Análises e Mercado
Desempenho do comércio exterior brasileiro de produtos da floricultura em 2003
Ikuyo Kiyuna, José Alberto Angelo, Paulo José Coelho, Roberto de Assumpçao, Carlos Eduardo Fredo
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No cenário internacional, a floricultura pode ser considerada um segmento econômico bastante dinâmico devido à magnitude do valor de sua produção e comercialização, movimentado dentro e entre as nações. O comércio internacional de produtos da floricultura movimentou US$ 7,7 bilhões em 2000, segundo PATHFAST (2003)1. Os países exportadores estão dispersos no mundo todo – os mais importantes localizados na Europa e no continente americano – enquanto os importadores estão localizados basicamente no Hemisfério Norte (mapas 1 e 2).
Mapa 1- Principais Países Exportadores de Produtos de Floricultura no Mundo, 2000

Fonte: Elaborada pelos autores com base em PATHFAST (2003)1.
Mapa 2 - Principais Países Importadores de Produtos de Floricultura no Mundo, 2000

Fonte: Elaborada pelos autores com base em PATHFAST (2003)1.
O Brasil ocupa uma modesta posição no cenário internacional, situando-se em 31o e 32o no ranking dos países exportadores em 1999 e 2000. Em 2003, o panorama do comércio exterior de produtos da floricultura brasileira foi muito favorável, atingindo o patamar inédito de US$ 20 milhões em valor total exportado, com crescimento de 30% em relação a 2002. O valor da importação teve queda de 16% em 2003 e, conseqüentemente, o saldo comercial aumentou consideravelmente (86% em relação ao ano anterior), com superávit recorde de US$ 13 milhões (SECEX, 2004)2 (figura 1).

O
desempenho da exportação brasileira de produtos da floricultura, por grupo de
produtos, mostrou-se bastante desigual em 2003, destacando-se o crescimento
surpreendente do valor da exportação de flores de corte para buquês que
registrou aumento de 113% em relação ao de 2002. Este desempenho é um marco para
os produtores e exportadores brasileiros de flores cortadas para buquês,
considerando que o Brasil enfrenta concorrentes tradicionais e já consolidados
no mercado internacional de flores de corte, como Holanda, Colômbia, Chile e
Equador.
Ressalte-se que esse item já teve peso na pauta de exportações brasileiras até
1993, com declínio contínuo entre 1994 e 2000. Esse fato foi reflexo, em parte,
do encerramento de atividades de uma grande empresa exportadora de rosas em
Minas Gerais e também do desajuste cambial com o Plano Real. Outro grupo de
produtos da floricultura que apresentou crescimento favorável foi o das
folhagens (45%), seguido de mudas (22%) e de bulbos (16%) (figura 2).

Holanda, Estados Unidos, Itália e Japão continuam como principais países de
destino dos produtos da floricultura brasileira. Também destacaram-se, em 2003,
Angola e Argentina, com variação positiva de 9.476% e 391%, respectivamente,
face a números de 2002.
Entretanto, o país que apresentou comportamento surpreendente em 2003 foram os Estados Unidos – segundo lugar no ranking de países
de destino de produtos da floricultura brasileira após ultrapassar a Itália –
que tiveram aumento de 138% em relação a 2002 em termos de valor total, com
destaque na categoria de flores cortadas para buquês (198%) cujo valor saltou de
US$ 632 mil em 2002 para US$ 1,9 milhão em 2003. A Holanda, embora com menor
magnitude em termos de valor (US$ 427 mil), em 2003, apresentou maior variação
anual nessa categoria (251%). Destaca-se também o desempenho da Argentina como
um cliente promissor para as flores brasileiras para buquês, com sinais de
retomada de crescimento em 2003 (tabela 1 e figura 3).


No grupo de bulbos, tubérculos e rizomas, as
exportações para a Holanda continuam majoritárias em termos de valor (US$ 4,1
milhões em 2003), com crescimento anual de 15%, seguida dos Estados Unidos (US$
340 mil) que apresentaram variação positiva de 67% em relação ao ano anterior.
Nesta categoria, totalizam-se apenas nove países de destino em 2003 (figura
4).
No grupo de mudas de ornamentais e plantas vivas, a
Holanda continua como principal cliente do país (US$ 4,8 milhões exportados) com
26% de crescimento anual, seguida de Itália (US$ 1,9 milhão), Estados Unidos
(US$ 855 mil) e Japão (US$ 836 mil), destacando-se o país norte-americano pelo
salto anual (93%). O destino para a Angola apresentou maior variação em temos
monetários (9.476%), passando de US$ 2 mil, em 2002, para US$ 196 mil em 2003
(figura 5).


O ranking dos países de destino das exportações brasileiras de flores cortadas para buquês continua
liderado pelos Estados Unidos (US$ 1,9 milhão em 2003) – com variação anual de
198%, já citada –, seguidos de Holanda (US$ 428 mil), Argentina (US$ 138 mil) e
Portugal (US$ 85 mil) (figura 6).
O grupo de folhas, folhagens e musgos para floricultura apresentou grande variação no valor da exportação conforme o
destino: Estados Unidos (127%), Holanda (79%), Itália (31%), Alemanha (30%) e
Suíça (4%) estão entre os principais importadores. Mas o crescimento anual
expressivo no valor exportado desse item ocorreu no caso dos países de destino:
Reino Unido (2.361%) e México (1.004%) (figura 7).


O desempenho da exportação brasileira de produtos da floricultura ganhou fôlego a partir de 2001, após a implantação do programa de incentivo às exportações promovido pela Agência de Promoção das Exportações (APEX) em parceria com o Instituto Brasileiro de Floricultura (IBRAFLOR) - a FloraBrasilis - no final de 2000. O objetiva era ampliar as exportações brasileiras de flores e plantas ornamentais para 80 milhões anuais até 2003, saindo do patamar de US$13 milhões. O projeto foi considerado um passo fundamental para atender à necessidade de ampliação e profissionalização da base produtiva nacional; inserção do setor de floricultura brasileira no mercado globalizado; e estabilização da balança comercial brasileira (PROGRAMA, 2004)3.
A FloraBrasilis foi fundamentada nas seguintes linhas de ação: prospecção de produtos e mercados (realização do mapeamento da cadeia produtiva nacional e do diagnóstico do mercado internacional); sensibilização, capacitação e treinamento (realização de seminários para a sensibilização da base produtiva, mobilização das lideranças setoriais e treinamento de técnicos para a adequação de produtos e processos); e promoção e marketing (lançamento de uma marca para a floricultura brasileira no mercado internacional, produção de material promocional, participação em feiras e eventos internacionais, realização de intercâmbios técnicos e organização de missões de importadores) (PROGRAMA, 2004)3
Entre os países focados no programa de exportação - Holanda, Alemanha, Estados Unidos e Japão -, os que apresentaram melhor desempenho em 2003 foram o primeiro (em valor comercializado) e os norte-americanos (em variação anual). A contribuição exata do programa FloraBrasilis, com duração prevista até 20054 para o desempenho do comércio
exterior de produtos da floricultura, é uma incógnita, uma vez que vários
fatores (variação cambial do país e dos países importadores, situação
macroeconômica dos parceiros comerciais, eficácia do marketing, credibilidade e
confiança em relação aos produtos e serviços, vantagem comparativa entre
concorrentes, preços relativos dos produtos e insumos, etc.) determinam o volume
de negócios realizados no mercado internacional. O desempenho do setor em 2003
está aquém da meta inicial do programa. Porém, foi um avanço em termos
históricos, motivo de comemoração para muitos dos agentes envolvidos.
Em 2004, a possibilidade de repetir o desempenho e até acelerar o ritmo das exportações é grande. Há notícias de que o Carrefour francês tem interesse em exportar diretamente as flores brasileiras para a França. A Veiling Holambra – referência nacional na comercialização de flores com sistema de leilão eletrônico – iniciou, timidamente, a exportação diretamente aos clientes internacionais em 2003. Outro fator que pode influenciar a decisão dos importadores internacionais é o diferencial na qualidade de alguns produtos. As rosas do Ceará5, por exemplo, apresentam uma coloração especial devido à maior luminosidade da região. E os antúrios produzidos no ambiente especial de Caraguatatuba6 – coloridos, vibrantes e com intenso brilho –
ganharam selo de origem para a exportação.

1PATHFAST. World Exporters of Floricultural Products. Disponível em: http://www.pathfastpublishing.com/ITS20/ITS21/1%20CONTENTS%202001.htm.
Acesso em: 17 out. 2003.
2 SECEX: Secretaria de Comércio Exterior. Exportação e importação brasileira de plantas vivas e produtos de floricultura, 1989-2003. Disponível em: http://aliceweb. mdic.gov.br/consulta_nova/resultadoConsulta.asp. Acesso em: 20
jan. 2004.
3 PROGRAMA brasileiro de exportação de flores e plantas ornamentais. Disponível em: http://www.florabrasilis.com.br/2001/papre1.htm.
Acesso em: 28 jan. 2004
4 FARID, Jaqueline. Flores e frutas brasileiras ampliam participação no mercado externo. Disponível em: http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/11/17/eco014.html.
Acesso em: 06 mar. 2003.
5 CORREIA FILHO, João. Produção de rosas do Ceará surpreende. National Geographic Brasil, São Paulo, v.3, n. 35, p.
18, mar. 2003.
6 REZENDE, Pedro. Natureza privilegiada. Beach & Co, Bertioga, v.2, n.15,p. 26-30, 2003.
Como citar
IKUYO KIYUNA; JOSÉ ALBERTO ANGELO; PAULO JOSÉ COELHO; ROBERTO DE ASSUMPÇAO; CARLOS EDUARDO FREDO. Desempenho do comércio exterior brasileiro de produtos da floricultura em 2003. Análises e Mercado, 2004. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/LerRea.php?codTexto=1228. Acesso em: 25/10/2026.

