1 - BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

No primeiro trimestre de 2026, as exportações do estado de São Paulo1 somaram US$15,67 bilhões (19,0% do total nacional), e as importações2, US$20,91 bilhões (30,7% do total nacional), registrando déficit comercial de US$5,24 bilhões (Figura 1). Em relação ao mesmo período de 2025, houve quedas nas exportações (-1,5%) e nas importações (-4,6%); essa conjunção de desempenhos resultou na diminuição do déficit (-12,8%) no saldo da balança comercial paulista.

A corrente de comércio paulista (que é a soma das exportações e importações) atingiu US$36,58 bilhões nos primeiros três meses de 2026, recuo de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

1.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial do agronegócio3, no primeiro trimestre de 2026 na comparação a igual período do ano anterior, o setor paulista apresentou reduções nas exportações (-9,5%), alcançando US$6,03 bilhões, e aumento nas importações (+2,7%), totalizando US$1,54 bilhão; com esses resultados, o saldo da balança comercial obteve um superávit de US$4,49 bilhões, 13,0% inferior em relação ao primeiro trimestre de 2025 (Figura 1). Contribuíram para o resultado de queda nas exportações (-9,5%) os menores preços do açúcar e dos sucos de laranja, importantes produtos na pauta do agro paulista, apesar de exibirem no primeiro trimestre de 2026 aumentos nos volumes embarcados.

A participação das exportações do agronegócio paulista no total do estado foi de 38,5%, enquanto a participação das importações setoriais ficou em 7,4% (Figura 1). Em relação ao primeiro trimestre de 2025, as participações recuaram 3,4 pontos percentuais nas exportações e crescimento de 0,6 p.p. nas importações.

Há que se destacar que as exportações paulistas nos demais setores da economia - exclusive o agronegócio - somaram US$9,64 bilhões, e as importações, US$19,37 bilhões, gerando um déficit externo desse agregado de US$9,73 bilhões nos primeiros três meses de 2026. Dessa forma, conclui-se que o déficit do comércio exterior paulista só não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, cujo saldo se manteve positivo (US$4,49 bilhões).

 

1.2 - Exportações do Agronegócio Paulista por Grupos de Produtos

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista no primeiro trimestre de 2026 foram: complexo sucroalcooleiro (US$1,54 bilhão, sendo que desse total o açúcar representou 95,3% e o álcool etílico – etanol, 4,7%), setor de carnes (US$972,08 milhões, em que a carne bovina respondeu por 81,7%), produtos florestais (US$837,38 milhões, com participações de 66,2% de celulose e 28,3% de papel), o grupo de sucos (US$534,69 milhões, dos quais 97,2% referentes a suco de laranja) e grupo complexo soja, com vendas de US$504,32 milhões (82,8% de soja em grão e 10,3% referentes ao farelo). 

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista no primeiro trimestre de 2026 foram: complexo sucroalcooleiro (US$1,54 bilhão, sendo que desse total o açúcar representou 95,3% e o álcool etílico – etanol, 4,7%), setor de carnes (US$972,08 milhões, em que a carne bovina respondeu por 81,7%), produtos florestais (US$837,38 milhões, com participações de 66,2% de celulose e 28,3% de papel), o grupo de sucos (US$534,69 milhões, dos quais 97,2% referentes a suco de laranja) e grupo complexo soja, com vendas de US$504,32 milhões (82,8% de soja em grão e 10,3% referentes ao farelo). 

Esses cinco agregados representaram 72,9% das vendas externas setoriais paulistas (Tabela 1). O grupo de café, tradicional na produção paulista apresenta, no trimestre, vendas de US$418,62 milhões (71,7% referentes ao café verde e 24,9% de café solúvel).


Ainda de acordo com a tabela 1, no acumulado do primeiro trimestre de 2026 na comparação com igual período de 2025, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com aumentos para produtos florestais (+10,3%) e setor de carnes (+9,5%), e quedas nos grupos de sucos (-41,2%), complexo sucroalcooleiro (-14,2%), complexo soja (-10,8%) e do setor de café (-10,2%). Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

 

1.3 - Exportações dos Principais Produtos do Agronegócio Paulista

Os dados de valor e volume exportados dos principais produtos dos grupos mais relevantes do agronegócio paulista no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior são apresentados na tabela 2.

 

Desses grupos relevantes, o sucroalcooleiro é o que apresenta a maior participação (25,6%) nas exportações paulistas. No total, o grupo apresentou queda de 14,2% em valores e aumento de 12,9% em volumes exportados, acompanhando a redução do faturamento das vendas do açúcar (-7,3% em valores e +20,1% em volume), principal produto do grupo, com desvalorizações nos preços médios dessas commodities de 22,6% para açúcar em bruto e 21,0% para o refinado, quando comparados com o primeiro trimestre de 2025. Para o álcool, os embarques apresentaram variações negativas de 70,2% em volume e de 65,9% em valores. Os destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de participação em valores dos países, e os resultados apresentam como principais compradores: Índia (14,3%), Nigéria (9,4%), Bangladesh (8,1%), Emirados Árabes Unidos (7,9%), Arábia Saudita (7,6%), Iraque (5,3%), Argélia (5,1%) e Malásia (3,8%); os demais países somam 38,5%.

Na segunda posição no primeiro trimestre de 2026, aparece o grupo de carnes com 16,1% de representatividade no agro paulista, que registrou alta em valores (+9,5%) e em volumes embarcados (+0,5%) em relação a igual período de 2025. A carne bovina, principal produto, teve crescimento de 8,4% em valores e queda de 4,9% no volume exportado. Para a carne de frango, segundo produto com 15,7% de participação no grupo, o desempenho obtido foi positivo nas vendas em valores (+22,4%) e em volumes (+10,4%). A carne suína (0,6% de participação) apresentou variações negativas em valores (-58,7%) e na quantidade embarcada (-22,2%). Os principais destinos em participação são China (40,7%), Estados Unidos (16,2%), União Europeia (7,8%), Filipinas (3,7%), Arábia Saudita (3,4%) e Hong Kong (2,5%), enquanto os demais países compradores somam 25,7% de participação.

O grupo dos produtos florestais ocupa a terceira posição na pauta paulista com 13,9% de participação, e seu desempenho foi de aumento em valores (+10,3%) e queda na quantidade embarcada (-13,0%) em relação a igual período do ano anterior. As exportações dos produtos de celulose, principal item do grupo, apresentou incremento em valores (+32,4%) e menores embarques (-12,7%). Já o papel obteve variações negativas para os valores (-12,1%) e em volumes (-10,7%). O principal destino em participação de valores exportados é a China (51,2%), seguida de União Europeia (12,0%), Argentina (4,6%), Reino Unido (4,1%), Peru (3,4%), Estados Unidos (3,1%) e Egito (2,5%); os demais países somam 19,1% de participação.

O grupo de sucos ocupa a quarta posição com 8,9% de representatividade na pauta paulista. O suco de laranja (FCOJ concentrado e congelado) registrou queda de 23,9% no valor e incremento de 33,0% no volume exportado. Para o suco NFC (não congelado, valor brix <=20), as vendas externas também foram menores em valores (-34,7%) e maiores em volumes (+8,5%), e houve quedas para os outros sucos de laranja não fermentados, com reduções em valores (-64,6%) e em volumes (-18,5 %). A variação total das exportações do grupo de sucos, que foi negativa em valores (-41,2%) e positiva nas quantidades embarcadas (+7,9%), contribui para esse resultado negativo as desvalorizações dos preços dos sucos no período analisado (FCOJ 42,8%, NFC 39,9% e outros sucos de laranja não fermentados 56,6%). Os maiores compradores desse grupo são União Europeia (52,0%), Estados Unidos (34,9%), Japão (3,6%), Reino Unido (3,3%) e China (2,5%); os demais compradores têm 3,7% de participação.

O grupo composto pelo complexo soja (quinta posição e 8,4% de participação) teve reduções nos embarques (-10,8%) e em valores (-16,8%); os resultados obtidos pela soja em grão, principal produto do grupo, são de quedas nos volumes (-15,4%) e em valores
(-10,9%).
A China aparece como principal destino em termos de participação de valores (67,7%), seguida de Índia (4,3%), Irã (4,2%), Tailândia (3,9%), Indonésia (3,4%) e Taiwan (3,2%); os demais importadores somam 13,3% de representatividade.

Para o grupo do café (6,9% de participação), os resultados apontaram reduções de 10,2% nos valores e 22,1% no volume das exportações paulistas, influenciado pelo comportamento do café verde (principal produto deste grupo), com quedas nas vendas externas de 12,5% em valores e de 27,4% em quantidades exportadas pelo estado. O café solúvel apresentou variações negativas de 3,1% em valores e positiva para quantidades de 8,9%. As importações dos Estados Unidos recuaram no primeiro trimestre de 2026 para os cafés verde (-55% em valor e 62% no volume) e solúvel (-56% valor e 44% em volume), impactando nos resultados do setor. A União Europeia é o principal destino e suas compras representam 49,3% do valor exportado. Na sequência aparecem Estados Unidos (9,4%), Rússia (6,8%), Canadá (5,0%), Japão (4,1%) e Argentina (3,3%); os demais países participam com 22,1%.

 

1.4 - Destinos das Exportações do Agronegócio Paulista        

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio paulista no primeiro trimestre de 2026, a China foi o principal destino, com US$1,43 bilhão, e detendo 23,6% de participação no total do agro paulista, com variação positiva de 10,1% em relação ao valor do mesmo período do ano de 2025. Na segunda posição aparece a União Europeia (US$954,87 milhões, com 15,8% de participação nos três primeiros meses 2026 e variação negativa de 11,9% no valor ante ao período em 2025), seguida pelos Estados Unidos (US$565,24 milhões, participação de 9,4% e variação negativa de 45,6% em valores). Na sequência, completando os 10 principais destinos em termos de participação, aparecem Índia (4,6%), Arábia Saudita e Bangladesh (2,6%, cada um), Nigéria e Emirados Árabes Unidos (2,4%, cada um), Reino Unido (2,3%) e Argentina (1,8%). A tabela 3 apresenta os 20 principais destinos das exportações paulistas no primeiro trimestre de 2026, que somados representam 80,3% do total, com as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.

Ainda de acordo com a tabela 3, observa-se uma diferenciação na composição das pautas dos principais parceiros comerciais do agronegócio paulista. A China importou principalmente produtos de grupos florestais (30,1%), carnes (27,8%), complexo soja (24,0%) e demais grupos (14,4%), enquanto na União Europeia, entre os principais produtos da pauta de importações paulista, predominam os produtos do grupo de sucos (29,1%, basicamente suco de laranja), com destaques para os grupos de café (21,6%), produtos florestais (10,5%), carnes (7,9%) e demais grupos possuem participação de 23,9%. Já os Estados Unidos apresentam pauta mais diversificada, composta principalmente por sucos (33,0%), grupo das carnes (27,9%), café (6,9%), sucroalcooleiro (4,7%), produtos florestais (4,5%) e os demais grupos (22,8%). Na sequência, os países que ocupam da 4ª até a 10ª posição têm elevada concentração de suas importações no complexo sucroalcooleiro (sendo quase a totalidade em açúcar de cana), todos acima de 70,0% de representatividade, menos o Reino Unido (27,8%). Apresenta-se como exceção a Argentina que tem como principal produto o grupo de produtos florestais (35,1%).

  

1.5 - Importações do Agronegócio Paulista

Os principais produtos da pauta de importação do agronegócio paulista no primeiro trimestre de 2026 foram: salmões (US$131,12 milhões), papel (US$128,79 milhões), e álcool etílico (US$96,25 milhões). Esse resultado reflete um desequilíbrio atípico no setor sucroenergético, causado por uma combinação de fatores climáticos, estratégias de estocagem e a transição entre as safas caracterizada por quebra de safra e entressafra prolongada (o gasto elevado com importações é um reflexo direto do câmbio da necessidade de manter fornecimento de etanol anidro essencial para a mistura de 27% na gasolina brasileira). A figura 2 apresenta os dez principais produtos que representam 46,6% (US$720,42 milhões) do total importado (US$1,54 bilhão).

 

2 - BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL

A balança comercial brasileira registrou superávit de US14,18 bilhões no acumulado do primeiro trimestre de 2026, com exportações de US$82,34 bilhões e importações de US$68,16 bilhões. Esse resultado apresenta crescimento de 47,6% no superávit em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando alcançou US$9,61 bilhões (Figura 3), e a corrente de comércio (soma das exportações e importações) cresceu 4,4%, atingindo US$150,56 bilhões nos primeiros três meses de 2026.

 

2.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial, as exportações do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2026 (Figura 3) apresentaram aumento de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando o valor de US$38,09 bilhões (46,3% do total nacional). As importações recuaram 3,3% no período, registrando US$5,01 bilhões (7,4% do total nacional).

O saldo da balança comercial dos agronegócios registrou superávit de US$33,08 bilhões, sendo 1,6% maior na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (Figura 3).

Portanto, o comércio exterior brasileiro só não foi deficitário devido ao desempenho do agronegócio, uma vez que os demais setores da economia, com exportações de US$44,25 bilhões e importações de US$63,15 bilhões, produziram um déficit de US$18,90 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

 

2.2 - Exportações do Agronegócio Brasileiro por Grupos de Produtos

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2026 foram: complexo soja (US$12,13 bilhões, tendo a soja em grão com 79,5% de participação e 15,6% do farelo de soja), carnes (US$8,12 bilhões, com as carnes bovina, de frango e suína representando desse total, respectivamente, 52,9%, 33,4% e 11,2%), produtos florestais (US$3,94 bilhões, com participações de 66,0% de celulose e 19,5% de madeira), grupo do café, com vendas de US$3,32 bilhões (91,5% referentes ao café verde e 7,6% de café solúvel) e grupo sucroalcooleiro (US$2,33 bilhões, sendo que desse total o açúcar representou 95,1% e o álcool etílico – etanol, 4,7%).

Esses cinco grupos agregados representaram 78,2% das vendas externas setoriais brasileiras (Tabela 4). Na sexta posição aparece o grupo de cereais, farinhas e preparações (US$2,08 bilhões, sendo 71,4% do milho em grão).


 

Ainda conforme a tabela 4, na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos do agronegócio brasileiro, com destaque positivo para o grupo de carnes (+21,8%), complexo soja (+11,5%), e cereais, farinhas e preparações (+8,6%), enquanto os grupos de complexo sucroalcooleiro (-22,4%), café (-19,2%) e florestais (-10,1%) apresentaram reduções. Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

 

2.3 - Exportações dos Principais Produtos do Agronegócio Brasileiro

A tabela 5 apresenta os dados de valor e volume exportados dos principais produtos dos grupos mais relevantes do agronegócio brasileiro e suas respectivas variações no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o primeiro trimestre de 2025.


Desses grupos relevantes, o grupo complexo soja aparece na primeira posição (31,8% de participação) nas exportações brasileiras. No primeiro trimestre de 2026, as vendas externas cresceram 11,5% em valores e 6,1% em volumes exportados. O desempenho da soja em grão impactou nesse resultado, com aumentos de 11,4% nos valores e de 5,9% nas quantidades exportadas. Para o óleo de soja, os embarques apresentaram aumentos em receitas de 46,9% e de 32,8% nos embarques, e o farelo de soja teve variações positivas de 4,3% em valores e de 5,1% em volume. A China representa 54,7% das compras em valores desse grupo, seguida por União Europeia (11,8%), Tailândia (5,0%), Indonésia (3,5%) e Índia (3,0%); os demais países importadores somam 22,0%.

O grupo de carnes ocupa a segunda posição na pauta brasileira (21,3% de participação), apresentando ganhos de 21,8% em valores e 10,4% em volume em relação ao primeiro trimestre de 2025. A carne bovina teve aumentos em valores (+34,1%) e no volume exportado (+17,6%). Para a carne de frango, foram registrados aumentos em valores (+7,3%) e nos embarques (+5,4%), e a carne suína, crescimentos em valores (+16,8%) e na quantidade (+17,3%). Neste grupo, a China se destacou como principal destino, com 27,6% das compras de carnes; na sequência aparecem Estados Unidos (8,4%), União Europeia (6,3%), Filipinas (5,3%) e Japão (5,2%); e os demais países somam 47,2% de participação.

Na terceira posição (10,3% de participação), aparece o grupo de produtos florestais, no primeiro trimestre de registrou quedas para valores (-10,1%) e no volume exportado (-10,8%). As variações de valores e volume foram de, respectivamente, -6,3% e -8,6% para a celulose (principal item do grupo), de -23,9% e -20,5% para a madeira, e -4,1% e -0,4% para o papel. Os principais países importadores deste grupo são China (33,4%), União Europeia (20,9%), Estados Unidos (12,6%), Argentina (3,0%) e México (2,6%). Os demais países participam com 27,5%.

O grupo do café ocupa a 4ª posição e 8,7% de participação, apresentou reduções em valores (-19,2%) e em quantidade (-30,7%), puxado pelo café verde, principal produto do grupo, com variações negativas de 20,1% em valores, e 31,7% em quantidades exportadas pelo país. Quanto às participações dos países destinos das exportações em valores, a União Europeia representa 48,3% desse grupo, seguida por Estados Unidos com 12,6%, Japão (6,0%), Turquia (4,2%) e Rússia (3,7%); os demais países somam 25,2% de participação.

O grupo complexo sucroalcooleiro (quinta posição e 6,1% de participação) registrou no primeiro trimestre de 2026 queda de 22,4% em valores e aumento de 1,8% em volumes exportados, acompanhando o comportamento das exportações do açúcar (-19,1% em valores e +5,8% em volume). Para o álcool, os embarques apresentaram reduções de valores (-57,5%) e em volumes (-61,1%), quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Assim como no estado de São Paulo, os destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de participação dos países. Os resultados apontam a sequência composta por Índia (12,3%), Bangladesh e Nigéria (7,7%, cada um), Argélia (6,7%), Arábia Saudita (6,6%), Emirados Árabes Unidos (6,2%), Iraque (5,4%), Iêmen (3,8%), União Europeia (3,4%) e Malásia (3,2%); os demais países importadores somam 37,0% de participação.

Na sexta posição está o grupo de cereais, farinhas e preparações (5,5% de representatividade), que apresentou resultados positivos em valores (+8,6%) e em quantidades embarcadas (+12,0%). O milho em grão, principal item do grupo (71,4% de representatividade no grupo), registrou maiores vendas em volume (+15,2%) e em valores (+13,6%). Os principais destinos são Vietnã (18,3%), Egito (17,7%), Irã (14,8%), Argélia (5,9%) e Venezuela (4,5%), restando 38,9% de participação para os demais países.

 

2.4 - Destinos das Exportações do Agronegócio Brasileiro 

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2026, a China (US$11,34 bilhões, 29,8% de participação e variação positiva de 4,7% em relação ao ano anterior) é o principal destino, seguida da União Europeia (US$5,67 bilhões, 14,9% de participação nos três primeiros meses de 2026 e variação negativa de 0,1%) e dos Estados Unidos (US$2,24 bilhões, participação de 5,9% e variação negativa de 31,2%), impactado diretamente pelo tarifaço imposta pelo país norte americano em agosto de 2025, que ainda estão sendo refletidos nas exportações. A tabela 6 apresenta os 20 principais destinos das exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2026, que somados representam 81,6% do total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.   

A China importou principalmente produtos do complexo soja (58,5%), carnes (19,8%) e produtos florestais (11,6%), enquanto na União Europeia, entre os principais produtos da pauta de importações, predominam os grupos de café (28,2%) complexo soja (25,2%) e produtos florestais (14,5%). Já os Estados Unidos apresentam em sua pauta principalmente os grupos de carnes (30,6%), produtos florestais (22,1%), café (18,5%) e os demais grupos 26,6% (incluído nesse grupo os sucos).

 

2.5 - Importações do Agronegócio Brasileiro

Os principais produtos da pauta de importação do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2026 foram: papel (US$290,94 milhões), seguido por trigo (US$266,70 milhões, contabilizando 1,25 milhão de toneladas, 36,1% inferior ao volume importado em relação a igual período de 2025) e salmões (US$260,57 milhões). A figura 4 apresenta os dez principais produtos que representam 40,2% (US$2,02 bilhões) do total importado (US$5,01 bilhões).

 

3 - PARTICIPAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO BRASIL

A participação paulista no total da balança comercial brasileira (todos os setores da economia), no primeiro trimestre de 2026, caiu 1,7 ponto percentual nas exportações e 1,9 p.p. nas importações, apontando valores de 19,0% nas exportações e de 30,7% de representatividade para as importações (Figura 5).



Para o agronegócio, as exportações setoriais de São Paulo no primeiro trimestre de 2026 representaram 15,8% em relação ao agronegócio brasileiro, 1,8 p.p. menor em relação ao mesmo período de 2025, e as importações aumentaram 1,7 p.p., passando de 29,0% para 30,7% (Figura 5).

A participação do agronegócio paulista no agronegócio nacional no primeiro trimestre de 2026 se destacou nos seguintes grupos de produtos, cuja participação em valores ultrapassa 50% do total nacional: sucos (79,2%), produtos alimentícios diversos (68,9%), complexo sucroalcooleiro (66,1%) e demais produtos de origem vegetal (62,0%) (Tabela 7).

 


 

Em relação aos principais estados exportadores em valores, São Paulo aparece na segunda posição com 15,8% de participação, atrás de Mato Grosso (20,9%). Os estados do Paraná (10,6%), Minas Gerais (10,3%), Rio Grande do Sul (8,0%) e Mato Grosso do Sul (6,4%) completam a lista (Figura 6). Esses seis estados somados representam 72,0% das exportações totais do agro brasileiro no primeiro trimestre de 2026.




 

 

1Estado produtor (unidade da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação, é a Unidade da Federação onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.

2Estado importador (unidade da Federação importadora) é definido como a unidade da Federação do domicílio fiscal do importador.

3Os grupos de produtos dos agronegócios podem ser vistos na opção Tabela de Agrupamentos em MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Agrostat. Brasília: MAPA, 2026.  Disponível em: http://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/AGROSTAT.html. Acesso em: abr. 2026.


 

 

Palavras-chave: agronegócio, balança comercial, exportações, importações, comércio exterior, grupo de produtos, superávit, saldo.


 

 

Liberado para publicação em: 27/04/2026

 

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE ARTIGO

ANGELO, J. A.; OLIVEIRA, M. D. M.; GHOBRIL, C. N. Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro, Primeiro Trimestre de 2026. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 4, p. 1-18, abr. 2026. Disponível em: colocar o link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.