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Análises e Indicadores do Agronegócio

Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, 2° Levantamento, Ano Agrícola 2014/15, e Levantamento Final, Ano Agrícola 2013/14, Novembro de 2014

José Alberto Angelo, Carlos Roberto Ferreira Bueno, Celma da Silva Lago Baptistella, Denise Viani Caser, Felipe Pires de Camargo, Mario Pires de Almeida Olivette, Vagner Azarias Martins

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1 – INTRODUÇÃO

As previsões de área e produção de culturas no Estado de São Paulo referentes à safra agrícola 2014/15 e as estimativas de 2013/14 foram obtidas em levantamento realizado entre os dias 3 a 24 de novembro de 2014, pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) (Tabelas 1 a 8).

2 - ACOMPANHAMENTO DA SAFRA AGRÍCOLA 2014/15

O acompanhamento inicial da safra paulista de grãos 2014/15 - algodão, amendoim e feijão das águas, arroz, milho e soja - indica queda de 2,8% na área cultivada. É esperado, porém, aumento na produção de 19,1% quando comparado com o final da safra 2013/14, que registrou baixa produtividade devido a problemas climáticos (seca e calor). A área total prevista de plantio da atual safra alcança 1,33 milhão de hectares, contra 1,37 milhão de hectares na safra 2013/14 (Tabela 1).


As previsões para o plantio do amendoim das águas, quando comparadas à safra anterior, apontam pequeno aumento na área plantada (1,4%) e incremento de 27,2% da produção. Essa dinâmica se constrói a partir das expectativas de produção frustradas pela seca, das condições de acesso às áreas de renovação de canaviais e da aposta na retomada da produtividade alcançada anteriormente.

A cotonicultura no Estado de São Paulo, conforme o levantamento de novembro de 2014, mantém praticamente a mesma área verificada na pesquisa da intenção de plantio em setembro de 2014. Com área estadual de 7,3 mil hectares, confirma a expectativa de redução em área, frente à safra anterior de 2013/14, que foi de 11,6 mil hectares. Os números da redução de área no Brasil devem ficar em torno de 13%, visto que a China, segundo analistas do setor, reduzirá suas compras, dado que seus estoques estão altos. Com preços internacionais mais baixos e maior incidência de pragas, em especial o bicudo, a cultura sinaliza com a redução de área. Segundo informações dos técnicos das Casas de Agricultura da região de maior área no Estado, como consequência dos problemas climáticos e da incidência de pragas, houve redução no rendimento médio para 218 @/ha. A sinalização do mercado internacional e as difíceis condições de cultivo no Estado parecem justificar a queda acentuada em área (-37,3%), em produção (-46,2%) e em rendimento (-14,2%). Entretanto, esse quadro ainda pode sofrer alterações, pois grandes importadores, como Índia, Paquistão e Turquia, podem elevar suas compras para reposição de estoques, estimulados por preços internacionais menores além da demanda da indústria têxtil nacional. Por outro lado, a concorrência com as fibras sintéticas pesa a favor dos derivados do petróleo, aumentando a competitividade destas frente ao algodão.

Quanto à cultura do arroz (sequeiro várzea e irrigado), os resultados do segundo levantamento para a safra 2014/15 apontam retrações na área de 9,4% e na produção de 3,9%, contabilizando 66,8 mil toneladas, com ganhos esperados de 6,1% na produtividade.

Para o feijão das águas, o levantamento atual aponta retração de 28,5% na área cultivada em 2014/15 com 42,5 mil hectares, devida à conjuntura de preços baixos verificados em meados de 2014, já que houve oferta maior do produto da safra de inverno. A produção paulista prevista é de 96,9 mil toneladas, 14,0% menor em relação à safra 2013/14, com produtividade média esperada de 2.283 kg/ha (20,3% maior), não sendo suficiente para compensar a redução na área plantada.

A previsão da 1ª safra de milho no Estado de São Paulo, apurada em novembro de 2014, indica uma redução de área plantada de 4,5% e um aumento na produção de 11,1% em relação à safra anterior, por conta dos ganhos em 16,4% na produtividade. No seu estudo de acompanhamento da safra brasileira de grãos de janeiro de 2015, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) indica que a redução da área de milho é causada pelas melhores condições mercadológicas da soja. Contudo, esta tendência nacional não é verificada no Estado de São Paulo, pois a área plantada de soja manteve-se estável em relação à safra anterior. Em relação ao milho irrigado, a estimativa preliminar de novembro de 2014 aponta crescimentos tanto em área plantada (4,0%) como em produção (18,6%).

Para a sojicultura estão previstas manutenção da área explorada (+0,2%), comparativamente à safra 2013/14, totalizando 706,9 mil hectares e elevação da produtividade em 32,4%, refletindo expressivamente nos ganhos de produção em 32,6%.

O cultivo da batata das águas da safra paulista 2014/15 nesse levantamento indica diminuições de 4,1% na área plantada, de 8,1% na produção e de 4,2% na produtividade.

A primeira estimativa da safra de café 2015/16 para o Estado de São Paulo indica provável quantidade a ser colhida de 4,06 milhões de sacas beneficiadas, representando redução de 11,6%, frente ao dado final da safra anterior. O resultado apurado foi fortemente influenciado pela queda na estimativa preliminar de produção no principal cinturão cafeeiro da Alta Mogiana de Franca, em que o declínio atingiu 40% do volume colhido em 2013/14. Nesta região, estima-se que a área submetida a podas de condução tenha alcançado 25% dos talhões cultivados que, associadas tanto à irregularidade das precipitações contabilizadas até janeiro de 2015 quanto ao baixo pegamento das flores, constituem-se nas razões para a severa diminuição no montante da safra esperada. Em contrapartida, nos cinturões de São João da Boa Vista, Ourinhos, Espigão de Garça/Marília e Mantiqueira de Bragança Paulista, as previsões apontam para incremento da produção, sem capacidade, porém, de compensar as perdas registradas no cinturão francano.

A provável queda na produção esperada, sem que tenha havido redução na área produtiva (apenas 0,37% menos), é consequente da produtividade média das lavouras que, de 22,5 sc./ha na safra 2013/14, poderá reduzir-se para 20,04 sc./ha (safra 2014/15).

Mesmo entre técnicos experientes na cultura, existe relativa insegurança na elaboração da primeira estimativa de safra – que ocorre em novembro, pois os frutos encontram-se nos estágios iniciais de seu desenvolvimento. Ademais, com a regularização das precipitações a partir de outubro do ano passado, as lavouras rapidamente recuperaram vigoroso enfolhamento, escondendo ainda mais seu potencial produtivo. De qualquer modo, o resultado apurado neste levantamento converge para as opiniões de que dificilmente a safra brasileira 2014/15 será superior à anterior, estando o caso paulista alinhado com essa percepção.

Na bananicultura observaram-se decréscimos de 1,5% na área plantada e de 1,7% na produção, representando quantidade a ser colhida de 1.142,54 mil toneladas.

O levantamento das safras agrícolas do Estado de São Paulo, a ser efetuado em fevereiro de 2015, deverá trazer informações mais precisas sobre produções e produtividades para o ano agrícola 2014/15.

3 - RESULTADOS FINAIS, SAFRA AGRÍCOLA 2013/14

O levantamento de novembro de 2014 finaliza as estimativas da safra 2013/14 para as culturas de: cana-de-açúcar, laranja, cebola (muda e plantio direto), mandioca e tomate (para indústria e para mesa). Seus resultados encontram-se na tabela 2, acrescidas das demais culturas que tiveram suas safras encerradas em levantamentos anteriores.


Nesta safra, a cebola de muda superou, em termos de área, a de plantio direto, que geralmente constitui a maior parcela de área cultivada com cebola no estado. Destacaram-se as elevações da área plantada, respectivamente, em 2,7 mil hectares e 2,4 mil hectares (18,5% e 2,4% menores em relação à safra passada). A produção foi de 85,7 mil toneladas (-9,4%) e 99,1 mil toneladas (-0,6%), com incremento da produtividade de 11,3% e 1,9%, respectivamente.

O levantamento final para a cultura da mandioca para indústria apontou acréscimo de 5,5% na área plantada, com decréscimo de 3,4% na produtividade. Consequentemente, a produção estimada em 969,4 mil toneladas é praticamente a mesma obtida na safra anterior (0,2% maior). A safra de mandioca para mesa indica que o volume de 211,2 mil toneladas produzidas é 3,9% superior ao estimado em 2012/13, mesmo verificando queda 4,4% da área cultivada e de 2,0% na produtividade.

O tomate de mesa teve retração de área de 5,1% (8.160 hectares), com produção de 589,5 mil toneladas (7,1% menor) e retração da produtividade em 2,1%. A área cultivada com tomate rasteiro foi 25,8% menor, provocando a diminuição de 25,5% da produção em relação à safra passada, visto que a produtividade foi pouco alterada (0,4%).

Para a cultura da cana-de-açúcar, os resultados finais em termos estaduais apontam diminuições na área plantada (1,5%), sendo que a maior parcela cabe à área nova (12,8%), visto que a área em produção pouco se alterou (-0,13%), e na produção (9,7%), com volume de 401,2 milhões de toneladas, principalmente pela queda da produtividade que foi de 9,6%, em relação à safra passada. Como foi destacado durante o acompanhamento desta safra, este quadro é decorrente da conjunção de dois fatores: o primeiro refere-se à política econômica de administração dos preços da gasolina, que inviabilizou a competitividade do etanol, causando desestímulo e, por conseguinte, a crise do setor; o segundo é devido aos baixos índices pluviométricos registrados durante a safra, afetando a produtividade. Este último quadro implicou em diferentes comportamentos na queda da produtividade nas regiões produtoras (Figura 1).

Ressalte-se que os EDRs localizados no leste do Estado (Registro, Bragança, Pindamonhangaba e São Paulo), que apresentam percentuais elevados na queda da produtividade em relação à safra passada, são regiões com participações pouco representativas no total da área plantada em São Paulo; a produção nesses EDRs tem como finalidade obtenção de produtos como a cachaça e outros derivados. Apenas duas regiões apresentaram ganhos no rendimento: Jaú (0,97%) e mais expressivamente Presidente Prudente com 24,8%, resultado que pode ser justificado pelo rendimento da safra 2012/13 que foi abaixo da média, 62,8 t/ha. Já para a safra que se encerra, foi registrada 78,2 t/ha, ou seja, patamar mais próximo à realidade. Nas regiões tradicionais na exploração da cana-

-de-açúcar para a produção de açúcar e álcool, somente nos EDRs de Orlândia e Ribeirão Preto as perdas de rendimento não foram muito significativas, quando comparadas com as demais localizadas ao norte e central do estado.

A estimativa final da safra paulista de laranja para 2013/14 aponta para um volume total produzido de 290,69 milhões de caixas de 40,8 kg (11.860 mil toneladas), ou seja, 1,5% acima do obtido na safra passada, que foi de 286,3 milhões de caixas de 40,8 kg (equivalente a 11.683 mil toneladas), em vista da boa florada no final de 2013. Esses números incluem tanto as frutas comerciais como os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente e as perdas relativas ao processo produtivo e às de colheita. Estima-se uma produtividade agrícola de 26.350 kg/ha, superior àquela obtida na estimativa final da safra em 4,7% (equivalente a 1,76 cx./pé ou 645 cx./ha).

Estima-se também que, do volume total de caixas produzidas nesta safra, 81,5% terá como destino o processamento industrial, ou seja, 236,96 milhões de caixas de 40,8 kg, e 18,5% (53,73 milhões de caixas de 40,8kg) dos frutos serão consumidos in natura.

Quanto à área total plantada (que inclui área com plantas ainda não produtivas), o levantamento estima redução na área plantada, comparativamente à safra 2012/13, ratificando os números apresentados nas previsões anteriores da safra 2013/14. Na atual safra continua o decréscimo das plantas em produção, levando à dedução de maior erradicação, por conta da eliminação de pomares comprometidos com a incidência do greening, o que vem confirmar informações anteriores já registradas. Com isso, a área total plantada apresenta-se 4,5% menor que a de 2012/13, atingindo a marca de 481,1 mil hectares para a safra 2013/14.

A seca ocorrida em 2014, atrelada a chuvas mesmo que descontínuas nas regiões produtoras de cítrus, favoreceu a florada para a próxima safra citrícola, por conta do stress da planta. Entretanto, poderá vir a prejudicar a colheita da próxima safra por demandar maior quantidade de mão de obra, por se tratar de uma florada desuniforme e maturação desigual dos pomares.

Por outro lado, a safra 2013/14 de laranja foi favorecida pela maior concentração de sólidos solúveis (maior ratio) e maior produção de NFC, isto é, foram necessárias menos caixas para produzir 1 tonelada de suco NFC.

Para a elaboração dos números índices (Laspeyres) que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2013/14 em comparação ao período anterior, foram selecionadas as lavouras mais importantes em valor da produção. Os resultados agregados indicam queda de 8,61% do volume produzido, em consequência da retração de 8,94% na produtividade da terra, uma vez que a área cultivada teve leve redução de 0,76%. De um modo geral, os problemas climáticos ocorrido no período da safra 2013/14, contribuíram para esses números negativos na agricultura paulista (Tabela 3)2, 3.

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1Os autores agradecem aos técnicos das Casas de Agricultura e diretores dos EDRs no desempenho no levantamento. Também agradecem os comentários dos colegas pesquisadores do IEA, e a colaboração dos técnicos de apoio Getúlio Benjamin da Silva e Talita Tavares Ferreira, do CPDIEA, Irene Francisca Lucatto, do Departamento Administrativo, e a equipe do Núcleo de Informática do IEA.

2BUENO, C. R. F. et al. Anomalia climática e seus efeitos sobre as lavouras paulistas. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 9, n. 2, fev. 2014.

3VEGRO, C. L. R. et al. Anomalia climática e seus impactos sobre as culturas temporárias e perenes do Estado de São Paulo. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 9, n. 10, out. 2014.

Palavras-chave: estimativas de safras, novembro, Estado de São Paulo.

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Como citar

JOSÉ ALBERTO ANGELO; CARLOS ROBERTO FERREIRA BUENO; CELMA DA SILVA LAGO BAPTISTELLA; DENISE VIANI CASER; FELIPE PIRES DE CAMARGO; MARIO PIRES DE ALMEIDA OLIVETTE; VAGNER AZARIAS MARTINS. Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, 2° Levantamento, Ano Agrícola 2014/15, e Levantamento Final, Ano Agrícola 2013/14, Novembro de 2014. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2015. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=13588. Acesso em: 22/10/2026.