Congressos e Seminários
Perspectiva Econômica da Banana Não É Negra e Futuro Indica: Siga a Modernidade e Toca Inovação
José Sidnei Gonçalves, Luis Henrique Perez, Sueli Alves Moreira Souza
Publicado em
Resumo:
Apesar das apostas de que a presença da doença chamada Sigatoka Negra iria
dizimar os bananais paulistas, mesmo tendo sido detectada no primeiro semestre
de 2004, até o momento não foram constatados efeitos nas exportações brasileiras
e no mercado interno. Esse é o resultado do trabalho de pesquisadores do IEA,
"Perspectiva econômica da banana não é negra e futuro indica: siga a modernidade
e toca inovação", apresentado na XIII Reunião Itinerante de Fitossanidade do
Instituto Biológico (XIII REFIB), realizada em Registro (SP) em 23 e 24 de
novembro de 2005.
O
trabalho mostra a banana como alimento relevante no Brasil e no mundo, na medida
em que:
- O Brasil é o segundo maior produtor mundial de banana e o maior consumidor per capita com 29 kg/hab/ano,
- A Índia tem a maior colheita mundial mas, dada a dimensão da sua população tem um consumo per capita de apenas 12 kg/hab/ano.
Com
isso, a banana é a fruta mais importante e o quarto alimento vegetal mais
consumido no mundo, superada pelo arroz, trigo e milho.
A
análise das exportações brasileiras de banana mostram que:
- A presença da sigatoka negra não afetou as exportações brasileiras de banana que seguem crescendo na comparação de 2004 com 2005;
- O Rio Grande do Norte firma-se na liderança das exportações de banana vendendo produtos por melhores preços e obtendo maior geração de divisas;
- Santa Catarina continua dominando o mercado do prata, mas vende banana a preços muito menores que os obtidos pela banana potiguar, mais próxima do padrão internacional do complexo bananeiro.
Os
plantios de banana se distribuem por todo território brasileiro envolvendo
inúmeras variedades com diferentes produtividades, sendo a maioria plantios não
diretamente voltados para os grandes mercados urbanos. Isso cria uma condição de
convivência entre bananais estrativos e bananais comerciais o que acaba gerando
enormes diferençasde padrão técnico
Em
São Paulo:
- O valor da produção da banana cresce mais que valor da produção da agropecuária (VPA) estadual, aumentando sua participação de 1,2% para 1,8% da renda bruta setorial.
- O desempenho dessa fruta explica o aumento tanto absoluto como relativo da participação da Região Administrativa (RA) de Registro na agropecuária
- estadual. também tendo na banana seu principal produto agropecuário a Região Metropolitana (RM) da Baixada Santista acompanha a tendência de crescimento do VPA com o que sua participação estadual subiu de 0,13% para 0,19%.
- interessante notar que, em função do preponderância da banana, o valor da produção por hectare da RA de Registro cresce mais que a média estadual passando a gerar 1,43 mais renda por unidade de área que a média estadual em 2004, nível ainda mais expressivo na RM da Baixada Santista que de 2,6 vezes a média estadual passou para 3,8 vezes.
- Isso mostra e reforça a condição estratégica e quase insubstituível no curto prazo da banana para a agropecuária regional de Registro e da Baixada Santista.
No Vale do Ribeira:
- Fica caracterizada a importância da banana para a economia agropecuária do vale do ribeira, bem como que ainda não se manifestaram efeitos deletérios da detecção da Sigatoka Negra no desempenho econômico da cultura, tendo inclusive aumentado a produção e a renda bruta.
- Também fica patente a diferenciação de performance da banana na RA de Registro que se mostra superior em termos econômicos ao da banana da RM da Baixada Santista, o que pode ser um indicador de menor capacidade econômica de ajustamento de longo prazo, aos efeitos da presença da sigatoka negra nos bananais.
A
análise realizada mostra que, em grandes linhas, da ótica do comportamento dos
mercados não se nota, até o momento, impactos relevantes da detecção da Sigatoka
Negra nos bananais do sul/sudeste do Brasil. Do ponto de vista micro-econômico
do produtor de banana há que se considerar que as pressões de custos pelo maior
número de tratamento fitossanitário, que nesse ítem específico de despesas
representam aumentos de 15 a 35% dependendo do grau de infestação e da qualidade
do manejo, estão sendo absorvidas.
Em
função isso é relevante ter nítido que o progresso técnico se mostra como única
alternativa para quem quiser continuar a produzir banana, estando condenadas
opções que não perfilem esse caminho. a pressão pela profissionalização da
produção rompendo com o quase extrativismo bananeiro de algumas estruturas
produtivas é inexorável. Também ficam comprometidas propostas de uso de
variedades alternativas à nanica, pois existem questões de ajustes difíceis na
aceitação pelo mercado dado o paladar distinto, o que preconizaria ampla
alteração não previsível de hábitos de consumo. a perspectiva formada até o
momento dão conta de que a banana continuará a ser produzida e consumida com
produtividades crescentes e preços estáveis.
Da
ótica regional do Vale do Ribeira, a diferença de dinamismo entre a banana da RA
de Registro e da RM da Baixada Santista pode indicar os efeitos localizados que
a Sigatoka Negra pode causar, qual seja condenar bananais velhos e de baixo
nível tecnológico e ampliar as oportunidades para bananais novos, inseridos
dentro de estratégias de produção integrada de frutas que em muitas áreas de
banana do vale do ribeira têm apresentado sucesso.
A
análise econômica nesse caso vem apenas confirmando a tendência de mercado uma
vez que até agora, não há fenômeno que permita mensurar efeitos diferentes das
tendências de preços e oferta que vem sendo mantidas como continuidade das
observadas antes da detecção da doença. Isso não significa dizer que estão
descartadas mudanças estruturais de médio e longo prazo e nem mesmo efeitos
conjunturais drásticos em função de um fenômeno aleatório que impulsione o
efeito deletério dessa doença dos bananais, simplesmente aponta que a presença
da sigatoka negra não afetou a renda e o movimento dos mercados.
Em
síntese, a banana tende a evoluir enquanto fruta relevante com maior progresso
técnico. os produtores de menor padrão tecnológico terão dificuldades de
sustentação numa realidade de maiores custos e maior
profissionalização.
Como citar
JOSÉ SIDNEI GONÇALVES; LUIS HENRIQUE PEREZ; SUELI ALVES MOREIRA SOUZA. Perspectiva Econômica da Banana Não É Negra e Futuro Indica: Siga a Modernidade e Toca Inovação. Congressos e Seminários, 2005. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=3978. Acesso em: 22/10/2026.

