Em levantamento abrangendo o período de 19 a 23 de agosto do corrente ano, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) contabilizou as perdas da cultura do trigo em função das geadas ocorridas em julho no Estado do Paraná, maior produtor do país. O esperado aumento de 26,5% nesta safra 2013/14 em relação à safra anterior foi neutralizado por perdas estimadas em 26,0%, recuando, portanto, de 2,7 milhões de toneladas para 2,0 milhões de toneladas. Este percentual diz respeito às perdas físicas, mas a qualidade do remanescente deverá ficar prejudicada e boa parte encontrará uso apenas no arraçoamento animal. Assim, muitos triticultores paranaenses não deverão se beneficiar dos elevados preços do trigo que se verifica no momento. Essas adversidades climáticas agravaram a pressão sobre os preços recebidos pelos triticultores que já vinha ocorrendo em função da desvalorização do real (Figuras 1 e 2), bem como da perspectiva de menor disponibilidade de trigo originário da Argentina, principal fonte de abastecimento do produto no mercado nacional.

Em São Paulo, o levantamento
de previsão de safra do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria
de Assistência Técnica Integral (CATI) de junho mostra
crescimento de 61% na área cultivada com trigo em 2013, e produção de 174 mil
toneladas, 62% superior ao período anterior. Esse resultado não deverá se
concretizar em função de que aqui a cultura também foi atingida por
adversidades climáticas. Excesso de chuva e geadas em junho estão acarretando
perdas físicas e também de qualidade. Técnicos que atuam nas duas principais
regiões de trigo do Estado de São Paulo, Escritório de Desenvolvimento Rural
(EDR) de Itapeva e EDR de Avaré, com respectivamente 80% e 30% da área já
colhida, preveem perdas físicas da ordem de 20%, além das qualitativas.
Embora a participação da produção paulista de
trigo no total nacional seja menos que 2%, a cultura tem importância regional e
aquelas lavouras instaladas mais cedo foram atingidas pelas chuvas na época da
florada, o que propiciou maiores níveis de infestação de doenças, além dos
prejuízos com as geadas. A moagem de trigo do país concentra-se no Paraná e em
São Paulo. Depois da desregulamentação, o número de moinhos do país aumentou
expressivamente nas regiões Sul e Sudeste, respectivamente, a maior produtora e
a maior consumidora de trigo e seus produtos. Os preços recebidos pelos
triticultores paulistas estão variando de R$600,00 por tonelada, para produto
classificado como triguilho, até R$1100,00, para trigo de boa qualidade.
Os preços dos principais produtos do trigo estão
sendo impactados uma vez que, de acordo com dados do IEA, os preços do pão
francês no varejo da cidade de São Paulo em agosto do corrente foram 13%
superiores aos do mesmo mês do ano passado. Da mesma forma, os preços do
macarrão evoluíram 11% (Figuras 3 e 4).
A diminuição do excedente exportável da Argentina,
bem como problemas internos que dificultam a comercialização, faz com que os
importadores brasileiros procurem fontes alternativas de abastecimento,
ampliando as negociações com o Paraguai, Uruguai e Estados Unidos, principalmente.
O governo brasileiro suspendeu o imposto de importação incidente quando de
países de fora do MERCOSUL, tendo em vista a regularização do abastecimento
nacional. Espera-se que os preços venham a se arrefecer com a entrada das
safras desses países do MERCOSUL na sequência do Paraguai, a partir de setembro
e, mais para frente, do Uruguai e Argentina.
A produção mundial em 2013/14, segundo relatório de setembro do USDA, deverá atingir o volume recorde de 708,89 milhões de toneladas. A queda de 7,0% prevista para a produção estadunidense deverá ser largamente compensada pelo aumento da produção de outros países e regiões grandes exportadores como a União Europeia, Canadá, Austrália e os países da ex-União Soviética.
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Palavras-chave: produção de trigo.

