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Revista de Economia Agrícola — Artigos

Ocupação da mão-de-obra na agricultura do estado de são paulo na década de setenta

Ana Elisa Brito Garcia

Publicado em · em v. 22 · 1985

Resumo dos autores

Utilizando dados do Instituto de Economia Agrícola sobre "trabalho efetivo na última semana", este trabalho analisa o emprego de mão-de-obra residente e não residente nas propriedades agrícolas do Estado, na década de setenta. Focaliza a mudança na estrutura do emprego rural, analisando, também, a ocupação de trabalhadores menores de 15 anos. O trabalho abrange o Estado como um todo, levando em consideração as diferenças regionais no uso da mão-de-obra.

Com os dados disponíveis, montou-se uma série, segundo ano agrícola, que vai de 1970/71 a 1979/80. Observou-se que a modernização da agricultura paulista, intensificada na década de setenta, foi um processo que se deu claramente através da substituição de terra e trabalho por capital. Com relação à demanda de mão-de-obra, os efeitos da tecnologia se fizeram sentir através de uma forte redução na ocupação de trabalhadores rurais; já com relação à estrutura do emprego agrícola, o principal efeito foi a substituição do trabalhador residente pelo trabalhador temporário e o aumento da sazonalidade do trabalho. Na década de setenta, a força de trabalho ocupada na agricultura continuou a diminuir, mas em ritmo menor do que nos anos sessenta. A partir da segunda metade da década, a força de trabalho tendeu a se estabilizar. A manutenção do nível de ocupação se deveu principalmente ao crescimento do número de trabalhadores não residentes, pois o contingente de residentes continuou em declínio.

Dentre os residentes, foi a categoria "proprietário e familiares" que mais diminuiu, declinando paulatina e sistematicamente em todas as regiões do Estado. Os "empregados residentes", apesar do declínio experimentado, não perderam sua importância na estrutura da produção agrícola, pois mantiveram constante sua participação no total de trabalhadores ocupados. A alta taxa de crescimento da mão-de-obra se deveu à categoria "outros", mas o grosso dos não residentes são ainda os volantes, cujo maior incremento se deu a partir de 1976/77, intimamente ligado à expansão da cana-de-açúcar. Com relação ao trabalhador menor, vê-se que é ainda bastante importante sua participação na força de trabalho. O maior contingente se encontra entre os trabalhadores residentes e, dentre esses, são mais importantes na categoria "empregados"; "volantes" e "outros" fazem igual uso da mão-de-obra, mas em nível bem inferior aos residentes.

A relevância do trabalho está no fato de se ter recuperado dados já considerados perdidos e construído uma série que mostra a tendência e a estrutura do emprego na década de setenta.

Transcrito da versão digitalizada (p. 29-30).

Como citar

ANA ELISA BRITO GARCIA. Ocupação da mão-de-obra na agricultura do estado de são paulo na década de setenta . Revista de Economia Agrícola, v. 22, 1985. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=11011. Acesso em: 23/10/2026.