Análises e Indicadores do Agronegócio
Previsão e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2011/12, Junho de 2012
Denise Viani Caser, Ana Maria Montragio Pires de Camargo, Carlos Roberto Ferreira Bueno, Felipe Pires de Camargo, José Alberto Angelo, Mario Pires de Almeida Olivette, Vera Lucia Ferraz dos Santos Francisco
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Os
resultados finais, para a grande parte das lavouras de maior expressão econômica
no Estado de São Paulo, foram obtidos no levantamento, pelo método
subjetivo2, realizado nos municípios paulistas, no período de 1 a 25
de junho de 2012, pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria
de Assistência Técnica Integral (CATI) (Tabela 1).
Com
base nos resultados, a colheita de grãos nesta safra deve somar 7,04 milhões de
toneladas, o que representa acréscimo de 10% em relação ao ano agrícola
anterior. Essa variação no agregado se deve aos ganhos de produtividade, às
condições climáticas que não chegaram a comprometer a produção, à tecnologia
aplicada no campo e a um pequeno aumento de 2,5% de área plantada.
Para
a elaboração dos índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano
agrícola 2011/12 em comparação ao de 2010/11, foram selecionadas as atividades
agrícolas mais significativas em valor da produção. Os resultados agregados
indicam crescimento na produtividade da terra de 2,58%, resultando em 2,83% a
mais no volume a ser produzido e em área plantada de 1,41% superior à safra
passada. Tal fato reforça que a agricultura paulista avança graças à
produtividade da terra, pois tem garantido safras cada vez maiores, sem contudo
expandir demais a área plantada.
O
conjunto das culturas anuais apresenta acréscimo na produção (7,61%) e na
produtividade da terra (4,85%), e crescimento mais modesto da área plantada
(2,63%). Para os grãos, o comportamento é similar. Aumentos são esperados para
produção (8,24%), para produtividade (5,58%) e para área plantada (2,52%), por
conta especialmente da cultura do milho safrinha e do amendoim das águas, com
menor participação.
Quando são consideradas as culturas perenes e semiperenes, observam-se aumentos
menos acentuados que as culturas anuais, registrando 2,08% para a produção,
2,52% para a produtividade da terra e 1,10% para a área plantada (Tabela
2).
Para
a cultura do algodão, o levantamento final confirmou a tendência de aumento na
área (7,8%), justificado pelos bons preços praticados na safra passada, e
crescimento na produção (18,1%) devido à da melhora no rendimento (9,6%). As
regiões de Avaré e Itapeva, juntas, representam 70% da área cultivada no Estado.
Por conta da boa oferta mundial e retração da demanda no mercado externo, os
grandes estados produtores reagiram ao comportamento da commodity no
mercado internacional e praticamente mantiveram a área de algodão no
país.
Mantendo a tendência observada nos últimos anos, que aponta para a concentração
da produção paulista de amendoim na safra das águas, este produto ocupou uma
área de 79 mil hectares, 23% superior ao ano safra anterior com um rendimento
superior em 9,5%, em comparação a 2010/11. A safra da seca de amendoim registra
redução na área plantada (11,6%) e na produção (1,8%), apesar do aumento de
11,1% no rendimento nesta safra, o que pode ser em decorrência do melhor trato
cultural dedicado à exploração. Vale lembrar que a cultura do amendoim para o
Estado de São Paulo representa uma importante atividade cujo objetivo principal
é o de atuar como adubação verde, pois fixa nitrogênio quando intercalada na
produção de cana-de-açúcar. Graças a esta característica, São Paulo é o maior
produtor nacional com o melhor rendimento da cultura no país.
Para
o arroz (de sequeiro e irrigado), registrou-se redução na área cultivada (6,3%)
e na produção (1,4%); na produtividade, porém, dado a participação do arroz
irrigado, obteve um crescimento de 5,2%. As causas de menor cultivo são
atribuídas a preços pouco atrativos, custos de produção mais elevados, problemas
de comercialização e concorrência com os estados da região Sul (maior
produtora); esses fatores pesaram na decisão dos produtores paulistas na hora do
plantio. Na região do Vale do Paraíba, concentra-se mais de 84% da produção
paulista.
A
área ocupada com feijão, safra da seca em 2011/12, foi 25,5% menor que a
estimada no ano agrícola anterior, por decorrência da incidência de fatores
climáticos, além da oscilação de preços que neste período levaram os produtores
a deixar de plantar. Da mesma maneira ocorreu retração na produção e na
produtividade, de 31,7% e 8,4%, respectivamente.
Com a
maior área dentre as três safras, o feijão das águas foi plantado em 67,4 mil
hectares, mas inferior à safra passada em 6,2%, a produção registrou queda de
11,6% e o rendimento de 5,8%.
O
volume a ser produzido de feijão, safra de inverno (cultura de sequeiro e
irrigado), estima-se ser menor (2,9%) que o obtido em 2010/11, numa área de 29,2
mil hectares, 5,2% menor que a da safra passada, pois sofreu os mesmos fatores
desestimulantes que o feijão da seca.
O
milho de sequeiro e irrigado no Estado vive um período de readequação dos
estoques para o consumo de rações animais, para a exportação e o consumo
alimentar interno do produto e seus derivados. Por ordem dessa interação de
fatores, pode-se justificar os crescimentos na área plantada (3,3%) e na
produção (3,7%) em relação à safra passada. A produtividade do milho ficou
praticamente estável com aumento de 0,3%. Segundo produto do Estado nesta safra
em área e quarto em produção, o milho de sequeiro e irrigado teve condições
razoáveis de preço e clima para manter mesmo que discreto o crescimento em área
e produção. Com um mercado cativo (cadeia de produção animal), o crescimento da
demanda por proteínas animais assegura a esta exploração sua posição como
produto tradicional no calendário agrícola do Estado de São Paulo.
Para
a safra de inverno do milho safrinha, este levantamento registra aumento de 4,9%
na área plantada. O melhor nível tecnológico do plantio de inverno, em razão do
uso dos insumos de produção, associada a menor produção na safra passada que foi
comprometida por geadas, justificam os ganhos de 55,3% na produtividade e de
62,9% no volume a ser produzido nesta safra.
Os
números finais da soja indicaram aumento em área plantada de 5,0% e praticamente
repetiu a produção da safra passada de 1,5 milhão de toneladas. O rendimento
obtido decresceu em 5,1%, por conta dos efeitos climáticos, que atingiram a
lavoura no período de semeadura, no desenvolvimento vegetativo e na
floração.
Para
a soja safrinha, as tendências captadas neste levantamento são de elevações de
8,0% na área, e de 8,6% na produção, e o rendimento esperado é 0,5% positivo na
produtividade da terra, em comparação à safra passada,
A
safra 2011/12 para tomate envarado, destinado ao consumo in natura,
retrata uma área cultivada de aproximadamente 8,1 mil hectares e produção
esperada de 558,5 mil toneladas, representando quedas de 4,6% e de 5,0%,
respectivamente, em relação à safra 2010/11. Para a produtividade, espera-se
diminuição de 0,5%, chegando em cerca de 68,6 t/ha.
No
caso do tomate rasteiro (indústria), a previsão de produção da safra em São
Paulo é de 319,8 mil toneladas, 15,7% maior que em 2010/11, resultado
principalmente da expansão de área (10,7%), em vista do aumento da demanda por
molho de tomate industrializado. Os ganhos de produtividade são da ordem de
4,4%.
Na
cultura do trigo, o quarto levantamento aponta acentuada redução de área (30,7%)
em relação à safra passada, e da mesma forma também é prevista redução de 15,5%
na produção, totalizando 110,9 mil toneladas. Porém, a produtividade indica
ganhos de 21,9%, até o momento do levantamento. Pela concorrência com as
culturas do milho e da soja com preços mais remunerados, e pelo fato de que o
Estado é tradicional importador, a redução dessa atividade já era
esperada.
Os
resultados para a cultura do triticale indicam decréscimos inferiores ao do
trigo, porém significativos em área (13,3%) e em produção (4,2%), apesar do
crescimento na produtividade agrícola (10,5%) comparativamente à safra passada,
insuficiente para compensar a menor área plantada.
Para
a batata da seca, os números finais da safra 2011/12 são de maior produção
(29,1%) em relação a safra anterior, decorrentes do aumento da área cultivada
(24,6%) e do rendimento (3,6%).
A
previsão para a área cultivada com batata de inverno, nesta safra, será de 11,7
mil hectares, cerca de 4,8% menor que em 2010/11, porém com ganho de produção
(18,7%) por conta da maior produtividade (24,7%). O aumento na produtividade
confirma as expectativas de mercado que previam o bom desempenho da safra de
batata de inverno no Estado de São Paulo. A produção de inverno é a maior no
Estado de São Paulo para este produto que, junto com a de Minas Gerais, abastece
o mercado brasileiro de agosto a outubro. A cultura tem se firmado porque, após
sua colheita, recebe o cultivo de milho que é realizado com pouca adubação e
irrigação, devido às condições de solo e de clima.
A
cebola de bulbinho é cultivada tradicionalmente nos municípios de Divinolândia e
Piedade, e a área plantada no Estado está em cerca de 0,93 mil hectares, 1,3%
inferior à cultivada na safra passada. A produção obtida foi 7,1% maior, por
conta de uma produtividade 8,6% acima. A safra é colhida entre maio e junho e se
beneficia dos preços da entressafra.
A
produção de cebola de muda (colhida de agosto a dezembro) poderá ser de 102,4
mil toneladas, 16,2% inferior a do ano agrícola anterior, por conta da redução
de área (19,8%), embora seja esperado crescimento de 4,5% na produtividade. Os
baixos preços registrados no final de 2011 e a entrada do produto de outros
estados do país, além da cebola argentina, vem desestimulando os produtores
paulistas, e esta somatória de fatores pode justificar a diminuição do
cultivo.
A
área plantada com mandioca destinada à indústria, em 2011/12, apresenta redução
de 9,6% e o volume a ser produzido pode chegar a 1.008,8 mil toneladas, 4,5%
inferior à produção de 2010/11, já que a produtividade deverá apresentar-se
negativa em 2,9%. Para a mandioca de mesa, são esperados um pequeno aumento de
área (1,8%) e uma melhor resposta em produção (9,8%) graças ao rendimento
agrícola positivo de 7,3%.
Neste
levantamento há indicação de pequeno aumento na área da banana (1,3%),
acompanhada de pequena redução na produção (2,6%), devendo chegar a 1,2 milhão
de toneladas da fruta, e com isso, é esperado menor rendimento por hectare
(3,2%). Ressalta-se que o levantamento contempla as diversas variedades da
cultura, principalmente as variedades prata e nanica.
A
produção paulista de café poderá alcançar 5,24 milhões de sacas beneficiadas,
33,8% maior que a obtida na safra agrícola 2010/11, resultante de 33,6% a mais
na produtividade, principalmente por conta da bienalidade da lavoura e da
ocorrência de chuvas observadas a partir do último trimestre de 2011 e primeiro
de 2012, associado ao condizente pacote agronômico utilizado no manejo dos
cafezais por parte dos cafeicultores, que propiciou excelente recuperação
vegetativa das plantas. A área plantada é de 223,5 mil hectares, praticamente a
mesma que a passada.
Para
cana-de-açúcar, a previsão do volume a ser produzido é de 416,3 milhões de
toneladas, que representa crescimento de 2,5% em relação à safra anterior com a
produtividade esperada de 78,8 t/ha, aumento de 2,3%. Em relação à área total
cultivada, a expansão da cultura deve crescer 1,7%, enquanto para a área para
corte o aumento previsto é de apenas 0,2%. Apesar dos números atuais serem
positivos na comparação com a safra 2010/11, o ritmo de crescimento é menor
quando comparados as safras dos anos de 2001 a 2010.
No
levantamento realizado no mês de junho, foram incluídas questões sobre o domínio
da produção – 'fornecedor' (inclui arrendatário), 'usina e outros' (inclui a
cana-de-açúcar originária de, geralmente, pequenos produtores que destinam sua
produção para garapa, destilarias de aguardente e similares, normalmente).
Embora haja falta de cobertura, alguns resultados podem ser auferidos: a) tanto
a área quanto a produção proveniente dos 'fornecedores' representam cerca de 30%
do total estadual; b) já as 'usinas' e 'outros' são 65% e 5%, respectivamente; e
c) a produtividade agrícola média declarada, tanto dos 'fornecedores' quanto das
'usinas' é muito variável. A produtividade agrícola média estadual de
'fornecedores' foi de 77 t/ha, variando de 46 a 140 t/ha. Para as 'usinas', a
produtividade agrícola média estadual foi de 79 t/ha, sendo declarada de 40 a
120 t/ha.
A
safra paulista de laranja (realizada pelo método subjetivo), para a safra
agrícola 2011/12 (safra industrial 2012/13), está estimada em 363,1 milhões de
caixas de 40,8 kg, volume 5,6% inferior ao obtido na safra anterior,
principalmente por conta de fatores climáticos, como a baixa precipitação na
época do pegamento, o que reduziu a quantidade de frutos por planta da primeira
florada. Outro motivo bastante significativo é a maior incidência de doenças que
vêm acometendo os pomares, como a pinta-preta, o cancro cítrico e o
greening, provocados tanto pelos fatores climáticos ocorridos no início
de 2012 - que contribuíram para uma maior incidência desses agentes
fitopatogêncios -, como pela falta de investimento nos tratos culturais. Este
volume inclui tanto as frutas comerciais como os frutos provenientes de pomares
não expressivos economicamente, e as perdas relativas ao processo produtivo e à
colheita. A área total plantada está sendo prevista em 557,73 mil hectares (2,1%
inferior que a plantada na safra passada), sendo 495,78 mil hectares de pomares
em produção. A expectativa dos citricultores para essa safra quanto à
produtividade média por hectare é semelhante ao ano safra anterior, que foi de
732 caixas de 40,8kg por hectare (Tabelas 1, 3 e 4).
As
informações deste levantamento também estão disponibilizadas por Região
Administrativa (Tabela 5).
O
próximo levantamento, a ser efetuado em setembro de 2012, deverá trazer
informações mais precisas sobre produções e produtividades das culturas, ainda
em desenvolvimento nesta safra. Também trará as primeiras informações de
intenção de plantio das culturas da safra de verão para 2012/13 e os resultados
finais de 2011/12 dos produtos agrícolas de inverno e das culturas
perenes.
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¹Os autores agradecem os
comentários dos colegas pesquisadores do IEA. Também agradecem aos técnicos das
Casas de Agricultura o desempenho no levantamento.
²Entende-se por levantamento subjetivo a informação dada pelo técnico da Casa de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta do dado de forma declaratória, fornecida pelo responsável da unidade de produção.
Palavras-chave: previsão de safra, 5º levantamento, Estado de São Paulo.
Como citar
DENISE VIANI CASER; ANA MARIA MONTRAGIO PIRES DE CAMARGO; CARLOS ROBERTO FERREIRA BUENO; FELIPE PIRES DE CAMARGO; JOSÉ ALBERTO ANGELO; MARIO PIRES DE ALMEIDA OLIVETTE; VERA LUCIA FERRAZ DOS SANTOS FRANCISCO. Previsão e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2011/12, Junho de 2012. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2012. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=12432. Acesso em: 22/10/2026.

