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Análises e Indicadores do Agronegócio

Estimativa Preliminar do Valor da Produção Agropecuária Paulista em 2015

José Roberto da Silva, Paulo José Coelho, Denise Viani Caser, Carlos Roberto Ferreira Bueno, Danton Leonel de Camargo Bini, Eder Pinatti, Eduardo Pires Castanho Filho

Publicado em

 

       O cálculo do Valor da Produção Agropecuária (VPA) permite observar o desempenho econômico das principais atividades do setor, constituindo-se em um parâmetro de análise muito útil para tomadas de decisão, tanto por parte dos agentes dos diversos segmentos das cadeias produtivas para auxiliar no planejamento, como também pelo Governo na elaboração e implantação de políticas públicas.

         O valor bruto da produção agropecuária (VBP) de 2015 é estimado, preliminarmente, com base em um conjunto de 53 produtos da agropecuária e da atividade florestal paulista (safra 2014/15).

         Os dados de produção vegetal e animal foram obtidos dos Levantamentos por Municípios de Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, ano agrícola 2014/2015, realizados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo2, 3, 4, 5.

         Os preços dos produtos agropecuários foram obtidos do Banco de Dados do IEA6. O preço dos produtos olerícolas e frutas, exceto os de batata, cebola, mandioca e tomate e os de banana, laranja, limão e tangerina, foram obtidos junto à Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP)7, os quais foram ponderados por variedade para cada espécie e decompostos a partir dos preços de venda do atacado. Os preços dos produtos florestais foram obtidos em O Agronegócio Florestal Paulista em Agosto de 20158 e os de produção por meio de fontes primárias de entidades de classe do setor9.

         Os preços médios recebidos pelos produtores são valores médios correntes de janeiro a dezembro de 2014 (para o cálculo do valor do ano de 2014) e de janeiro a agosto de 2015 (para a prévia de 2015).

A atualização monetária dos valores obtidos para 2015 foi feita com base na inflação anual projetada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)10, em 9,53%.

         Para efeito de abordagem os produtos analisados foram classificados em seis grupos: Produtos para Indústria; Produtos Animais; Frutas Secas; Grãos e Fibras; Olerícolas e Produtos Florestais.

As variações do VPA de 2015 em relação a 2014 foram calculadas com base em índices de preços e de quantidade, elaborados pela forma de Fisher (base 2014 = 100)11 para os grupos de produtos considerados.

         O VPA paulista de 2015, em termos correntes, está preliminarmente estimado em R$61,5 bilhões contra R$55,7 bilhões no ano anterior, portanto 10,4% superior. Contudo, descontando-se a inflação do ano estimada em agosto, em valores reais, o VPA acusa uma redução de 0,2%. O aumento do VPA de oito dos dez primeiros produtos do ranking favoreceu a manutenção do VPA paulista, nos mesmos níveis do referente ao período anterior. O VPA da cana-de-açúcar, responsável por 37,4% do VPA do estado, acusou aumento de 9,1%, o da carne bovina (2º colocado) apresentou elevação de 27,7%, já o da soja, que ocupa a quinta colocação, resultou 37,7% superior e o do milho na sétima posição foi 16,8% superior, ao registrado em 2014  (Tabela 1).

Dos 53 produtos analisados, 19 apresentaram queda no VPA dos quais 12 foram superiores a 10%. Considerando o ranking dos dez produtos de maior VPA, o que apresentou queda mais expressiva foi o leite, cujo valor caiu 16,5% seguido pelo do café beneficiado que foi reduzido em 2,8%.

A soja que ocupava a nona posição em 2014 galgou degraus e está ocupando a quinta posição, o café subiu da décima para a oitava, por outro lado a laranja para indústria e os ovos caíram 1 posição - da quinta para a sexta e da sexta para a sétima posição, respectivamente. Os ovos de galinha subiram 1 posição - da oitava para a sétima posição.

O VPA do grupo de olerícolas apresentou o crescimento expressivo de 39,1%. Apesar de que dos doze produtos selecionados para compor este grupo, apenas três apresentaram queda de produção, sendo que o pimentão participa do valor total da produção com 0,22%, a alface com 0,5% e a batata com 1,74%. Os outros dez produtos apresentaram aumento de produção variando de 1,10% para o tomate para mesa e 28,56% para a batata-doce. O aumento dos preços das olerícolas foi expressivo, principalmente de cebola, cenoura, tomate para mesa e batata. Os preços recebidos pelos produtores paulistas de cebola apresentaram elevação de  81,25%. Os da batata também tiveram elevação acentuada. A maior variação dos preços desses produtos ao longo do ano é explicada pelo fato de apresentarem diversas safras anuais, a batata tem 1ª, 2ª e 3ª safras, diversas tecnologias de produção e diversas origens de abastecimento; já a cebola também pode ser de bulbinho, de plantio direto, de muda, etc. o que propicia maior oscilação no comportamento desses mercados.


O grupo de Grãos e Fibras também apresentou aumento expressivo de VPA, mas por conta dos ganhos de produção, basicamente influenciado pelos VPAs da soja e do milho, produtos com maior participação no grupo e que encontram-se bem colocados no ranking estadual. Merece destaque o comportamento do amendoim cujo VPA aumentou 38,1%, em função de expansão na produção de 36,5%.

O único grupo que apresentou redução do VPA foi o de Frutas Frescas, muito in­fluen­ciada pelos menores preços recebidos da banana (15,67%), que ocupa a 12ª posição no ranking do VPA do estado e também do limão, produto do grupo cujo preço recebido pelo produtor apresentou a maior queda (24,19%), produto que ocupa a 15ª posição.

O aumento de 0,40% no VPA do grupo dos produtos florestais é devido ao acréscimo de 1,0% na produção de madeira, tanto de eucalipto quanto de pinus. O setor de resinas, que contribuiu para a sustentação do nível do VPA de produtos florestais em 2014, em 2015 terá uma redução, visto que as cotações apresentaram-se 9,2% menores do que a verificada no ano anterior.

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1Posteriormente em outro artigo será apresentada a estimativa do valor da produção agropecuária por regiões.

2ANGELO, J. A. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do Estado de São Paulo, ano agrícola 2014/15, novembro de 2014. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 10, n. 1, jan. 2015. Disponível em: </ftpiea/AIA/AIA-08-2015.pdf>. Acesso em: 9 out. 2015.

3______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do Estado de São Paulo, ano agrícola 2014/15, fevereiro de 2015. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 10, n. 4, abr. 2015. Disponível em: </ftpiea/AIA/AIA-25-2015.pdf>. Acesso em: 9 out. 2015.

4______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do Estado de São Paulo, ano agrícola 2014/15, abril de 2015. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 10, n. 6, jun. 2015. Disponível em: </ftpiea/AIA/AIA-45-2015.pdf>. Acesso em: 9 out. 2015.

5______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do Estado de São Paulo, ano agrícola 2014/15, junho de 2015. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 10, n. 8, ago. 2015. Disponível em: </ftpiea/AIA/AIA-57-2015.pdf>. Acesso em: 9 out. 2015.

6INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de dados. São Paulo: IEA. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/bancoiea/subjetiva.aspx?cod_sis=1&idioma=1>. Aces­so em: out. 2015.

7COMPANHIA DE ENTREPOSTOS E ARMAZÉNS GERAIS DE SÃO PAULO - CEAGESP. Banco de dados. São Paulo: CEAGESP. Disponível em: <http://www.ceagesp.gov.br>. Acesso em: ago. 2015.

8CASTANHO FILHO, E. P. et al. O agronegócio florestal paulista em agosto de 2015. Análises e Indicadores do Agronegócio,  São Paulo, v. 10, n. 9, set. 2015. Disponível em: <https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/verTexto. php?codTexto=13786>. Acesso em: 19 out. 2015.

9Associação Brasileira dos Produtores de Celulose e Papel (BRACELPA), Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (ABIPA), Associação dos Resinadores do Brasil (ARESB) e Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira (ABPM).

10INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Banco de dados. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/ipca-inpc_201508_1. shtm>. Acesso em: out. 2015.

11HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1991. 42 p.

Palavras-chave: valor da produção, agropecuária paulista.

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Como citar

JOSÉ ROBERTO DA SILVA; PAULO JOSÉ COELHO; DENISE VIANI CASER; CARLOS ROBERTO FERREIRA BUENO; DANTON LEONEL DE CAMARGO BINI; EDER PINATTI; EDUARDO PIRES CASTANHO FILHO. Estimativa Preliminar do Valor da Produção Agropecuária Paulista em 2015. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2015. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=13806. Acesso em: 22/10/2026.