1 - INTRODUÇÃO
O estado de São
Paulo é reconhecido como o berço da silvicultura nacional, especialmente no que
se refere ao cultivo do eucalipto. A necessidade de lenha no entorno das
ferrovias no início do século XX levou à introdução do eucalipto, espécie
australiana de rápido crescimento, bem como o fortalecimento da pesquisa
paulista voltada às florestas plantadas1.
Segundo o Instituto
Brasileiro de Árvores (2025)2,
o estado de São Paulo possui a terceira maior área cultivada com eucalipto no
Brasil (1.002.923 hectares), atrás de Minas Gerais (2.210.212 hectares) e Mato
Grosso do Sul (1.515.250 hectares). O destaque paulista deve-se pela relevância
de sua base industrial e logística, o que favorece a localização de plantios
florestais próximos aos centros processadores.
A
produção paulista se mantém como importante segmento para atender à crescente
demanda mundial e nacional por matéria-prima florestal3, especialmente destinada às indústrias de
celulose e papel (demanda industrial), de painéis de madeira (serraria) e de
biomassa para geração de energia (cavaco). Ademais, vincula-se a inúmeras
questões como demanda, capacidade industrial e processamento, inovações
tecnológicas e de produtos, e ganha destaque quando relacionado à
sustentabilidade ambiental. Desde que seu cultivo tenha o manejo adequado,
cumpre funções de sequestro de carbono, recuperação de áreas degradadas,
redução da pressão sobre as florestas nativas, de fonte de energia renovável,
em práticas de produção que conciliam produtividade econômica e conservação dos
recursos naturais, temas centrais da COP 2025, metas do acordo de Paris (2016)
e do recente mercado de carbono, o que reforça a necessidade de planejamento
territorial.
Este
estudo tem como objetivo estimar o valor da produção de eucalipto para 2024 e
2025, como estimativa do valor da produção florestal (VPF). Essa abordagem se
justifica pelo predomínio dessa cultura no estado de São Paulo, onde, de um
total de 1,29 milhão de hectares de florestas plantadas (incluindo eucalipto,
pínus, seringueira e outras espécies), cerca de 1,0 milhão de hectares são
ocupados pelo eucalipto4. Busca-se,
ainda, avaliar sua contribuição relativa para o valor da produção agropecuária
(VPA) estadual.
Para tanto, serão
sistematizados e analisados os dados disponíveis nos bancos do Instituto de
Economia Agrícola (IEA), em parceria com a Diretoria de Assistência Técnica
Integral (CATI), referentes à cultura do eucalipto no estado no último biênio
(2024-25), contemplando informações sobre área plantada, quantidade produzida e
preços médios recebidos pelos produtores.
2 - METODOLOGIA
O valor da produção
agropecuária é calculado a partir das informações de produção e preço médio
pago ao silvicultor e mede o faturamento da atividade agropecuária “dentro da
porteira”. Em caráter experimental, utilizando a metodologia desenvolvida pelo
IEA5, será avaliada a contribuição do eucalipto para a VPA. Em 20166,
o eucalipto figurava entre os principais produtos, com participação de 3,41% no
VPA. Em 2025, o eucalipto se manteve entre os produtos relevante no ranking
do VPA paulista, apesar da queda na participação para 1,68%7.
O VPF constitui
indicador capaz de refletir tanto a dinâmica produtiva quanto as condições de
mercado do setor, e se consolida como uma ferramenta relevante para a avaliação
econômica da silvicultura paulista, subsidiando análises setoriais, formulação
de políticas públicas e tomada de decisão dos agentes econômicos.
A
estimativa da evolução da área plantada é baseada no levantamento subjetivo de
informações e sistematizados pelo IEA/CATI, apoiado por dados das associações
do setor florestal e relatórios estaduais do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística/Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura/Produção Agrícola
Municipal (IBGE/PEVS/PAM)8.
Os preços médios
mensais recebidos pelos produtores9, levantados mensalmente pelo IEA
com colaboração da CATI, representam valores médios correntes nominais de
janeiro a dezembro para os anos de 2024 a 2025.
A partir desses
dados, é possível estimar o valor bruto da produção (VBP) do eucalipto no
estado, conforme a relação:
VBP=QxP
em que:
Q = quantidade; e
P = preço médio recebido.
3 – RESULTADOS
3.1 - Área
Segundo a Florestar, a distribuição do plantio de eucalipto ocorreu de forma concentrada em regiões do sudoeste paulista, centro-oeste e no Vale do Paranapanema, áreas que apresentam condições edafoclimáticas favoráveis e relativa disponibilidade de terras. Nesses territórios, a expansão da cultura do eucalipto teve uma grande ação associada à substituição de áreas ocupadas por pastagens extensivas ou por culturas agrícolas de menor rentabilidade.
Os dados da previsão
de safra subjetiva IEA/CATI, demonstram uma distribuição territorial da
produção, na qual destacam-se como principais municípios produtores de
eucalipto no estado de São Paulo: Agudos, Itapetininga, Itatinga, Angatuba,
Botucatu, Lençóis Paulista, Bofete, Cabrália Paulista, Capão Bonito, Itararé e
Paranapanema. Esses municípios configuram importantes polos da silvicultura
paulista, concentrando extensas áreas plantadas e apresentando forte integração
com a cadeia produtiva florestal.
As estimativas
setoriais indicam que atividade silvicultural, com predominância do eucalipto,
está presente em mais de 200 municípios paulistas, segundo dados do IEA/CATI,
evidenciando o elevado grau de difusão espacial da cultura, a dispersão
geográfica da produção e reforçando o caráter estruturante da cultura do
eucalipto no estado.
3.2 - Produção
Segundo
dados IEA/CATI em 2025, a produção de eucalipto no estado de São Paulo foi
estimada12 em 23.930.994 m³ (Figura 2), o que permite dimensionar a
magnitude quantitativa da atividade no contexto da silvicultura paulista. Essa
produção reflete um sistema produtivo altamente intensivo e integrado às
cadeias industriais de base florestal.
3.3 - Produtividade
A produtividade
média decorre da adoção de tecnologias avançadas, do uso de melhorias dos
materiais genéticos, da intensificação e mecanização, e do manejo florestal,
segundo a Florestar13. Os programas avançados de melhoramento
florestal visam maximizar o incremento médio anual, a uniformidade dos
povoamentos e a resistência a pragas e estresses ambientais. Paralelamente, a
incorporação de tecnologias modernas, como mecanização intensiva das operações
silviculturais, uso de sistemas de informação geográfica (SIG), sensoriamento
remoto e agricultura de precisão, tem contribuído para otimizar o planejamento
e a execução das atividades produtivas. Em 2024 houve uma produção e
produtividade menores, devido a fatores da produção, condições climáticas e
econômicos adversas, no período.
3.4 – Preços médios
Os preços médios
mensais recebidos pelos agricultores correspondem aos valores efetivamente
auferidos nas transações de venda dos produtos agropecuários ao primeiro elo do
sistema de comercialização, constituindo, portanto, uma medida representativa
da remuneração direta do produtor no momento inicial da circulação mercantil.
Esses preços são para os diferentes usos da madeira de eucalipto e evidenciam a
heterogeneidade associada às distintas finalidades, industriais e energéticas,
refletindo diferenças de uso e qualidade do mercado (Tabela 1).
Os dados IEA/CATI14,
no produto de valor agregado, o eucalipto destinado à geração de energia na
forma de cavaco, apresenta preço médio de R$80,33/m³, caracterizando-se como um
produto de exigência técnica e amplamente utilizado em caldeiras industriais e
geração de energia térmica. O eucalipto destinado à indústria, especialmente
com os diâmetros entre 14 cm e 18 cm, e 18 cm e 25 cm, registra preço médio de
R$125,68/m³, indicando maior valor em função de sua adequação a processos
industriais mais exigentes, como produção de celulose e painéis.
O eucalipto destinado à serraria apresenta o maior valor entre os segmentos analisados, com preço médio de R$162,53/m³, o que se explica pela necessidade de matéria-prima de maior qualidade, com melhor conformação do fuste e menores defeitos, apta à produção de madeira serrada. O eucalipto para tratamento, utilizado na produção de postes, mourões e dormentes, apresenta preço intermediário de R$134,26/m³, refletindo requisitos específicos de durabilidade e resistência após processos de preservação.
3.5 - Valor
Os
dados IEA, em 2025, estimaram que o valor anual gerado pela atividade
silvicultura do eucalipto no estado alcançou R$2,936 bilhões15. O
desempenho está associado à elevada produtividade dos plantios de eucalipto,
que se destacam pelo crescimento, pela adaptação às condições edafoclimáticas
regionais e pela ampla utilização industrial (Tabela 2).
4 - CONCLUSÕES E CENÁRIOS
As possibilidades
estratégicas para a cultura do eucalipto paulista indicam manutenção da
relevância econômica da cadeia florestal. Esses fatores, aliados a recentes
avanços no ambiente institucional e tributário, tendem a favorecer a manutenção
da capacidade produtiva e a atratividade do setor no estado.
A possível
trajetória futura da silvicultura paulista deverá ser marcada menos pela
expansão territorial e mais pela intensificação produtiva, inovação tecnológica
e fortalecimento das conexões com cadeias industriais, assegurando sua
competitividade no contexto nacional e internacional.
Esse
resultado evidencia a expressiva contribuição da cultura do eucalipto para a
economia agropecuária paulista, especialmente considerando que se trata apenas
de um segmento dentro da silvicultura. O valor estimado é compatível com a
participação relevante do setor florestal no conjunto do valor bruto da
produção agropecuária do estado.
1INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS FLORESTAIS. A
história do IPEF na silvicultura brasileira: 1968–2008. Piracicaba: IPEF,
2008.
2INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ÁRVORES. Relatório anual 2025.
Brasília: IBA, 2025. Disponível em:
https://iba.org/wp-content/uploads/2025/10/relatorioAnual2025.pdf. Acesso em:
mar. 2026.
3FLORESTAR – INDÚSTRIA FLORESTAL PAULISTA. Publicação
setorial 2026. São Paulo: Florestar, 2026.
4Op. cit. nota 3.
5INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Valor da produção dos
principais produtos da agropecuária do Estado de São Paulo (Metodologia).
São Paulo: IEA, [202-?]. Disponível em:
https://infoiea.agricultura.sp.gov.br/bancodedados/valorproducao. Acesso em: maio
2026.
6SILVA, J. R. da. et al. Valor da Produção Agropecuária
do Estado de São Paulo: resultado final 2016. Análises e Indicadores do Agronegócio,
São Paulo, v. 12, n. 4, abr. 2017, p. 1-6. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=14277.
Acesso em: maio 2026.
7VEGRO, C. L. R. et
al. Valor da Produção Agropecuária Paulista 2025.
Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 5, maio. 2026,
p. 1-8. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=16329.
Acesso em: maio 2026.
8INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção da Extração Vegetal e da
Silvicultura (PEVS); Produção Agrícola Municipal (PAM). Rio de Janeiro:
IBGE, [202-?]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: mar. 2026.
9INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Banco de dados: estatísticas
de preços médios. São Paulo: IEA, 2025. Disponível em: http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/precos_medios.aspx?cod_sis=2.
Acesso em: Acesso em: mar. 2026.
10INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Banco de dados: estatísticas
da produção paulista. São Paulo: IEA, 2025. Disponível em: http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/subjetiva.aspx?cod_sis=1&idioma=1
Acesso em: 13 abr. 2026.
11Op. cit. nota 3.
12Op. cit. nota 10.
13Op. cit. nota 3.
14Op. cit. nota 9.
15Op. cit. nota 7.
Palavras-chave: valor da produção de eucalipto para
2024 e 2025, valor da produção florestal (VPF), São Paulo.
Liberado para publicação
em: 20/05/2026
COMO
CITAR ESTE ARTIGO
MIURA, M.; COELHO, P. J.; FRANCA, T. J. F. Produção
de Eucalipto no Estado de São Paulo, Área e o Valor Estimado, 2021-25, São Paulo,
v. 21, n. 5, maio. 2026, p. 1-7. Disponível em: colocar o link do artigo.
Acesso em: dd
mmm. aaaa.

