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Análises e Indicadores do Agronegócio

Valor da Produção Agropecuária do Estado de São Paulo, Resultado Final de 2014

José Roberto da Silva, Paulo José Coelho, Denise Viani Caser, Eder Pinatti, Carlos Roberto Ferreira Bueno, Eduardo Pires Castanho Filho, Danton Leonel de Camargo Bini

Publicado em

         A estimativa do Valor da Produção Agropecuária (VPA) do Estado de São Paulo, em 2014, contabilizou a produção agropecuária e os preços recebidos pelos produtores paulistas de 53 produtos, apurando seus valores, com destaque para os de maior participação na renda bruta total da agropecuária paulista. O VPA permite verificar o incremento do desempenho das atividades agropecuárias no período considerado.

        Os dados da produção vegetal e animal foram obtidos de levantamentos sistemáticos de previsões e estimativas de safra, realizados em todos os municípios do estado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Quanto aos preços dos produtos agropecuários, eles foram obtidos das seguintes fontes:

1) Banco de Dados do IEA1;

2) Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP)2, para os produtos olerícolas (exceto batata, cebola, mandioca para mesa e tomate) e frutas (exceto banana, laranja para mesa, limão e tangerina), ponderando-se por variedade para cada espécie e por decomposição dos preços de venda no atacado3;

3) Os preços dos produtos florestais foram obtidos através da pesquisa Mercados Florestais do IEA4 e os de produção tiveram como fonte primária as entidades de classe do setor5.

         Os preços recebidos pelos produtores são valores médios correntes de janeiro a dezembro de 2013 e 2014. Para a atualização monetária dos valores obtidos em 2014, utilizou-se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)6, que apurou inflação anual de 6,41%. O preço médio recebido pelos produtores de cana-de-açúcar é fornecido pelo Conselho de Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (CONSECANA), que tem como fonte os preços fornecidos pela Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA).

         As variações do VPA de 2014, em relação ao de 2013, foram calculadas com base em índices de preços e de quantidade, elaborados pela fórmula de Fisher (base 2013=100), para os grupos de produtos considerados7 e, conforme suas peculiaridades, classificados em: Produtos para Indústria; Produtos Animais; Frutas Frescas; Grãos e Fibras; Olerícolas e Produtos Florestais.

         A produção agropecuária em São Paulo em 2014 foi afetada com maior ou menor intensidade, dependendo do produto e da época do ano em que ocorreu o seu desenvolvimento, pela falta de chuvas, altas temperaturas e radiação solar, que acarretaram perdas econômicas, por redução de produtividade e também por decisão de agropecuaristas de não plantarem ou de reduzirem áreas e/ou rebanhos, tendo em vista a elevação dos riscos8, 9.

         No ranking do VPA dos 53 produtos analisados, a cana-de-açúcar ocupa a primeira posição com 42,5% do total do estado, seguido pela carne bovina com 12,2%. O ranking do VPA dos dez primeiros produtos da agropecuária paulista representa 83,4% do total, sendo seis de origem vegetal (1º cana-de-açúcar, 4º madeira de eucalipto, 5º laranja para indústria, 7º café beneficiado, 9º soja e 10º milho) e quatro de origem animal (2º carne bovina, 3º carne de frango, 6º leite e 8º ovo de galinha).

Enquanto o VPA da cana-de-açúcar apresentou queda de 5,40%, basicamente em função da redução de 9% no volume produzido, o VPA da carne bovina acusou crescimento de 15,7%, mesmo com redução de 7,0% na produção, a elevação de 24,3% nos seus preços compensou amplamente a queda na produção.

A laranja para indústria é a única fruta que aparece entre os dez produtos de maior VPA do estado. No grupo de Frutas Frescas, o VPA da banana destaca-se no ranking, passando da 13ª posição em 2013 para a 11ª colocação em 2014, apresentando elevação de 25,3% em função de aumento expressivo em seus preços, compensando largamente a redução de 2,5% na produção.

O VPA da banana representou 20,3% do VPA total do grupo de Frutas Frescas em 2014, a soma dos VPAs de outras quatorze frutas frescas consideradas no estudo representa os 79,9% restantes. Dos cinco grupos de produtos, apresentaram melhores desempenhos, em termos de moeda corrente (em real não deflacionado), o de Produtos Animais, Frutas Frescas e Produtos Florestais, porém, em valores reais, somente o de Produtos Animais e o de Frutas Frescas apresentaram crescimento. Os piores resultados foram os do grupo de Olerícolas e o de Grãos e Fibras.

         Dos 53 analisados para compor o VPA paulista, 26 apresentaram redução em 2014, comparativamente ao resultado obtido no ano anterior, sendo que desses, 16 tiveram queda superior a 15%, destacando-se milho e soja que no ranking encontram-se entre os dez de maior participação no VPA. Os dois produtos apresentaram quedas substanciais de produção (22,1% e 16%, respectivamente) em São Paulo, sem porém haver alteração em seus preços, fato que se explica pela grande parte da oferta deles ser originada em outras praças10. No mesmo período, a produção nacional de milho caiu 2%, mesmo assim se constituiu no segundo volume recorde da década, situação semelhante com a da soja cuja produção nacional foi 6% superior a de 2013, atingindo o volume recorde dos últimos dez anos. Importante notar que a participação paulista nas produções de milho e soja tem sido historicamente pequena, e no ano de 2014 foi, respectivamente, de 4,6% e 1,9%.

         O mesmo comportamento ocorreu com outros produtos que a exemplo desses dois apresentaram suas demandas satisfeitas em parte substancial por importações de outros estados, como é o caso do tomate para indústria cuja produção paulista apresentou queda de 25% e os preços recebidos permaneceram inalterados. O mesmo raciocínio serve para os resultados encontrados para cenoura, repolho, tomate para mesa e feijão. O VPA da batata e o do tomate de mesa, que também ocupam posição expressiva, respectivamente 12ª e 13ª posições, também apresentaram grandes quedas, predominantemente em função de menores preços.

A acentuada queda do VPA da mandioca para indústria deve-se quase que integralmente aos menores preços recebidos, uma vez que, no ano anterior, eles apresentaram-
-se em patamares bastante elevados face à redução da produção nordestina nos anos de 2012 e 2013, em função de severa estiagem. Em 2014 a produção de mandioca se recuperou em todas as regiões do país, arrefecendo assim a demanda por produtos paulistas.

O VPA do Estado de São Paulo de 2014, em moeda corrente está estimado em 59,9 bilhões de reais, 0,7% inferior ao resultado do ano anterior (Tabela 1). Porém, quando deflacionado pelo IPCA/IBGE, o VPA de 2014 apresenta queda real de 7,1%. Quando se calcula sem considerar a cana-de-açúcar, o resultado se inverte, e o VPA de 2014 resulta 3,1% superior ao do ano anterior, com queda de 3,6% em valores reais, reflexo da queda de 9% em sua produção, dada a elevada participação dessa cultura no total do VPA paulista.

Considerando os dez primeiros colocados no ranking pelo VPA, o melhor desempenho foi o do café beneficiado, apresentando crescimento de 62,2%, decorrente de elevação de 47% e de 11%, respectivamente, nos preços e no volume produzido com consequente evolução da 10ª posição em 2013 para a 7ª em 2014.

O grupo de Produtos para a Indústria representa 50,55% do VPA paulista. Nesse grupo, destacam-se entre os dez de maior participação no VPA total do estado a cana-de-açúcar, laranja para indústria e café beneficiado. O excelente desempenho do café beneficiado não foi suficiente para impedir que o VPA desse grupo apresentasse queda de 1,2% dada a participação relativa dos produtos; a cana-de-açúcar, com participação de 42,5% no VPA total do estado, teve seu VPA reduzido em 5,4% em 2014. Em contrapartida, o Grupo de Produtos Animais, com participação de 23,55% do VPA do estado, em 2014, cresceu 15,7%.

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1INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de dados. São Paulo: IEA. Disponível em: <http://www.iea.sp. gov.br/out/bancodedados.html>. Acesso em: maio 2015.

2COMPANHIA DE ENTREPOSTOS E ARMAZÉNS GERAIS DE SÃO PAULO - CEAGESP. Banco de dados. São Paulo: CEAGESP. Disponível em: <http://www.ceagesp.gov.br>. Acesso em: 3 mar. 2014.

3A definição dos preços recebidos pela maioria das olerícolas para obtenção do VPA foi obtida a partir da subtração dos custos de comercialização, impostos e taxas dos preços executados no atacado da CEAGESP da capital paulista.

4INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÌCOLA - IEA. Mercados florestais. São Paulo: IEA, 2015. Disponível em: <http:// www.iea.sp.gov.br/out/florestas.php>. Acesso em: 28 maio 2015.

5Associação Brasileira dos Produtores de Celulose e Papel (BRACELPA), Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (ABIPA), Associação dos Resinadores do Brasil (ARESB) e Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira (ABPM).

6INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISITICA - IBGE. Sala de Imprensa. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?idnoticia=2807&view=noticia>. Acesso em: 28 maio 2015.

7HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1991. 42 p.

8BUENO, C. R. F. et al. Anomalia climática e seus efeitos sobre as lavouras paulistas. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 9, n. 2, fev. 2014. Disponível em: <https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=12880>. Acesso em: 28 maio 2015.

9VEGRO, C. L. R. et al. Anomalia climática e seus impactos sobre as culturas temporárias e perenes do Estado de São Paulo. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 9, n. 10, out. 2014. Disponível em: <http://www.iea.sp. gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=13506>. Acesso em: 28 maio 2015.

 10Milho e soja são produtos cujos preços são definidos predominantemente pelas ofertas dos maiores Estados produtores, como Mato Grosso e Paraná.

Palavras-chave: agricultura, pecuária, produção, preços, renda bruta.

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Como citar

JOSÉ ROBERTO DA SILVA; PAULO JOSÉ COELHO; DENISE VIANI CASER; EDER PINATTI; CARLOS ROBERTO FERREIRA BUENO; EDUARDO PIRES CASTANHO FILHO; DANTON LEONEL DE CAMARGO BINI. Valor da Produção Agropecuária do Estado de São Paulo, Resultado Final de 2014. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2015. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=13708. Acesso em: 22/10/2026.