O mercado de defensivos agrícolas em 1999 também ressentiu-se com os distúrbios climáticos (frio e estiagem) que afetaram algumas regiões brasileiras. Nos principais estados produtores de soja e milho, o atraso no plantio também provocou a retração no consumo de defensivos. Na horticultura, que inclui batata e tomate (cultivos de alta utilização de defensivos, principalmente de fungicidas), o clima frio e seco reduziu a evolução de doenças e diminuiu o uso de defensivos, reduzindo as despesas dos agricultores.
Todos os segmentos dessa indústria apresentaram resultados econômicos negativos em 1999, quando comparados com os do ano anterior, excetuando-se os inseticidas. Os herbicidas responderam, em 1999, por 50% das vendas totais, sendo que o faturamento do segmento decresceu 14,3% (US$1,17 bilhão em 1999 contra US$1,37 bilhão em 1998). As vendas de fungicidas apresentaram diminuição de 6%, indo de US$435,9 milhões em 1998 para US$409,5 milhões em 1999. O segmento dos inseticidas, representando 26,2% das vendas totais e faturamento de US$615,4 milhões, foi o único que apresentou acréscimo nas vendas (6,2%), destinadas principalmente para algodão, milho e soja.
A comercialização de acaricidas foi a que mais se retraiu (25,7%) no referido período, movimentando US$83,9 milhões em 1999. O segmento 'outros', que engloba reguladores de crescimento, maturadores, antibrotantes e adjuvantes para a linha de herbicidas, teve decréscimo de 14,9% nas vendas. Esse segmento possui uma representação pequena nas vendas do setor, respondendo por apenas 2,7% do total.
Em dezembro de 1999, constatou-se repentina melhoria nas vendas com incremento de 66% na comercialização de herbicidas, 30,8% nos inseticidas e 11,2% nos fungicidas, quando comparada com as vendas observadas no mesmo mês de 1998.
O setor inicia 2000 com perspectivas positivas para as vendas. No primeiro bimestre, o faturamento ficou em US$169,5 milhões, valor 14,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (US$147,7 milhões). Esse melhor desempenho pode ser explicado pelo aumento do consumo na cultura da soja (dessecação e doenças de final de ciclo), aplicação de herbicidas e inseticidas no milho safrinha, uso de inseticidas na cultura do algodão e maior demanda no mercado de citros, em função da elevada incidência de pragas e doenças no início do presente ano.
Os diversos segmentos do setor obtiveram resultados positivos para a indústria. No período de janeiro-fevereiro de 2000, as vendas de herbicidas aumentaram 15,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$57,8 milhões, com os negócios voltados especialmente para cana-de-açúcar, milho safrinha e soja. No segmento dos fungicidas, o aumento no valor das vendas foi de 3,6%, passando de US$28 milhões no primeiro bimestre de 1999 para US$29 milhões no mesmo período de 2000. Quanto aos inseticidas, as vendas apresentaram aumento de 21,4% perfazendo US$69,6 milhões em janeiro-fevereiro de 2000. No caso acaricidas, o valor comercializado girou em torno de US$7 milhões, com incremento de 7,3 %, destinadas na maior parte para citros (Tabela 1).
Janeiro e Fevereiro de 1999 e Janeiro e Fevereiro de 2000
(em US$1.000)
Classe | (a) | (b) | (b)/(a) (%) |
| Herbicidas | 49.887 | 57.821 | 15,9 |
| Fungicidas | 27.959 | 28.964 | 3,6 |
| Inseticidas | 57.336 | 69.633 | 21,4 |
| Acaricidas | 6.541 | 7.017 | 7,3 |
| Outros1 | 5.959 | 6.112 | 2,6 |
| Total | 147.682 | 169.547 | 14,8 |
1Engloba antibrotantes, reguladores de crescimento, óleo mineral e
espalhantes adesivos.
Fonte: SINDAG.
As expectativas de vendas do setor para 2000 são melhores que o desempenho observado em 1999. Esse otimismo decorre, em parte, da recuperação nos preços recebidos pelos produtores de soja, milho e café, além da acomodação do câmbio em patamar considerado adequado. Caso também ocorra recuperação dos preços do açúcar, o desempenho de vendas do setor pode ser ainda melhor, uma vez que a cana-de-açúcar é um dos cultivos de maior consumo de herbicidas.
