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Análises e Indicadores do Agronegócio

Indicadores socioagronômicos da cafeicultura paranaense

Paulo Sérgio Franzini, Carlos Hugo Winckler Godinho, Celso Luís Rodrigues Vegro, José Alberto Angelo, Vera Lucia Ferraz dos Santos Francisco, Valéria Maria Rodrigues Fechine

Publicado em

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            Entre setembro e outubro de 2011, no Estado do Paraná, foram conduzidos os trabalhos de levantamento da estimativa de safra de café arábica 2011/122. Os estabelecimentos amostrados representam a totalidade da cafeicultura paranaense, estruturada em 16.658 cafeicultores ativos. A produção de café arábica foi estimada em 1.731.045 sacas de 60 kg de café beneficiado3.

Os resultados apurados permitiram constatar que 68% dos cafeicultores são produtores especializados nesta atividade, ou seja, cuja atividade principal concentra-se na cafeicultura. Entretanto, esse grupo responde por aproximadamente 90% e 88% da produção e da área cultivada do Estado, respectivamente (Figura 1).

Figura 1 – Grau de especialização do cafeicultor por atividade principal, área, número de pés e produção, 2011/12, Estado do Paraná. 

Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            Esses cafeicultores especializados são aqueles que possuem as lavouras em melhor estágio produtivo, uma vez que 44% deles declararam que seus talhões se encontravam em condições boas e ótimas (Figura 2). Contrariamente, os produtores especializados na pecuária bovina declararam que 70% de suas lavouras estão em condição regular e ruim. Quando o produtor declarou sua especialização na área de produção de grãos, a condição da lavoura de café (sua segunda atividade) situou-se mais próxima daquela exibida pelos cafeicultores especializados, com 53% de talhões em boa situação produtiva.
 

Figura 2 – Condição produtiva da lavoura dos produtores com atividade principal em café, 2011/12, Estado do Paraná. 

Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            A trajetória da cafeicultura paranaense tem sido pautada pela disseminação do modelo produtivo estruturado no adensamento dos talhões e na gestão familiar das unidades de produção. Aplicando-se uma correlação simples sobre as áreas de lavoura por classe de adensamento, confirmou-se que, a 10% de nível de significância, existe correlação negativa na ordem de –0,14 entre densidade e área, isto é, as menores áreas são as mais adensadas. Exemplificando esse resultado, quando se considera a área média de todas as regiões do Estado, obteve-se: 9,0 ha para a classe de adensamento de até 1.700 plantas/ha; 5,1 ha para a classe de adensamento entre 1.700 plantas/ha e 3.000 plantas/ha e 3,6 ha para a classe acima dos 3.000 plantas/ha.
 

            No aspecto densidade de plantas, embora se reconheça o esforço em disseminar o modelo em todas as regiões do Estado, existem heterogeneidades regionais. O maior êxito foi observado na chamada região noroeste, oeste e centro ocidental, onde 51% dos talhões são adensados acima de 3.000 plantas/ha. Já o norte Pioneiro, região onde se iniciou a cafeicultura no Estado, por possuir lavouras mais velhas, exibe 42% de lavouras até 1.700 plantas/ha (Figura 3).
 

Figura 3 – Classes de adensamento da lavoura por região, 2011/12, Estado do Paraná. 

Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            O modelo de cafeicultura familiar adensada já perfaz 41% das lavouras no Estado do Paraná. Estabelecendo-se uma correlação entre as produtividades oriundas dos talhões adensados, constatou-se que, ao grau de 0,1% de significância, ela é positiva, atestando o êxito do modelo.
 

            A entrada do Estado do Paraná no esforço de geração de estatísticas objetivas para a safra de café permitirá que outros fatores agronômicos e socioeconômicos dos sistemas produtivos no Estado venham à tona, trazendo mais e melhores informações sobre a estrutura e o desempenho da lavoura paranaense. Espera-se que essa melhor compreensão da cafeicultura permitirá ajustar ações públicas visando maior aderência à realidade produtiva.
 

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1Estudo integrante do Projeto BRA/03/034 – CONAB/PNUD.

2Levantamento piloto segundo metodologia probabilística apresentada em FRANCISCO, V. L. F. dos S. et al. Modelo estatístico e econômico para estimativa da safra brasileira de café. Informações Econômicas, São Paulo, v. 40, n. 12, p. 26-36, dez. 2010.

3FRANZINI, P. S. et al. Estimativa de safra cafeeira paranaense, 2011/12. Informações Econômicas, São Paulo, v. 42, 2012. No prelo.

Palavras-chave: adensamento, cafeicultura paranaense.

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Como citar

PAULO SÉRGIO FRANZINI; CARLOS HUGO WINCKLER GODINHO; CELSO LUÍS RODRIGUES VEGRO; JOSÉ ALBERTO ANGELO; VERA LUCIA FERRAZ DOS SANTOS FRANCISCO; VALÉRIA MARIA RODRIGUES FECHINE. Indicadores socioagronômicos da cafeicultura paranaense. Análises e Indicadores do Agronegócio, 2012. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=12287. Acesso em: 22/10/2026.