Análises e Indicadores do Agronegócio
Valor da Produção Agropecuária e Florestal do Estado de São Paulo em 2011
Alfredo Tsunechiro, Paulo José Coelho, Denise Viani Caser, Carlos Roberto Ferreira Bueno, Eder Pinatti, Eduardo Pires Castanho Filho, Danton Leonel de Camargo Bini
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Apresenta-se o cálculo final do valor da produção agropecuária e florestal do Estado de São Paulo em 2011 (ano agrícola ou safra 2010/11)1. Neste artigo, são analisados os valores totais dos 54 produtos agropecuários e florestais, com destaque para os produtos de maior participação na renda bruta total da agropecuária paulista. A análise do valor da produção das regiões do Estado será apresentada em artigo separado.
As informações finais da safra agrícola 2010/11 sobre produção vegetal e animal foram obtidas dos Levantamentos por Município de Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, ano agrícola 2010/11, realizados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.2, 3, 4, 5, 6, 7
No mesmo sentido, as informações sobre preços dos produtos agropecuários foram obtidas de duas fontes: Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo8, para produtos olerícolas (exceto batata, cebola, mandioca e tomate) e frutas (exceto banana, laranja, limão e tangerina), ponderando-se por variedade para cada espécie e por decomposição dos preços de venda no atacado; e Banco de Dados do IEA9 para os demais produtos. Os dados de preço de produtos florestais foram obtidos no Banco de Dados do IEA10 e os de produção tiveram como fontes primárias as entidades de classe do setor11.
Os preços médios recebidos pelos produtores representam valores médios correntes de janeiro a dezembro de 2010 (para o cálculo do valor do ano de 2010) e de 2011 (para a estimativa de 2011). Para a atualização monetária dos valores obtidos para 2010, considerou-se inflação média, dos últimos 12 meses, de 6,6% em 2011, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)12.
No caso específico da cana-de-açúcar, o preço médio recebido pelos produtores foi calculado com base no preço médio do período de abril a dezembro de 2011, pago pelas usinas produtoras de açúcar e de álcool do Estado de São Paulo, de acordo com o Conselho de Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (CONSECANA-SP), que tem como fonte de dados os preços coletados pela Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA).
Foram elaborados índices de preços e de quantidade (produção) pela fórmula de Fisher (base: 2010 = 100), conforme Hoffmann13, visando captar as fontes de variação do valor da produção em 2011, em relação a 2010, conforme os grupos de produtos considerados.
As safras dos produtos agropecuários no Estado de São Paulo em 2010/11 foram, em geral, parcialmente beneficiadas por condições climáticas irregulares nas principais regiões produtoras, com o segmento de grãos apresentando estabilidade de área e aumentos de produção e de produtividade agrícola14. Os mercados dos grãos prosseguiram em condições muito favoráveis para os produtores, com elevação acentuada de preços da maioria dos produtos. A produção de cana-de-açúcar decresceu em razão da ocorrência de estiagem. No caso do café, há um decréscimo, com a safra na fase de bienalidade negativa, revertendo a situação da safra anterior15.
O valor da produção agropecuária e florestal (VPAF) do Estado de São Paulo em 2011 foi estimado em R$59,6 bilhões, o que corresponde a um aumento, em moeda corrente, de 13,6% quando comparado ao anterior. O valor da produção agropecuária (VPA), excluídos os produtos florestais, somou R$54,9 bilhões em 2011, correspondendo a um incremento de 15,1% em comparação com 2010 (Tabela 1). Deflacionando-se pelo IPCA, do IBGE, o VPAF de 2011 corresponde a uma elevação real de 6,5%, em relação a 2010, e o VPA a um crescimento de 8,0%.
Dos 54 produtos componentes do quadro do VPAF, 40 apresentaram aumento do preço médio e 14 sofreram queda em 2011, em relação ao ano precedente. No tocante à produção, ocorreu aumento de 23 produtos e queda de 31. Verificou-se crescimento do valor da produção de 38 produtos e diminuição de 16.
As principais fontes de variação do VPAF em 2011 foram os aumentos dos preços dos produtos, cujo índice geral cresce 15,6%, enquanto a produção agropecuária e florestal decresce 1,7%. Os maiores aumentos foram dos grãos e fibras, com acréscimo de 25,4%, graças à elevação dos preços (23,9%), enquanto a produção aumenta apenas 1,2%. O segundo grupo em desempenho foi o das olerícolas, que apresenta crescimento de 16,1% do valor, com contribuição dos aumentos de preços (7,4%) e de produção (8,2%). O único grupo com queda de valor da produção é o dos florestais, que decresceu 2,3% em 2011 em relação ao ano anterior (Tabela 1).
Dentre os produtos líderes no ranking do VPAF de 2011, os seis primeiros (cana--de-açúcar, carne bovina, madeira de eucalipto, laranja para indústria, carne de frango e café), que perfazem 75,3% do valor total, mantiveram suas posições se comparado ao anterior. O milho supera o ovo no ranking, passando à sétima posição, graças ao aumento expressivo dos preços (47,7%).
Os produtos que mais subiram no ranking 2011 são: algodão (17 posições), mandioca para mesa (8 posições), tomate para mesa (7 posições), borracha (6 posições) e manga (5 posições). Por outro lado, alguns desceram na lista de posições, como limão (6 posições), batata (6 posições) e tomate para indústria (8 posições).
Os produtos que apresentaram as maiores altas de valor, em termos relativos, foram: algodão em caroço (227,9%), tomate para mesa (78,7%), manga (96,6%), goiaba para mesa (59,6%), beterraba (48,5%), mandioca para mesa (48,1%) e borracha (43,0%). Em contraponto, as maiores baixas foram: batata (32,1%), limão (30,0%), tomate para indústria (29,9%), cebola (25,4%), repolho (21,4%) e madeira de pínus (20,7%).
O valor da produção da cana-de-açúcar, principal produto da agropecuária paulista, cresceu 15,3% em 2011 e, como em 2009 e 2010, foi resultado do aumento do preço (21,9%), porquanto a produção decresceu 5,5% devido à estiagem, que afetou a produtividade da cultura no Estado de São Paulo. A participação da cana-de-açúcar no valor da produção agropecuária e florestal total do Estado se manteve praticamente no mesmo nível de 2010 (44%).
Dada a expressiva participação da cana-de-açúcar no VPAF estadual, para calcular a renda bruta setorial torna-se interessante analisar o desempenho geral da agropecuária do Estado de São Paulo, sem esse produto. Nesse sentido, estima-se o valor da produção da agropecuária e da silvicultura paulista em 2011 em R$33,2 bilhões, o que corresponde a aumento de 12,2% em relação ao valor de 2010. Descontada a inflação, o crescimento é de 5,3%.
O valor da produção florestal diminui 2,3%, perdendo da inflação, em função da relativa estagnação da demanda da maioria dos setores industriais que consomem madeira, como celulose, chapas, cerâmica, couros, carnes, alimentos e construção civil, que haviam se retraído em função da crise de 2008/09 e retomado as produções em 2010. No entanto, o setor de resina de pínus contribuiu decisivamente para que a queda do valor da produção florestal não fosse maior do que o apresentado, visto que os preços aumentaram 39,4% com produção estabilizada nos níveis de 2010. Mesmo com esse desempenho discreto, o valor da produção florestal do Estado de São Paulo permanece em terceiro lugar no ranking dos grupos de produtos da agropecuária paulista.
Tabela 1 - Preço Médio, Produção e Valor Total da Produção Agropecuária e Florestal, Estado de São Paulo, 2010 e 2011
1Preço médio corrente, de janeiro a dezembro para 2010 e 2011.
Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 1 - Preço Médio, Produção e Valor Total da Produção Agropecuária e Florestal, Estado de São Paulo, 2010 e 2011 
1Calculado com preços médios correntes dos produtos, de janeiro a dezembro para 2010 e 2011.
Fonte: Dados da pesquisa.
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1Uma estimativa preliminar do valor da produção de 2011 foi publicada em TSUNECHIRO, A. et al. Valor da produção agropecuária e florestal do Estado de São Paulo em 2011: estimativa preliminar. Informações Econômicas, São Paulo, v. 41, n. 9, p. 59-70, set. 2011.
2CASER, D. V. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, ano agrícola 2010/11, 3° levantamento, fevereiro de 2011. ______, São Paulo, v. 41, n. 4, p. 73-88, abr 2011.
3______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, ano agrícola 2010/11, 4° levantamento, abril de 2011. ______, São Paulo, v. 41, n. 6, p. 84-107, jun. 2011.
4______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, ano agrícola 2010/11, 5° levantamento, junho de 2011. ______, São Paulo, v. 41, n. 8, p. 59-78, ago. 2011.
5______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, ano agrícola 2011/12, intenção de plantio, e levantamento final, ano agrícola 2010/11, setembro de 2011. ______, São Paulo, v. 41, n. 10, p. 52-70, out. 2011.
6______. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, ano agrícola 2011/12, 2º levantamento, e levantamento final, ano agrícola 2010/11, novembro de 2011. ______, São Paulo, v. 41, n. 12, p. 50-71, dez. 2011.
7INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Área e produção dos principais produtos da agropecuária. São Paulo: IEA, 2012. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/bancoiea/subjetiva.aspx?cod_sis=1&idioma
=1>. Acesso em: 23 mar. 2012.
8COMPANHIA DE ENTREPOSTOS E ARMAZÉNS GERAIS DE SÃO PAULO - CEAGESP. Cotações. São Paulo: CEAGESP, 2012. Disponível em: <http://www.ceagesp.gov.brResumo/cotacoes/>. Acesso em: 30 mar. 2012.
9INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA- IEA. Preços médios mensais recebidos pelos agricultores. São Paulo: IEA, 2012. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/Precos_Medios.aspx?cod_sis=2>. Acesso em: 23 mar. 2012.
10______. Mercados florestais. São Paulo: IEA, 2012. Disponível em: <https://iea.agricultura.sp.gov.br/out
/floresta/mercadoflorestais.php>. Acesso em: 30 mar. 2012.
11Associação Brasileira dos Produtores de Celulose e Papel (BRACELPA), Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (ABIPA), Associação dos Resinadores do Brasil (ARESB) e Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira (ABPM).
12INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Indicadores IBGE: Sistema Nacional de Preços ao Consumidor. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/
indicadores/precos/inpc_ipca/ipca-inpc_201203caderno.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2012.
13HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 2. ed. rev. ampl. São Paulo: Pioneira, 1991. 426p. (Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais: Economia).
14Op. cit. notas 2, 3, 4, 5, 6.
15Id. nota 14.
Palavras-chave: produção, preços, produtos florestais, renda bruta.
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Como citar
ALFREDO TSUNECHIRO; PAULO JOSÉ COELHO; DENISE VIANI CASER; CARLOS ROBERTO FERREIRA BUENO; EDER PINATTI; EDUARDO PIRES CASTANHO FILHO; DANTON LEONEL DE CAMARGO BINI. Valor da Produção Agropecuária e Florestal do Estado de São Paulo em 2011. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2012. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=12349. Acesso em: 22/10/2026.

