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Análises e Indicadores do Agronegócio

Impactos da sazonalidade na safra de soja

Andréa Leda Ramos de Oliveira

Publicado em

            Um dos maiores desafios dos executivos da cadeia de produção da soja, além de elaborar estratégias comerciais, é o de administrar a sazonalidade, característica predominante na maioria dos produtos agrícolas. Essa situação ocorre geralmente entre os meses de março-maio e, em alguns anos, se estende até os meses de junho e/ou julho. Nesse período, a pressão da demanda de soja grão e farelo por transporte até os portos força uma elevação nos fretes rodoviários (figura 1), criando espaço para que as empresas ferroviárias e hidroviárias também aumentem seus preços. De certa forma, os fretes ferroviários e hidroviários estão fortemente indexados ao rodoviário neste período.

Figura 1 - Evolução do frete rodoviário da soja grão, Campo Verde (MT) – Santos (SP), 2004 (R$/ton.)

                                         Fonte: Companhia Vale do Rio Doce (2005) 
  
              As exportações de soja e farelo do Brasil, sobretudo do Estado Mato Grosso, são os melhores indicadores da sazonalidade da demanda por transporte. Esse fator contribui para a formação dos preços da logística até o porto, incluindo os fretes rodoviários, ferroviários e a elevação no porto.
            Em 2005, a movimentação de soja e farelo nos portos alcançou 36,9 milhões de toneladas, 9.3% superior à do ano anterior.
            Os picos de exportação ocorrem no período da colheita (figura 2), que acontece no primeiro semestre. Somado a isso, o comportamento das cotações da soja em Chicago (figura 3), com a entrada da safra dos Estados Unidos, promove a queda dos preços no mercado internacional.

Figura 2- Sazonalidade das exportações brasileiras de soja + farelo, 2003-2005 (milhões de toneladas)

                                     Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do SECEX1 (2006).

            Vale destacar que em 2005 o pico das exportações da soja+farelo no primeiro semestre foi atenuado pelo comportamento mais regular das saídas do farelo de soja e, ainda, pela constância dos preços de Chicago nos meses de junho e julho do mesmo ano.

Figura 3 - Evolução das cotações de soja em Chicago, 1o Vencimento, 2003-2005 (US$/ton.)

            O armazenamento da soja para diluir o escoamento ao longo de todo o ano nem sempre é um bom negócio. A concentração então acaba gerando picos de necessidade na estrutura logística do país, que devem ser comportados pelos portos, rodovias e ferrovias.
            No período de janeiro a julho de 2005, aproximadamente 59% da soja e do farelo já haviam sido exportados. E em setembro o escoamento chegou a 82%. As exportações concentraram-se entre os meses de março e julho, com 52% do volume total, representando 19,1 milhões de toneladas (tabela 1).

Tabela 1 - Sazonalidade das exportações de soja + farelo, Brasil e Mato Grosso 2004-2005 (%)

                     Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do SECEX (2006)1 
  

            O Estado do Mato Grosso, principal exportador brasileiro e responsável por 34,7% das exportações de soja e farelo em 2005, também apresentou pico de exportações que ocorreu nos meses de março a julho.
            A partir das curvas de exportação da soja + farelo, verificam-se os períodos mais demandados por transporte e seus impactos nos preços. Conforme mencionado, a concentração nos períodos de safra exige maior capacidade dos portos, principalmente de Santos e Paranaguá, por onde passam as maiores quantidades de soja e farelo para exportação.
            Esse cenário, somado a uma relativa escassez de armazéns nos portos e no interior, faz com que os operadores do mercado de soja tenham de planejar sua logística com cuidado, de maneira a reduzir os custos, aumentando assim sua competitividade.
            Uma alternativa para o setor, na tentativa de equacionar a sazonalidade do mercado, é o planejamento e a contratação antecipada dos operadores logísticos. Por outro lado, planos de melhorias para a logística brasileira já existem no Governo Federal, dentre eles o Plano de Revitalização das Ferrovias, estimado para ser realizado em três etapas, conforme estabelecimento de prioridades. No Plano Plurianual 2004-2007, também estão incluídas obras que buscarão melhorar a infra-estrutura de portos considerados críticos. O governo prevê a realização dessas melhorias no sistema logístico principalmente através da obtenção de recursos com as PPP´s (Parcerias Público-Privadas). 2, 3
 

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1 Informações com base nos dados da Secretária do Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em: http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/.
2 HIJJAR, M. A. Logística, Soja e Comércio Internacional. 2004. Disponível em: <http://www.cel.coppead.ufrj.br/fs-public.htm>.
3 Artigo registrado no CCTC-IEA sob número HP-014/2006.

Resumo

Como citar

ANDRÉA LEDA RAMOS DE OLIVEIRA. Impactos da sazonalidade na safra de soja. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2006. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=4779. Acesso em: 22/10/2026.