Análises e Indicadores do Agronegócio
Valor da Produção Agropecuária do Estado de São Paulo: resultado 2021 por região
José Roberto da Silva, Paulo José Coelho, Danton Leonel de Camargo Bini, Eder Pinatti, Ana Victória Vieira M. Monteiro, Terezinha Joyce Fernandes Franca, Maria Magdalena Matte Hiriart
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O valor da produção agropecuária (VPA) do estado de
São Paulo em 2021 resultou em R$125,8 bilhões, 28,6% superior ao resultado
obtido em 2020, e 15,7% acima, em termos reais quando deflacionado pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este impactado em função de
altas expressivas nos preços médios recebidos1, e nos de commodities. Internamente, estes foram
também afetados em decorrência de perdas de produção face a períodos de
estiagens e geadas (Tabela 1).

Esse resultado pode ser visto considerando as quarenta regiões agrícolas (CATI Regionais) em que é dividido o estado. Assim, a regional de São João da Boa Vista, que vinha ocupando alternadamente a primeira e segunda posição no ranking há algum tempo, e primeira posição em 2019, manteve-se na em 2021 terceira colocação, superada pelos VPAs das regionais de Itapeva e Barretos (Figura 1).

As CATI Regionais de São João da Boa Vista, Barretos, Itapeva, Presidente Prudente e Itapetininga vêm se posicionando sistematicamente entre os cinco de maiores VPAs do estado desde 2015. Os VPAs dessas cinco regiões variam de R$4,1 bilhões da regional de Presidente Prudente, na quinta colocação, até R$5,1 bilhões, na de Itapeva. Entre a sexta colocada (São José do Rio Preto) e a décima (Jaboticabal), o VPA varia de R$3,6 bilhões a R$3,3 bilhões (Tabela 2).


A elevação apresentada no VPA de Itapeva em 2021, de 38,9% relativamente ao ano anterior, fez com que ele se mantivesse na primeira colocação no ranking estadual, terceira maior variação positiva, antecedida pela variação do VPA de Piracicaba (48,7%) e do de Pindamonhangaba (54,5%), CATI Regionais respectivamente situados na 22ª e na 37ª posições. Nessas duas regionais, destacaram-se as proteínas animais, participando com três produtos entre os cinco principais. Essa performance da regional de Itapeva vem sendo muito influenciada pelos elevados preços dos cereais, notadamente soja e milho, cujos preços médios recebidos pelos agricultores acusaram aumentos de 44,3% e 66,8%, respectivamente, frente ao ano anterior. O VPA da soja, maior da regional, representou 35,5%, e o do milho 14,9%, na terceira colocação. Além deles, na quinta posição, o trigo é outro cereal que se encontra entre os cinco de maior VPA regional, com 5,1% de participação, com seu preço médio em 2021 apresentando uma elevação de 84,6%. A regional de Itapeva é a maior produtora de trigo no estado e a única em que o VPA do cereal figura entre os cinco de maior VPA regional. O tomate para mesa apresentou o segundo maior VPA na regional de Itapeva, e esse item também está entre os cinco de maior VPA nas CATI Regionais de Campinas e de Lins. A produção de tomate para mesa da regional de Itapeva representa mais de 50% do total do estado.
Entre as dez regionais de maior VPA (com exceção de Itapeva e Itapetininga), a cana figura entre os cinco produtos de maior valor.
A CATI Regional de Itapetininga figura entre as dez de maior valor a partir de 2015. Esteve na 2ª colocação (2019 e 2020) e, em 2021, em 4ª lugar. Nessa regional, os cereais também vêm se posicionando entre os cinco produtos de maior valor: o VPA da soja ranqueou em 2º lugar, precedido pelo da carne de frango, enquanto o VPA do milho apareceu na 4ª colocação, precedido pelo VPA da carne bovina. Essa região é, portanto, talhada para estruturar competitiva cadeia de produção de proteína animal.
Desde a regional de Sorocaba, passando pelas de Itapetininga e Itapeva (que fazem divisa com o Paraná), têm o milho e/ou a soja entre os cinco principais produtos em seus VPAs (Figura 2).

O VPA da cana-de-açúcar e o da carne bovina encontram-se entre os cinco de maior valor regional, respectivamente, em 32 e 35 das 40 CATI Regionais do estado. O VPA da cana-de-açúcar é responsável por mais de 60% do VPA regional em dez regionais, respondendo por mais de 70% em dois deles.
No arco formado pelas CATI Regionais de Itapeva, Itapetininga, Registro, São Paulo, Bragança Paulista, Mogi das Cruzes, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, a cana-de-açúcar não consta entre as principais culturas compondo o VPA (Figura 3). No entanto, o VPA da carne bovina destaca-se em cinco dessas regionais e, em Guaratinguetá e Presidente Venceslau, responde por mais de 50%. As CATI Regionais em que a carne bovina não consta entre os cinco principais produtos do VPA são: São João da Boa Vista, Mogi Mirim, Mogi das Cruzes, Avaré e Jaboticabal, sendo que nas duas últimas não se destacam nenhuma outra produção de proteína animal.
Além de Pindamonhangaba e Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, as CATI Regionais onde o VPA de carne bovina ultrapassa a participação de 20% estão localizadas junto à divisa do estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul, avançando nas regionais de General Salgado, Presidente Prudente e, mais ao centro paulista, até a de Bauru (Figura 4).

Na regional com maior elevação do VPA (54,5%), Pindamonhangaba, os maiores VPAs são os de produtos animais (carne bovina, leite e carne suína) e de cereais, produtos cujos preços apresentaram elevações expressivas, notadamente os de milho. Nessa regional, assim como na de Guaratinguetá, os VPAs da carne bovina e do leite respondem, respectivamente, por 74,4% e 87,9% do VPA total regional. A importância regional do leite ainda aparece em mais cinco regionais, onde seu VPA se encontra entre os cinco de maior valor.
O VPA da carne de frango figura entre os cinco de maior valor em 16 CATI Regionais, destacando-se como o maior entre os cinco primeiros nas regionais de Itapetininga, Bragança Paulista e Campinas, mas também atinge alto percentual de participação no VPA de Piracicaba (30%) e de Botucatu (20%), regionais onde o VPA da carne de frango é o maior ou tem participação que ultrapassa os 20% do VPA da região. O VPA do ovo de galinha representa 62,6% do VPA da regional de Tupã e encontra-se entre os cinco de maior valor em mais seis regionais, chegando a representar 19% do VPA de Mogi das Cruzes. O VPA da carne suína encontra-se entre os cinco de maior valor nas CATI Regionais de Piracicaba e de Pindamonhangaba.
A regional de Franca, entre todas, foi a que apresentou o menor crescimento do VPA, 4%, refletindo as perdas na produção do café decorrentes das geadas. O VPA do café é o de maior valor e representa 35% do VPA regional.
Nas outras nove CATI Regionais onde o VPA do café se encontra entre os cinco de maior valor, sua participação é inferior a 10%, exceto na de Marilia e na de São João da Boa Vista, cuja participação do VPA do café é de 17,1% e de 15,3%, respectivamente.
O amendoim em casca se destaca em seis regionais, onde seu VPA se situa entre os cinco de maior valor da regional. O de maior valor é a da CATI Regional de Marilia, seguida pela de Jaboticabal e pela de Tupã. Destacam-se ainda as regionais de Presidente Prudente de Catanduva.
O VPA de mandioca para indústria situa-se entre os cinco de maior valor nas CATI Regionais de Presidente Venceslau e de Tupã.
Além do tomate para mesa, produto olerícola que figura como de maior VPA na CATI Regional de Itapeva, a alface é outro produto desse grupo cujo VPA se encontra entre os cinco produtos de maior VPA, estando na primeira posição nas regionais de São Paulo, Mogi das Cruzes e Sorocaba. É relevante também na composição do VPA da CATI Regional de Guaratinguetá, ocupando a 5ª posição. As regionais de São Paulo e de Mogi das Cruzes são as que apresentam maior ocorrência de VPAs de produtos olerícolas entre os cinco de maior valor, destacando-se os VPAs de repolho, pimentão e cenoura.
O VPA da laranja para indústria situa-se entre os cinco de maior valor em 19 das 40 regionais, enquanto o VPA da laranja para mesa em 4 regionais. A banana se destaca regionalmente nas CATI Regionais de Registro e de São Paulo. Na de Registro, o VPA da banana situa-se na primeira posição e representou 81,2% do VPA regional. Na regional de São Paulo, o VPA da banana ocupou a 2ª posição, precedido pelo da alface. O VPA de uva para mesa destaca-se entre os cinco de maior valor nas CATI Regionais de Itapetininga, Campinas e Jales.
A presença de produção de frutas contribui com os maiores valores no VPA; além das três regiões que ficam a noroeste do estado de São Paulo (Jales, Fernandópolis e Andradina) e das três regionais a sudeste (Registro, São Paulo e Mogi das Cruzes) ainda se destacam nas regionais de Barretos, Ribeirão Preto, Ourinhos e Avaré (Figura 5).

Os cinco produtos cujos VPAs apresentaram a maior participação percentual do VPA total do estado em 2021 foram: cana-de-açúcar (33,68%), carne bovina (13,87%), soja (8,63%), carne de frango (6,10%) e laranja para a indústria (5,31%). Isso se reflete em muitas regionais. Em 28 das 40 CATI Regionais, os cinco principais produtos são responsáveis por mais de 80% do VPA, chegando a 97,3%. Nas demais regiões, por outro lado, ocorre menor concentração de produtos na composição do VPA, elevando a participação da categoria “demais produtos” no valor da produção - variação de 20,1% a 40,3%1.
Importante observar a territorialização de regiões no estado onde a participação dos “demais produtos” está acima de 20%. Destacam-se em cinco regionais contíguas das regionais de São João da Boa Vista (37,4%) e Mogi Mirim (40,3%), na porção norte do estado até Ourinhos (24,7%), e Itapeva (22,9%), na divisa com o Paraná (Figura 6). Nesse cinturão, a única regional onde a diversidade de produtos (afora os de maior valor) fica abaixo de 10% do VPA é Piracicaba. As regionais de Jales (20,8%), Mogi das Cruzes (25,1%) e Jaboticabal (21,1%) ficam fora dessa faixa.

Buscando complementar a análise regional do VPA, apresentamos o número de municípios por grupo, segundo os dados do Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), desenvolvido pela Fundação SEADE (2019), que utiliza uma tipologia constituída de cinco grupos, que resume a situação dos municípios segundo três eixos, formados por três indicadores sintéticos setoriais, que mensuram as condições do município em termos de riqueza, escolaridade e longevidade. Na tabela 3 , identificamos a presença de cada uma das tipologias nas 40 CATI Regionais, com dados de 2018. Os municípios são agrupados pelas características: dinâmicos, desiguais, equitativos, em transição e vulneráveis. A indicação de frequência por região, quando relacionada ao VPA, permite uma leitura de possibilidades de atuação em âmbito local e regional, visando o desenvolvimento.

O estabelecimento da tipologia, conforme Fundação SEADE2, está relacionado ao resultado de cada eixo e da forma como a situação dos componentes se apresentam nos municípios; a forma de classificação dos municípios está apresentada na figura 7.

Diante ainda da importância da organização de arranjos produtivos locais (APL) para o desenvolvimento regional, o estudo do VPA se alia a outros instrumentos de análise para prospectar e identificar diversas possibilidades de atuação, visando à construção de políticas que possam trazer inovações nos diversos arranjos produtivos e aumentando o alcance de políticas públicas que possam promover o desenvolvimento de novos APLs.
1SILVA, J. R. da; COELHO, P. J.; BUENO, C. R. F.; BINI, D. L. de C.; PINATTI, E.; MONTEIRO, A. V. V. M.; FRANCA, T. J. F. Valor da Produção Agropecuária Paulista: estimativa final 2021. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 17, n. 8, p. 1-8, ago. 2022. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=16063. Acesso em: 25 out. 2022.
2FUNDAÇÃO SEADE. Índice Paulista de Responsabilidade Social – IPRS: 2014-2018. São Paulo: Fundação SEADE, 2019. Disponível em: http://www.iprs.seade.gov.br/downloads/pdf/iprs_release_site.pdf. Acesso em 15 dez. 2022.
Palavras-chave: renda, produção agropecuária, preços, valor da produção agropecuária regional.
COMO CITAR ESTE ARTIGO
SILVA, J. R da et al. Valor da Produção Agropecuária do Estado de São Paulo: resultado 2021 por região. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 18, n. 1, jan. 2023, p. 1-14. Disponível em: colocar o link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.
Como citar
JOSÉ ROBERTO DA SILVA; PAULO JOSÉ COELHO; DANTON LEONEL DE CAMARGO BINI; EDER PINATTI; ANA VICTÓRIA VIEIRA M. MONTEIRO; TEREZINHA JOYCE FERNANDES FRANCA; MARIA MAGDALENA MATTE HIRIART. Valor da Produção Agropecuária do Estado de São Paulo: resultado 2021 por região. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2023. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=16099. Acesso em: 22/10/2026.

