1 - BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
No
acumulado do primeiro semestre de 2026, as exportações do estado de São Paulo1
somaram US$35,20 bilhões (19,1% do total nacional), e as importações2,
US$43,75 bilhões (30,7% do total nacional), registrando déficit comercial de
US$8,55 bilhões (Figura 1). Em relação ao mesmo período de 2025, houve
crescimentos nas exportações (+4,8%) e nas importações (+3,3%); essa conjunção
de desempenhos resultou na diminuição do déficit (-2,4%) no saldo da balança
comercial paulista.
A
corrente de comércio paulista (que é a soma das exportações e importações)
atingiu US$78,95 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, alta de 3,96% em
relação ao primeiro semestre de 2025, o que demonstra a recuperação da economia
paulista. Em um contexto de crescente fragmentação do comércio internacional,
com maior utilização de tarifas, restrições regulatórias e acordos
preferenciais seletivos, o desempenho da corrente de comércio paulista
evidencia a resiliência e a capacidade do Estado de ampliar sua integração aos
mercados globais.
1.1 – Análise
Setorial do Agronegócio
Na análise setorial do agronegócio3, no
primeiro semestre de 2026, na comparação a igual período do ano anterior, o
setor paulista apresentou reduções nas exportações (-2,8%), alcançando US$13,34 bilhões, e aumento nas importações (+1,7%),
totalizando US$2,96 bilhões. Com esses resultados, o saldo da balança comercial
obteve um superávit de US$10,38 bilhões, 4,0% inferior em relação aos primeiros
seis meses de 2025 (Figura 1).
A participação das exportações do agronegócio
paulista no total do estado foi de 37,9%, enquanto a participação das
importações setoriais ficou em 6,8% (Figura 1). Em relação ao primeiro semestre
2025, as participações recuaram 2,9 pontos percentuais nas exportações, e 0,1
p.p. nas importações.
Há que se destacar que as
exportações paulistas nos demais setores da economia - exclusive o agronegócio
- somaram US$21,86 bilhões, e as importações, US$40,79 bilhões, gerando um
déficit externo desse agregado de US$18,93 bilhões nos primeiros seis meses de
2026. Dessa forma, conclui-se que o déficit do comércio exterior paulista só
não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, cujo saldo se
manteve positivo (US$10,38 bilhões).
1.2 -
Exportações do Agronegócio Paulista por Grupos de Produtos
Os cinco principais
grupos nas exportações do agronegócio paulista no primeiro semestre de 2026
foram: complexo sucroalcooleiro (US$3,00 bilhões, sendo que desse total o
açúcar representou 95,1% e o álcool etílico – etanol, 4,9%), setor de carnes
(US$2,34 bilhões, em que a carne bovina respondeu por 84,1%), complexo soja,
com vendas de US$1,88 bilhão (84,1% de soja em grão e 10,9% referentes ao
farelo), produtos florestais (US$1,68 bilhão, com participações de 64,0% de
celulose e 29,7% de papel), e o grupo de sucos (US$938,86 milhões, dos quais
96,2% referentes a suco de laranja).
Esses
cinco agregados representaram 73,7% das vendas externas setoriais paulistas (Tabela
1). O
grupo de café, tradicional na produção paulista, aparece na sexta posição e, no
primeiro semestre de 2026, apresentou vendas de US$791,64 milhões (66,5%
referentes ao café verde e 28,2% de café solúvel).
Ainda de acordo com a tabela 1, no acumulado no
primeiro semestre de 2026 na comparação com igual período de 2025, houve
importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos
da pauta paulista, com aumentos para os grupos de carnes (+23,5%), complexo
soja (+20,3%) e dos produtos florestais (+12,5%), e quedas nos grupos de sucos
(-39,2%), complexo sucroalcooleiro (-18,8%), e do setor de café (-18,5%). Essas
variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações
tanto de preços como de volumes exportados.
1.3 - Exportações dos Principais Produtos do
Agronegócio Paulista
Os dados de valor e volume
exportados dos principais produtos dos grupos mais relevantes do agronegócio
paulista no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior
são apresentados na tabela 2.
Desses grupos relevantes, o sucroalcooleiro é o que
apresenta a maior participação (22,5%) nas exportações paulistas. No total, o
grupo apresentou queda de 18,8% em valores e aumento de 4,2% em volumes
exportados, acompanhando a redução do faturamento das vendas do açúcar (-15,6%
em valores e +7,6% em volume), principal produto do grupo, por conta das
desvalorizações nos preços médios dessas commodities
de 21,9% para açúcar em bruto e 17,0% para o refinado, quando comparados com o
primeiro semestre de 2025. Para o álcool, os embarques apresentaram variações
negativas de 57,1% em volume e de 53,7% em valores. Os destinos das exportações desse grupo
são bem diversificados em termos de participação em valores dos países, e os
resultados apresentam como principais compradores: Índia (9,4%), Arábia Saudita (8,9%),
Bangladesh (8,1%), Nigéria (7,4%), China (7,2%), Argélia (6,1%), União Europeia
(4,7%), Iraque e Emirados Árabes Unidos (4,1%, cada um); os demais países
representam 40,0%.
Na segunda posição no primeiro
semestre de 2026, aparece o grupo de carnes
com 17,5% de representatividade no agro paulista, registrando alta em valores
(+23,5%) e em volumes embarcados (+7,6%) em relação a igual período de 2025. A
carne bovina, principal produto do grupo (84,1% participação), teve crescimentos
de 23,6% em valores e de 4,3% no volume exportado. Para a carne de frango,
segundo produto com 13,4% de participação no grupo, o desempenho obtido foi
positivo nas vendas em valores (+28,6%) e em volumes (+14,3%). A carne suína
(0,6% de participação) apresentou variações negativas em valores (-44,4%) e na quantidade embarcada (-8,7%). Os principais
destinos em participação são China (45,2%), Estados Unidos (16,3%), União Europeia
(6,6%), Arábia Saudita (3,3%), Filipinas (3,2%) e Hong Kong (2,6%), enquanto os
demais países compradores somam 22,8% de participação.
O grupo composto pelo complexo soja (terceira
posição e 14,1% de participação) teve aumentos nos embarques (+11,5%) e em
valores (+20,3%). A soja em grão, principal produto do grupo, apresenta ganhos
nos volumes (+12,9%) e em valores (+21,5%). A China aparece como principal destino em termos de participação de
valores (67,9%), seguida de Irã (+5,3%), União Europeia (5,2%), Tailândia
(4,3%), Índia (+4,0%) e Indonésia (2,9%); os demais importadores respondem por
10,4% de representatividade.
Na quarta posição na pauta paulista, com 12,6% de participação, aparece o grupo dos produtos florestais, com desempenho de aumento em valores (+12,5%) e queda na quantidade embarcada (-9,8%) em relação a igual período do ano anterior. As exportações dos produtos de celulose, principal item do grupo, apresentou crescimento em valores (+33,2%) e redução nos embarques (-9,7%). Já o papel obteve variações negativas para os valores (-8,5%) e volumes (-8,7%). O principal destino em participação de valores exportados é a China (49,0%), seguida de União Europeia (11,8%), Estados Unidos (5,4%), Argentina (4,9%), Reino Unido (3,5%), Peru (3,0%) e Chile (2,6%), restando 19,8% para os demais países.
O grupo de sucos ocupa a quinta posição, com 7,0% de
representatividade na pauta paulista. O suco de laranja
(FCOJ concentrado e congelado) registrou queda de 2,1% no valor e incremento de
85,1% no volume exportado. Para o suco NFC (não congelado, valor brix <=20),
as vendas externas também foram menores em valores (-34,7%) e maiores em volumes
(+11,2%), além de quedas para os outros sucos de laranja não fermentados, com
reduções em valores (-71,2%) e em volumes (-37,4%). A variação total das
exportações do grupo de sucos, que foi negativa em valores (-39,2%) e positiva
nas quantidades embarcadas (+10,7%), contribui para esse resultado negativo as
desvalorizações dos preços médios dos sucos no primeiro semestre de 2026 (FCOJ,
47,1%, NFC, 41,3% e outros sucos de laranja não fermentados, 53,9%). Os maiores
compradores desse grupo são União Europeia (52,1%), Estados Unidos (35,2%), Japão
(3,1%), China (2,9%) e Reino Unido (1,9%); os demais compradores têm 4,8% de
participação.
Para o grupo do café (5,9% de
participação), os resultados apontaram reduções de 18,5% nos valores e 21,5% no
volume das exportações paulistas, influenciado pelo comportamento do café verde
(principal produto deste grupo), com quedas nas vendas externas de 27,4% em
valores e de 29,7% em quantidades exportadas pelo estado, reflexo do pico da
entressafra do produto e baixa expressiva nas cotações do produto nas bolsas
internacionais. Para o café solúvel,
variações positivas de 9,2% em valores e de 27,9% para quantidades, sinalizando
o incremento de 212,9% (volume) dos embarques do produto a partir do acordo UE x
Mercosul. Já as importações dos Estados Unidos do café verde e solúvel recuaram
no primeiro semestre de 2026 na faixa de 50% em valores e volumes na comparação
com mesmo período de 2025, influenciado pelas maiores compras antes da
aplicação das tarifas americanas em 2025. A União Europeia é o
principal destino e suas compras representam 45,3% do valor exportado. Na
sequência aparecem Estados Unidos (10,8%), Rússia (6,1%), Canadá (4,8%),
Argentina (4,3%) e Japão (3,7%); os demais países participam com 25,0%.
1.4 - Destinos das Exportações do Agronegócio
Paulista
Em relação aos destinos das
exportações do agronegócio paulista no primeiro semestre de 2026, a China é o
principal destino com US$3,78 bilhões e detém 28,3% de participação no total do
agro paulista, registrando variação positiva de 16,3% em relação ao valor do
mesmo período do ano de 2025. Na segunda posição aparece a União Europeia
(US$1,95 bilhão, 14,7% de participação e variação negativa de 5,1% no valor
ante a igual período de 2025, seguido pelos Estados Unidos (US$1,30 bilhão,
participação de 9,8% e variação negativa de 33,8% em valores). Na
sequência, completando os dez principais destinos em termos de participação,
aparecem Índia (3,4%), Arábia Saudita (2,8%), Bangladesh (2,4%), Reino Unido e
Argentina (1,8%, cada um), Argélia e Nigéria (1,7%, cada um). A tabela 3
apresenta os 20 principais destinos das exportações paulistas no primeiro
semestre de 2026, que somados representam 79,7% do total, e as respectivas
pautas (em %) por grupos de produtos.
Ainda de acordo com a tabela 3, observa-se uma diferenciação na
composição das pautas dos principais parceiros comerciais do agronegócio
paulista. A China importou principalmente produtos dos grupos complexo soja
(33,8%), de carnes (28,0%), produtos florestais (21,8%), sucroalcooleiro (5,7%)
e demais grupos (9,7%), enquanto a União Europeia tem, entre os principais
produtos da pauta de importações paulista, os produtos do grupo de sucos
(25,0%, basicamente suco de laranja) e destaques para os grupos de café
(18,4%), produtos florestais (10,2%), carnes (7,9%) e demais grupos possuem
participação de 18,4%. Já os Estados Unidos apresentam pauta composta
principalmente pelos grupos de carnes (29,3%) e de sucos (25,4%), na sequência
aparecem os grupos de produtos florestais (7,0%), café (6,5%), sucroalcooleiro
(4,0%) e os demais grupos (27,7%). Na sequência, os países que ocupam da 4ª até
a 10ª posição têm elevada concentração de suas importações no complexo
sucroalcooleiro (sendo quase a totalidade em açúcar de cana), todos acima de
60,0% de representatividade, tirando o Reino Unido (27,4%). Apresenta-se como
exceção a Argentina que tem como principal produto o grupo de produtos
florestais (34,4%).
1.5 - Importações do Agronegócio
Paulista
Os principais produtos da pauta de importação do
agronegócio paulista no primeiro semestre de 2026 foram papel (US$254,41
milhões), salmões (US$234,75 milhões) e de vestuário e outros produtos têxteis
de algodão (US$141,94). O álcool etílico, que figurava como o terceiro
principal produto na pauta das importações no primeiro trimestre de 2026,
recuou para oitava posição, decorrente das menores compras nos meses de abril,
maio e junho que somadas atingiram US$292 mil e volume de 107 toneladas do
produto, abaixo dos valores das importações ocorridas nos primeiros três meses
de 2026 (US$96,55 milhões e volume de 158 mil toneladas), reflexo do início da
safra 2026/27. A figura 2 apresenta os dez principais produtos que representam
44,2% (US$1,31 bilhão) do total importado (US$2,96 bilhões).
2 - BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL
A balança comercial brasileira registrou superávit
de US42,35 bilhões no acumulado do primeiro semestre de 2026, com exportações
de US$184,77 bilhões e importações de US$142,42 bilhões. Esse resultado
apresenta crescimento de 40,3% no superávit em relação a janeiro a junho de
2025, quando alcançou US$30,19 bilhões (Figura 3), e a corrente de comércio
(soma das exportações e importações) cresceu 8,6%, atingindo US$327,19 bilhões
no primeiro semestre de 2026. Em um ambiente internacional caracterizado pela
reconfiguração das cadeias globais de valor, tensões geopolíticas e adoção
crescente de medidas protecionistas, o aumento da corrente de comércio
brasileira evidencia a manutenção da competitividade externa do país e sua
capacidade de diversificar parceiros e mercados e de investimentos interno.
2.1 - Análise
Setorial do Agronegócio
Na análise setorial, as exportações do agronegócio
brasileiro no primeiro semestre de 2026 (Figura 3) apresentaram aumento de 6,2%
em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando o valor de US$87,09
bilhões (47,1% do total
nacional). As importações recuaram 1,1% no período, registrando US$9,97 bilhões
(7,0% do total nacional).
O saldo da balança comercial dos agronegócios
registrou superávit de US$77,12 bilhões, sendo 7,2% maior na comparação com o
primeiro semestre de 2025 (Figura 3).
Portanto, o comércio exterior
brasileiro só não foi deficitário devido ao desempenho do agronegócio, uma vez
que os demais setores da economia, com exportações de US$97,68 bilhões e
importações de US$132,45 bilhões, produziram um déficit de US$34,77 bilhões no
primeiro semestre de 2026.
2.2 -
Exportações do Agronegócio Brasileiro por Grupos de Produtos
Os cinco principais grupos nas exportações do
agronegócio brasileiro no primeiro semestre de 2026 foram: complexo soja
(US$34,93 bilhões, tendo a soja em grão com 83,4% de participação e 13,1% do
farelo de soja), carnes (US$17,62 bilhões, com as carnes bovina, de frango e
suína representando desse total, respectivamente, 55,5%, 31,7% e 10,4%),
produtos florestais (US$8,17 bilhões, com participações de 63,1% de celulose e
21,8% de madeira), grupo do café com vendas de US$6,57 bilhões (90,6%
referentes ao café verde e 8,2% de café solúvel) e grupo sucroalcooleiro
(US$4,64 bilhões, sendo que desse total o açúcar representou 95,2% e o álcool
etílico – etanol, 4,7%).
Esses cinco grupos agregados
representaram 82,5% das vendas externas setoriais brasileiras (Tabela 4). Na
sexta posição aparece o grupo de fibras e produtos têxteis (US$2,98 milhões, o
algodão não cardado nem penteado tem 93,6% de participação), em seguida o grupo
de cereais, farinhas e preparações (US$2,67 bilhões, sendo 65,4% do milho em
grão).
Ainda conforme a tabela 4, na comparação com o
primeiro semestre de 2025, houve importantes variações nos valores exportados
dos principais grupos de produtos do agronegócio brasileiro, com destaque
positivo para o grupo de carnes (+26,3%), complexo soja (+15,8%), cereais,
farinhas e preparações (+14,3%) e de fibras e produtos têxteis (+11,1%),
enquanto os grupos de complexo sucroalcooleiro (-26,9%), café (-16,0%) e
florestais
(-5,7%), apresentaram reduções. Essas variações nas receitas do comércio
exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de
volumes exportados.
2.3 - Exportações dos Principais Produtos do
Agronegócio Brasileiro
A
tabela 5 apresenta os dados de valor e volume exportados dos principais
produtos dos grupos mais relevantes do agronegócio brasileiro e suas
respectivas variações no primeiro semestre de 2026, em comparação com igual
período de 2025.
Desses grupos relevantes, o
grupo complexo soja
aparece na primeira posição (40,1% de participação) nas exportações
brasileiras. No primeiro semestre de 2026, as vendas externas cresceram 15,8%
em valores e 8,0% em volumes exportados. O desempenho da soja em grão impactou
nesse resultado, com aumentos de 14,9% nos valores e de 7,1% nas quantidades
exportadas. Para o óleo de soja, os embarques apresentaram aumentos em receitas
de 47,2% e de 30,2% nos embarques, e o farelo de
soja teve variações positivas de 14,8% em valores e de 11,4% em volume. A China representa 58,0% das compras em
valores desse grupo, seguida por União Europeia (12,1%), Tailândia (4,1%),
Turquia (3,2%). Irã (2,8%) e Índia (2,6%); os demais países importadores somam
17,2%.
O grupo de carnes ocupa a
segunda posição na pauta brasileira (20,2% de participação), apresentando
ganhos de 26,3% em valores e 13,3% em volume em relação ao primeiro semestre de
2025. A carne bovina teve
aumentos em valores (+35,8%) e no volume exportado (+14,7%). Para a carne de
frango, foram registrados aumentos em valores (+17,9%) e nos embarques
(+13,6%), e a carne suína, crescimentos em valores (+8,3%) e na quantidade
(+10,5%). Neste grupo, a China se destacou como principal destino, com 32,6%
das compras de carnes; na sequência aparecem Estados Unidos (7,7%), União
Europeia (6,0%), Japão (5,4%) e Filipinas (4,2%); e os demais países somam
44,1% de participação.
Na terceira posição (9,4% de participação), aparece
o grupo de produtos florestais, que no primeiro semestre de 2026 registrou
quedas para valores (-5,7%) e no volume exportado (-8,5%). As variações de
valores e volume foram de, respectivamente, -4,0% e
-8,6% para a celulose (principal item do grupo), de -14,1% e -11,0% para a
madeira, e +0,7% e +0,6% para o papel. Os principais países importadores deste grupo
são China (31,1%), União Europeia (20,8%), Estados Unidos (15,2%), México
(3,2%) e Argentina (3,1%); os demais países participam com 26,6%.
O grupo do café ocupa a quarta posição e 7,5% de
participação, e apresentou reduções em valores (-16,0%) e em quantidade (-15,5%),
puxado pelo café verde, principal produto do grupo, com variações negativas de
17,2% em valores, e 16,5% em quantidades exportadas pelo país. Quanto às
participações dos países destinos das exportações em valores, a União Europeia
representa 46,6% desse grupo, seguida por Estados Unidos com 12,8%, Japão
(5,5%), Turquia (4,3%) e Rússia (3,3%); os demais países somam 27,5% de
participação.
O grupo complexo sucroalcooleiro (quinta posição e
5,3% de participação), no primeiro semestre de 2026, registrou quedas de 26,9%
em valores e de 6,7% em volumes exportados, acompanhando o comportamento das
exportações do açúcar (-25,2% em valores e -4,6% em volume). Para o álcool, os
embarques apresentaram reduções de valores (-50,0%) e em volumes (-53,4%),
quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Assim como no estado de São Paulo, os
destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de
participação dos países. Os resultados apontam a sequência composta por Índia
(8,1%), Arábia Saudita (7,7%), Argélia e Bangladesh (7,3%, cada um), Nigéria
(6,5%), China (6,2%), União Europeia (4,7%), Iraque (4,2%), Emirados Árabes
Unidos, Malásia, Egito e Iêmen (3,1%, cada um); os demais países importadores
somam 35,6% de participação.
Na sexta posição está o grupo de fibras e produtos têxteis (3,4% de
representatividade), que apresentou resultados positivos em valores (+11,1%) e em quantidades embarcadas (+19,9%). O
algodão não cardado nem penteado, principal item do grupo (93,6% de
representatividade no grupo), registrou maiores vendas em volume (+21,4%) e em
valores (+12,5%). Os principais destinos são China (21,0%), Bangladesh (17,1%),
Turquia (13,4%), Paquistão (12,2%), Vietnã (11,4%), Índia (7,5%) e Indonésia
(6,0%), restando 11,4% de participação para os demais países.
2.4 -
Destinos das
Exportações do Agronegócio Brasileiro
Em relação
aos destinos das exportações do agronegócio brasileiro no primeiro semestre de
2026, a China (US$30,54 bilhões, 35,1% de participação e crescimento de 10,5%
em relação ao ano anterior) é o principal destino, seguida da União Europeia
(US$12,62 bilhões, 14,5% de participação nos seis primeiros meses de 2026 e
variação positiva de 4,6%) e dos Estados Unidos (US$5,00 bilhões, participação
de 5,7% e variação negativa de 25,1%), impactado diretamente pelo tarifaço
imposta pelo país norte-americano em agosto de 2025 ainda sendo refletidos nas
exportações. A tabela 6 apresenta os 20 principais destinos das exportações
brasileiras no primeiro semestre de 2026, que somados representam 83,9% do
total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.
A China importou principalmente produtos do complexo soja (66,3%), carnes
(18,8%) e produtos florestais (8,3%), enquanto a União Europeia entre os
principais produtos da pauta de importações, predominam os grupos de complexo
soja (33,5), café (24,3%) e produtos florestais (13,5%). Já os Estados Unidos
apresentam em sua pauta principalmente os grupos de carnes (27,2%), produtos
florestais (24,9%), café (16,9%) e os demais grupos 28,5% (incluído nesse grupo
os sucos com 8,2%).
2.5 - Importações do Agronegócio Brasileiro
Os principais produtos da pauta de importação do agronegócio brasileiro no primeiro semestre de 2026 foram: trigo (US$613,42 milhões, contabilizando 2,77 milhões de toneladas, 22,4% inferior ao volume importado em relação a igual período de 2025), papel (US$593,68 milhões) e salmões (US$500,22 milhões). A figura 4 apresenta os dez principais produtos que representam 40,0% (US$3,99 bilhões) do total importado (US$9,97 bilhões).
3 - PARTICIPAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO BRASIL
A participação paulista
no total da balança comercial brasileira (todos os setores da economia), no
primeiro semestre de 2026, caiu 1,2 ponto percentual nas exportações e 0,5 p.p.
nas importações, apontando valores de 19,1% nas exportações e de 30,7% de representatividade
para as importações (Figura 5).
Para o agronegócio, as exportações setoriais de São
Paulo no primeiro semestre de 2026 representaram 15,3% em relação ao
agronegócio brasileiro, 1,4 p.p. menor em relação ao mesmo período de 2025, e
as importações aumentaram 0,8 p.p., passando de 28,9% para 29,7% (Figura 5).
A participação dos grupos do agronegócio
paulista no agronegócio nacional no primeiro semestre de 2026 se destacou nos
seguintes grupos de produtos, cuja participação em valores ultrapassa 50% do
total nacional: sucos (80,9%), produtos alimentícios diversos (70,2%), complexo
sucroalcooleiro (64,6%), demais produtos de origem vegetal (62,8%) e plantas
vivas e produtos de floricultura (61,3%) (Tabela 7).
Em relação aos principais estados exportadores em valores, São Paulo aparece na segunda posição com 15,3% de participação, atrás do estado do Mato Grosso (20,5%) que ocupa a primeira posição. Os estados de Minas Gerais (10,3%), Paraná (10,2%), Rio Grande do Sul (7,9%) e Goiás (6,7%) completam a lista (Figura 6). Esses seis estados somados representam 70,9% das exportações totais do agro brasileiro no primeiro semestre de 2026.
1Estado produtor (unidade
da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação,
é a unidade da Federação onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos
os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste
último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do
processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.
2Estado importador
(unidade da Federação importadora) é definido como a unidade da Federação do
domicílio fiscal do importador.
3Os grupos de
produtos dos agronegócios podem ser vistos na opção “Tabela de Agrupamentos” em
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA.
Agrostat. Brasília: MAPA, 2026.
Disponível em: http://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/AGROSTAT.html. Acesso
em: jul. 2026.
Palavras-chave:
agronegócio, balança comercial, exportações,
importações, comércio exterior, grupo de produtos, superávit, saldo.
Liberado para publicação em: 23/07/2026
COMO CITAR ESTE ARTIGO
ANGELO, J. A.; GHOBRIL, C. N.; OLIVEIRA, M. D. M. Balança
Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro, Primeiro Semestre de 2026. Análises
e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 7, p. 1-19, jul. 2026.
Disponível em: colocar o link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.

