Análises e Indicadores do Agronegócio
Fruticultura e o “Velho Chico“
Antonio Ambrósio Amaro, José Roberto Vicente
Publicado em

O Brasil é um dos cinco países maiores produtores de frutas frescas no mundo, apresenta clima favorável à produção de diversas espécies e variedades, dentre as quais a manga é um exemplo, com significativos índices de exportação.
É notório que a inserção no mercado internacional foi promovida pelo aumento da produtividade agrícola e da competitividade do setor, diante de um cenário que aparece cada vez mais exigente em termos de preços e condições fitossanitárias das frutas exportadas.
Os principais mercados consumidores são os países da União Europeia e os Estados Unidos, enquanto se destacam como Estados brasileiros maiores exportadores Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.
As exportações brasileiras de manga passaram de 67,2 mil toneladas no valor de US$35,76 milhões em 2000 para 143,8 mil toneladas no valor de US$170,43 milhões em 2015, revelando a boa potencialidade de colocação no mercado internacional onde são exigidos frutos sadios, com peso entre 300 e 500 gramas; sem manchas de doenças ou de injurias mecânicas (batidas) durante a colheita até o país importador. Em 2015 o Brasil colocou-se em 6º lugar entre os países exportadores (Tabela 1).
Essa crescente evolução foi decorrência de maiores
volumes da produção de varie-
dades mais desejadas pelos importadores – Palmer, Haden, Keitt e Tommy Atkins –
obtidos em sua quase totalidade em pomares irrigados com águas do Rio São
Francisco (popularmente conhecido como “Velho Chico”) e seus afluentes nos oito
municípios que compõem o Polo Petrolina (PE) – Juazeiro (BA), que ostenta o
título de maior exportador de frutas do Brasil.
Um importante diferencial para esse cenário é que a manga dessa região chega à Europa (julho a setembro) quando não há competição com outros produtores mundiais.
Todavia, pode-se afirmar que não se faz qualidade nos packing-houses, sem fruta produzida, colhida e transportada corretamente , ou seja, os avanços nas lavouras, com treinamento de recursos humanos, têm permitido enviar manga de superior qualidade para mais de 18 países importadores.
Tabela 1 - Principais Destinos das Exportações de Manga, Brasil, 2000 a 2015
|
Ano |
Quantidade (t) |
||||||
|
Holanda |
Estados Unidos |
Espanha |
Reino Unido |
Portugal |
Outros |
Total |
|
|
2000 |
34.150 |
16.863 |
3.081 |
2.696 |
1.746 |
8.636 |
67.172 |
|
2001 |
42.384 |
27.371 |
3.373 |
6.162 |
6.563 |
8.438 |
94.291 |
|
2002 |
40.102 |
36.281 |
2.460 |
4.993 |
9.037 |
10.725 |
103.598 |
|
2003 |
59.790 |
38.990 |
4.136 |
8.275 |
14.396 |
12.602 |
138.189 |
|
2004 |
52.467 |
27.396 |
3.698 |
7.805 |
10.153 |
9.662 |
111.181 |
|
2005 |
52.335 |
26.335 |
5.424 |
8.507 |
10.848 |
10.433 |
113.882 |
|
2006 |
52.507 |
23.372 |
6.726 |
11.233 |
9.947 |
10.909 |
114.694 |
|
2007 |
54.007 |
24.549 |
7.328 |
10.395 |
8.549 |
11.443 |
116.271 |
|
2008 |
66.526 |
26.045 |
8.645 |
10.641 |
9.346 |
12.741 |
133.944 |
|
2009 |
52.393 |
23.618 |
9.464 |
8.731 |
5.949 |
10.200 |
110.355 |
|
2010 |
60.951 |
24.547 |
12.747 |
8.397 |
6.758 |
10.980 |
124.380 |
|
2011 |
63.262 |
24.929 |
13.630 |
8.698 |
4.937 |
11.112 |
126.568 |
|
2012 |
63.301 |
24.362 |
15.793 |
8.559 |
4.628 |
10.489 |
127.132 |
|
2013 |
59.237 |
23.952 |
16.925 |
5.633 |
6.122 |
10.309 |
122.178 |
|
2014 |
62.252 |
22.678 |
17.136 |
9.039 |
7.742 |
14.186 |
133.033 |
|
2015 |
65.586 |
31.918 |
20.584 |
12.022 |
10.084 |
3.615 |
143.809 |
|
Ano |
Preço FOB (US$/t) |
||||||
|
Holanda |
Estados Unidos |
Espanha |
Reino Unido |
Portugal |
Outros |
Total |
|
|
2000 |
494 |
547 |
496 |
515 |
765 |
637 |
534 |
|
2001 |
520 |
551 |
610 |
493 |
592 |
611 |
544 |
|
2002 |
436 |
512 |
502 |
467 |
582 |
522 |
487 |
|
2003 |
508 |
574 |
522 |
564 |
601 |
603 |
549 |
|
2004 |
591 |
458 |
706 |
616 |
706 |
651 |
579 |
|
2005 |
630 |
556 |
634 |
637 |
823 |
712 |
640 |
|
2006 |
711 |
741 |
716 |
692 |
865 |
934 |
750 |
|
2007 |
741 |
629 |
902 |
737 |
999 |
1.030 |
774 |
|
2008 |
765 |
881 |
1.014 |
952 |
1.249 |
1.106 |
885 |
|
2009 |
761 |
776 |
1.040 |
995 |
1.394 |
1.341 |
895 |
|
2010 |
820 |
762 |
1.106 |
1.413 |
1.565 |
1.284 |
959 |
|
2011 |
981 |
837 |
1.200 |
1.883 |
1.927 |
1.416 |
1.113 |
|
2012 |
969 |
793 |
1.168 |
1.920 |
1.448 |
1.512 |
1.086 |
|
2013 |
1.144 |
881 |
1.255 |
2.331 |
1.516 |
1.441 |
1.206 |
|
2014 |
1.076 |
1.070 |
1.270 |
2.285 |
1.451 |
1.325 |
1.231 |
|
2015 |
998 |
1.061 |
1.132 |
2.326 |
1.287 |
1.892 |
1.185 |
Fonte: FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS - FAO. Banco de dados. Roma: FAO. Disponível em: <http://faostat3.fao.org/home/E/>. Acesso em: 17 mar. 2016; MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - MAPA. Agrostat. Brasília: MAPA. Disponível em: <http://agrostat2.agricultura.gov.br/index.htm>. Acesso em: 17 mar. 2016.
Os packing-houses instalados na região são da mais moderna tecnologia, com esteiras transportadoras de caixas, tanques para limpeza e tratamento térmico das frutas e linhas de classificação com recursos computacionais para seleção das mangas por cor e tamanho padronizados.
Tendo em vista as perspectivas de exportação brasileira de manga, o estudo de Amaro e Vicente (2016)1 detalhou aspectos qualitativos e quantitativos, que também constam do trabalho de Amaro (2003)2, publicado pela Japan Fruit Foundation (não publicado em português), e que serviu de base para a audiência pública no Japão em 2003, com vistas à abertura desse mercado para a fruta originária do Brasil, até então proibida de entrar naquele país.
A partir de 2004, após assinatura de acordo de comércio entre os dois países, foram iniciados os embarques da manga brasileira, seguindo todos os trâmites de exportação, com ênfase nos aspectos fitossanitários específicos impostos pelo governo do Japão, dentre os quais se destacam: obrigatoriedade de tratamento térmico (imersão dos frutos em água quente a 55º C por cinco minutos), ao início do processo de beneficiamento, e controle na embalagem e no transporte até os portos de embarque (Suape, Salvador e Pecem) e ao Aeroporto Internacional de Petrolina.
Cabe, ainda, observar que o governo japonês mantém inspetores técnicos durante o período de exportação para verificar se as medidas fitossanitárias estão sendo devidamente cumpridas na região produtora e em especial nos packing-houses do Polo Petrolina- -Juazeiro.
Em 2013, o Brasil exportou para o Japão 424 toneladas de manga, no valor de US$2,3 milhões, o que representou 5% do volume de importação por esse país, um mercado bastante concentrado em pequeno grupo de países como origem da fruta.
Quanto à potencialidade do mercado externo para a manga brasileira é difícil fazer uma avaliação mais segura e completa, pois espera-se que nos próximos anos a produção deverá se estabilizar ou mesmo apresentar modesto crescimento, principalmente na região do Vale do Rio São Francisco, em especial das variedades mais nobres, em decorrência da relativa escassez de recursos hídricos para irrigação dos pomares, uma vez que nos últimos quatro anos registraram-se chuvas abaixo da média, o que levou à redução do volume de água nos reservatórios.
Um dos pontos quanto à produção irrigada é o gerenciamento da atividade, assim como a capacidade de organização e cooperação, aumentando também na comercialização o poder de barganha dos fruticultores, em sua maioria pequenos produtores.
Em resumo, é, portanto, necessário investir sempre mais em tecnologia, com o objetivo de melhorar a competitividade, uma vez que o Brasil apresenta condições de produção de dezenas de frutas com maior aceitação no mercado mundial como: manga, melão, uva, mamão, abacaxi, goiaba de mesa, figo fresco, abacate, limão e laranja3.
______________________________________________________________________
1AMARO, A.A.; VICENTE, J.R. Manga no Brasil: aspectos econômicos e comerciais no século XXI. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL, 54., 2016, Maceió. Anais eletrônicos... Brasília: SOBER, 2016. p. 1-14. Disponível em: <http://icongresso.itarget.com.br/useradm/anais/?clt=ser.6>. Acesso em: mar. 2017.
2AMARO, A. A. A Manga no Brasil. São Paulo: IEA, 2003. Mimeo.
3Em fevereiro de 2017, a Coreia do Sul anunciou que estão aprovados os requisitos fitossanitários para exportação de manga do Brasil. Em 2016, as compras coreanas de manga somaram mais de US$48 milhões. Disponível em: <https://www.agrolink.com.br/noticias/coreia-do-sul-abre-mercado-para-brasil-exportar-manga_388553.html>. Acesso em: mar. 2017.
Palavras-chave: comércio exterior, mercados internacionais, barreiras não tarifárias, manga.
Como citar
ANTONIO AMBRÓSIO AMARO; JOSÉ ROBERTO VICENTE. Fruticultura e o “Velho Chico“. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2017. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=14263. Acesso em: 22/10/2026.

