O Estado de São Paulo, principal produtor agrícola do País, responde por 15,6% do valor da produção agrícola nacional em 20001. É, portanto, relevante acompanhar a evolução do mercado de trabalho no rural paulista com o intuito de proporcionar elementos de decisão para a implantação de projetos e programas para o desenvolvimento setorial2.
As atividades agrícolas e não-agrícolas no Estado ocuparam 1.299.458 e 1.346.661
pessoas em 2001 e 2002, respectivamente (média dos valores obtidos em junho e em
novembro). As estimativas apresentadas mostraram, portanto, recuperação da
ocupação rural em 2002, em relação a 2001, com taxa de crescimento de 3,6%. Do
total ocupado, as atividades agrícolas participaram com 90% (tabelas 1 e 2).
TABELA 1 - Estimativa da População Trabalhadora Residente e Não-Residente nas UPAs, Estado de São Paulo, junho de 2001 a Novembro de 2002
| Categoria | | | | | ||||
| Residente | Número | | Número | | Número | | Número | |
| Proprietário (1) | 250.343 | 47,3 | 215.894 | 42,4 | 241.804 | 44,7 | 235.381 | 41,1 |
| Administrador | | 18.965 | 3,7 | | | 25.420 | 4,4 | |
| Arrendatário (1) | 22.093 | 4,2 | 17.074 | 3,3 | 20.535 | 3,8 | 21.490 | 3,8 |
| Parceiro (1) | 51.708 | 9,8 | 34.700 | 6,8 | 56.597 | 10,5 | 38.700 | 6,8 |
| Assalariado(2) | 205.535 | 38,8 | 200.263 | 39,3 | 222.371 | 41,1 | 234.152 | 40,9 |
| Outros | | | 22.885 | 4,5 | | | 17.729 | 3,1 |
| Subtotal | 529.679 | 100,0 | 509.781 | 100,0 | 541.307 | 100,0 | 572.872 | 100,0 |
| Não-Residente | Número | | Número | | Número | | Número | |
| Proprietário (1) | 160.440 | 24,52 | 153.011 | 24,02 | 156.663 | 25,4 | 174.506 | 25,4 |
| Arrendatário (1) | 27.499 | 4,20 | 33.232 | 5,22 | 29.718 | 4,8 | 37.573 | 5,5 |
| Parceiro(1) | 15.456 | 2,36 | 13.629 | 2,14 | 18.383 | 3,0 | 18.473 | 2,7 |
| Assalariado (2) | 255.174 | 39,00 | 207.664 | 32,60 | 160.987 | 26,1 | 200.143 | 29,1 |
| Volante | 195.720 | 29,91 | 229.536 | 36,03 | 251.904 | 40,8 | 256.880 | 37,4 |
| Subtotal | 654.289 | 100,0 | 637.072 | 100,00 | 617.655 | 100,0 | 687.575 | 100,0 |
| Total | 1.183.968 | | 1.146.853 | | 1.158.962 | | 1.260.447 | |
(2) Engloba administrador, mensalista, diarista, tratorista, etc.
Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.
TABELA 2. Estimativa da População Trabalhadora em Atividades Econômicas Rurais Não Agrícolas, Estado de São Paulo, 2001-2002
| Setor | | | | | ||||
| Número | % | Número | % | Número | % | Número | % | |
| Atividades Industriais (1) | 78.121 | 72,1 | 95.607 | 84,0 | 92.478 | 77,8 | 105.151 | 84,2 |
| Atividades Administrativas (2) | 21.259 | 19,6 | 7.685 | 6,7 | 18.605 | 15,6 | 7.357 | 5,9 |
| Prestação de Serviços (3) | 9.024 | 8,3 | 10.581 | 9,3 | 7.838 | 6,6 | 12.325 | 9,9 |
| Sub Total | 108.404 | 100,0 | 113.873 | 100,0 | 118.921 | 100,0 | 124.833 | 100,0 |
| Atividades Industriais e de | . | . | . | . | . | . | . | . |
| Serviços na cidade | 21.179 | | 24.641 | | 10.415 | | 19.745 | |
| Total | 129.583 | | 138.514 | | | | 144.578 | |
(2) Pessoas residentes ou não na UPA, ocupadas em empresas agroindustriais
(3) Pessoas residentes ou não na UPA ocupadas em pesqueiros, hotelaria, turismo, etc.
Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.
A recuperação do nível de ocupação nas atividades rurais certamente foi influenciada pelos indicadores positivos da agricultura, pois o valor final da produção da agropecuária do Estado em 2002 atingiu R$ 20,93 bilhões, com crescimento nominal de 20,64% em relação ao ano de 2001. Em termos reais (preços deflacionados pelo IPCA médio de 2002), o crescimento foi de 11,24%3. O comportamento favorável de importantes culturas
empregadoras de mão-de-obra, tais como a cana-de-açúcar, a laranja e com maior
destaque o café, constituiu fator preponderante para o crescimento da ocupação e
do emprego agrícola na safra 2002.
As médias anuais por categoria mostram boa recuperação do emprego assalariado,
com crescimento de 23,1%, em 2002, em relação a 2001. A seguir, aparecem
parceiros e arrendatários, com aumento na ocupação de 10,3% e de 7,3%,
respectivamente. Proprietários e familiares apresentaram menor percentual de
crescimento, ou seja, 2,3%. A ocupação da mão-de-obra residente apresenta
diferenças nos meses de junho e de novembro, pois proprietários, parceiros,
arrendatários e seus familiares são mais requisitados em junho, época de
colheita de café
Os indicadores de ocupação de trabalhadores não-residentes (médias anuais) foram
positivos para todas as categorias em 2002, com maior destaque para parceiros
(26,7%), volantes (19,6%) e arrendatários (10,8%). Proprietários e familiares
apresentaram menor percentual de crescimento (5,7%). A exceção foram os
assalariados, com decréscimo de 22,0%.
Na análise da evolução da agricultura paulista entre as safras 2001/02 e 2002/03, verificou-se que os índices agregados para o conjunto de culturas mostraram estabilidade de produção, acréscimo de área (4,17%) e queda na produtividade da terra (2,48%), de acordo com as informações do 5o levantamento de campo realizado em junho de 20034. Observaram-se acréscimos de área e de produção para
algodão (10,6% e 17,0%, respectivamente), milho (1,9% e 10,3%) e soja (8,7% e
5,5%). Para o arroz, foram registradas retrações de área e de produção (7,1% e
1,5%), porém com produtividade maior que a obtida na safra passada (6,0%).
Para a cana-de-açúcar de indústria, as previsões para 2002/03 são de elevação na
área (5,9%), reflexo da implantação de novas usinas, na produção (5,0%) e no
rendimento (2,4%), em relação ao ano agrícola anterior, proporcionadas pelas
condições climáticas adequadas à cultura. Para a cafeicultura, os dados
indicaram manutenção na área e forte queda no rendimento (39,0%), em
conseqüência do ciclo bianual da cultura e das condições climáticas
desfavoráveis.
A safra de laranja em São Paulo deve atingir 333,06 milhões de caixas (40,8kg),
com queda de 7,9% em relação à safra passada (de 361,7 milhões de caixas). As
causas são a estiagem nas principais regiões produtoras, ao longo do segundo
semestre de 2002, e as elevadas temperaturas em dezembro, que prejudicaram a
florada e provocaram a quebra de safra. A área plantada teve redução de 0,3%.
A partir desse quadro referencial, esperam-se alterações na ocupação de
mão-de-obra em decorrência, principalmente, das previsões menos favoráveis das
colheitas de café e de laranja. Porém, para se compor o panorama geral do
emprego agrícola 2002/2003, deverá ser considerado o desempenho das demais
atividades, dentre as quais as frutíferas e as olerícolas.
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1TSUNECHIRO, A. Valor da produção agropecuária dos principais estados brasileiros em 2000. Informações Econômicas, 32 (11): 27-38, nov. 2002.
2Para estimar o total de pessoas ocupadas nas atividades rurais do Estado de São Paulo utiliza-se uma amostra probabilística composta por 3.204 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs), sorteada com base no cadastro obtido no Censo Agropecuário realizado pela SAA por meio do IEA e da CATI e conhecido por Projeto LUPA.
3MARTIN, N.B. Valor final da produção paulista em 2002 foi de R$ 20,93 Bilhões. Disponível em < http://www.iea.sp.gov.br/ >. Acesso em 10/06/2003.
4CASER, D. V. et al. Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas no Estado de São Paulo, ano agrícola 2002/03, 5° levantamento, junho de 2003. Disponível em < http://www.iea.sp.gov.br/ >. Acesso em 26/08/2003.

