação 
Saldo
Exportação
Importação
2005
33,65
21,48
12,17
13,09
2,89
10,20
38,9
13,5
2006
39,19
26,75
12,44
14,04
3,22
10,82
35,8
12,0
Fonte: IEA/APTA/SAA-SP, a partir de dados básicos da SECEX/MDIC

Tabela 2 - Estado de São Paulo - Balança Comercial, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006
(US$ bilhão)

Ano Total Agronegócio Partic. do Agronegócio(%)
Exportação Importação Saldo Exportação Importação  Saldo Exportação
Importação
2005
10,79
9,07
1,72
3,31
1,11
2,20
30,7
12,2
2006
12,79
10,86
1,93
3,54
1,21
2,33
27,7
11,1
Fonte: IEA/APTA/SAA-SP, a partir de dados básicos da SECEX/MDIC

Tabela 3 - Participação da Balança Comercial do Estado de São Paulo no Brasileiro, Total e Agronegócio, Primeiro Quadrimestre, 2005 e 2006
(%)

Ano Total Agronegócio
Exportação
Importação
Exportação
Importação 
2005
32,1
42,2
25,3
38,4
2006
32,6
40,6
25,2
37,6
Fonte: IEA/APTA/SAA-SP, a partir de dados básicos da SECEX/MDIC

Tabela 4 - Balança Comercial do Brasil e de São Paulo, Variação Percentual, Primeiro Quadrimestre, 2006 / 2005

Ano Total Agronegócio
Exportação Importação Saldo Exportação Importação  Saldo
Brasil
16,5
24,5
2,2
7,3
11,4
6,1
São Paulo
18,5
19,7
12,2
6,9
9,0
5,9
Fonte: IEA/APTA/SAA-SP, a partir de dados básicos da SECEX/MDIC

__________________________
1 Estado produtor (Unidade da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação, é a Unidade da Federação onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.
2 Estado importador (Unidade da Federação importadora) é definido como a Unidade da Federação do domicílio fiscal do importador.
3 Excluindo-se bens de capital e insumos provenientes dos Demais Setores, o superávit do agronegócio paulista foi de US$ 2,41 bilhões.
4 Excluindo-se bens de capital e insumos provenientes dos Demais Setores, o superávit do agronegócio brasileiro foi de US$ 11,27 bilhões.

Veja também a tabela: Resumo Mensal da Balança Comercial dos Agronegócios, 2005 e 2006 (janeiro a abril).

Resumo

Como citar

JOSÉ SIDNEI GONÇALVES; JOSÉ ROBERTO VICENTE; SUELI ALVES MOREIRA SOUZA; NELSON BATISTA MARTIN. Resultado da Balança Comercial do Agronegócio Paulista no Primeiro Quadrimestre de 2006. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2006. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=5698. Acesso em: 22/10/2026.