Em setembro de 2002, o Instituto de Economia Agrícola (IEA) e a Coordenadoria de
Assistência Técnica Integral (IEA/CATI) realizaram levantamento de intenção de
plantio para a nova safra paulista de soja 2002/03. Detectaram perspectiva de
crescimento da ordem de 5% na área da cultura em relação à safra 2001/02, que
totalizou 568,29 mil hectares. Se a produtividade média estadual se mantiver em
2.739 kg/ha em 2002/03 (volume obtido em 2001/02), a produção poderá atingir
1,636 milhão de toneladas.
Esse volume poderá ser ainda um pouco maior, pois os produtores, mais
capitalizados em 2002/03 face à comercialização favorável na safra anterior,
deverão intensificar o uso de insumos na condução das lavouras, trazendo a
produção para nível mais próximo de 1,7 milhão de toneladas. Além disso, a
perspectiva de obtenção de preços remuneradores pelo segundo ano consecutivo
também converge nessa direção.
Segundo levantamento de Safras & Mercado1, a
comercialização antecipada da safra paulista de soja 2002/2003 já atingia, em
setembro, cerca de 25% do total, volume muito superior ao normalmente verificado
para essa época do ano, em torno de 6%. Ocorre que essa parcela de produtores
vendeu sua produção antecipadamente, procurando assegurar os ganhos decorrentes
da desvalorização do real frente ao dólar, principal fator que favoreceu as
vendas na safra passada, junto com a recuperação de preços no mercado
internacional.
Para uma comercialização mais satisfatória aos produtores, é bom lembrar que um
dos parâmetros a ser considerados como base é o custo da produção. O
conhecimento individualizado desse quesito permite que o produtor estabeleça
cenários prospectivos em relação aos preços e margens de ganho, comercializando
o produto somente em períodos que seja mais conveniente.
Para contribuir com esse processo de decisão, atualizou-se o custo de produção
de soja da região de Orlândia, uma das principais regiões produtoras do Estado
(tabela 1; clique aqui para acessar os
coeficientes técnicos dessa tabela).
Para uma produtividade média regional de 47 sacos de 60 kg por hectare, o custo
operacional efetivo totalizou R$627,20 por hectare, enquanto o custo operacional
total atingiu R$719,57/ ha. Os gastos com material consumido, referente aos
insumos utilizados na condução das lavouras, são os de maior peso, representando
51% do custo operacional efetivo.
Para efeito de estimativa da renda bruta, utilizou-se a média dos preços
recebidos pelos produtores paulistas em outubro, de R$39,45/sc.de 60 kg, o que
perfaz R$ 1.854,15/ha, bem mais que o dobro do montante gasto na produção. Isso
mostra que há possibilidades bastante promissoras de ganhos expressivos em 2003.
Tabela 1 - Custo Operacional de Soja, EDR de Orlândia, Plantio Convencional, 1 Hectare, Produtividade de 47 sacos de 60 kg
| Item | R$ | % |
| Mão-de-obra | 18,76 | 2,61 |
| Operação de máquinas | 119,32 | 16,58 |
| Colheita e transporte da produção por empreita | 123,45 | 17,16 |
| Material consumido | 365,67 | 50,82 |
| Custo operacional efetivo | 627,20 | 87,16 |
| Depreciação | 36,10 | 5,02 |
| Encargos sociais e securidade | 44,84 | 6,23 |
| Juros sobre o capital de custeio | 11,43 | 1,59 |
| Custo operacional total por hectare | 719,57 | 100 |
| Custo operacional total por saco | 15,31 | - |
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