1 - Introdução
 

            O resultado da estimativa de safra de laranja no Estado de São Paulo é produto de parceria entre a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (SAA) – Instituto de Economia Agrícola (IEA) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) -, e a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), pertencente ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
 

            A metodologia de levantamento das informações baseou-se em desenho de amostra probabilística estratificada2 e o sorteio fundamentou-se no sistema de referência Projeto LUPA, atualizado para o ano civil 20113.
 

            As informações colhidas têm por referência o período da safra 2011/12, tendo a coleta dos dados ocorrida entre julho e agosto de 2011, mediante aplicação de questionário estruturado ao responsável pela unidade de produção agrícola.
 

2 - Resultados e Discussão

 

            As condições climáticas vêm favorecendo a safra 2011/2012 de laranja no Estado de São Paulo. O longo período de estiagem no ano de 2010 beneficiou a florada, e a quantidade de chuva adequada também fez com que o 'pegamento' dos frutos fosse bom, assim como seu desenvolvimento. As condições encontradas no campo são de frutos de bom calibre e pés carregados, o que aponta para uma boa safra.
 

            A colheita das precoces foi boa e espera-se o mesmo para as tardias, pois nesse ano não houve grande estiagem. Inclusive em algumas regiões, houve chuva de até 20 mm, o que ocasionou uma pequena florada que poderá influenciar a próxima safra.
 

            Tais influências climáticas também favoreceram as condições para os tratos fitossanitários dos pomares citrícolas e colheita homogênea.
 

            Para o ano safra 2011/12, estima-se produção comercial de 377,1 milhões de caixas de 40,8 kg para o Estado de São Paulo, aproximadamente 27% superior à safra passada, não estando incluídos neste total 6,3 milhões de caixas de 40,8 kg, provenientes de pomares não expressivos economicamente e perdas relativas ao processo produtivo e colheita (Tabela 1). 


 

Tabela 1 – Estimativas Preliminares da Safra de Laranja, Ano-safra 2011/12, Estado de São Paulo, Agosto de 2011

 


 

¹Inclui produção de pomares não expressivos economicamente e perdas relativas ao processo produtivo e à colheita.

Fonte: Elaborada a partir de dados da CONAB/CATI/IEA.

 

            Quanto ao destino da produção comercial, foi declarado pelos entrevistados que a intenção é destinar 86% às indústrias processadoras de suco e 14% ao mercado in natura (Tabela 1).


            São aguardadas para a presente safra produtividades de 1,92 cx. 40,8 kg por planta (o que corresponde a 705 cx. 40,8 kg por hectare), 10% superior à obtida na safra passada, que foi de 1,75 cx. 40,8 kg por planta (Tabela 1).
 

            Por conta dos bons preços praticados na safra anterior, o citricultor pode investir nos tratos culturais dos pomares, favorecendo a sanidade do pomar, o que reflete diretamente no volume da produção, na qualidade da fruta colhida e consequentemente no rendimento industrial da fruta.
 

            A estimativa de percentual do volume produzido a ser colhido por mês é de que o pico de colheita será entre agosto e outubro de 2011, quando se estima que 75,4% da safra neste ano já vai estar colhida. Devido às condições climáticas favoráveis, a safra poderá se estender até fevereiro, totalizando dez meses de colheita (Tabela 1).
 
 

2.1 - Mão de obra na cultura da laranja
 

            De acordo com levantamento realizado em julho a agosto de 2011, a mão de obra ocupada nas atividades citrícolas no Estado de São Paulo era de 264,6 mil pessoas, sendo 55,8 mil de caráter permanente e 208,8 mil volantes ou temporários. As participações das categorias no trabalho permanente foram: proprietário, arrendatário, parceiro e seus familiares com 43%, mensalista com 34%, tratorista com 18% e administrador com 5% (Tabela 2). 

  Tabela 2 - Número de Pessoas Ocupadas na Cultura de Laranja, por Categoria de Trabalho, Estado de São Paulo, Agosto de 2011

 

Fonte: Elaborada a partir de dados da CONAB/IEA/CATI
 

            Por ser esta cultura colhida de forma eminentemente manual, a ocupação de mão de obra volante é expressiva na época do levantamento e, certamente, nos meses subsequentes. As condições climáticas nesta safra foram favoráveis à cultura, resultando em florada homogênea e, com isso, em boa colheita.
 

            Para o colhedor, esta é a principal época de trabalho, pois outras culturas estão sendo colhidas, como por exemplo a cana-de-açúcar. Ter a possibilidade de escolha favorece o valor de seu trabalho. No entanto, para os citricultores este é um dos gargalos, dada a concorrência com as outras atividades, o que afeta o valor pago por caixa colhida. Ressalte-se, também, a não especialização do indivíduo devido à migração contínua entre as atividades com melhor remuneração. Contudo, esta cultura tende a manter-se como importante fonte de ocupação de mão de obra nas regiões em que estiver instalada devido à dificuldade de mecanização na colheita, a qual exige muita habilidade e cuidado com a integridade do fruto.

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1Os autores agradecem à equipe de campo da CATI o desempenho na coleta dos dados.
 

2CAMARGO, F. P. ; FRANCISCO, V.L.F.S Estimativa de Safra de Laranja no Estado de São Paulo, Informações Econômicas, São Paulo, v.41, n.5, p. 33-46, maio 2011.
 

3TORRES, A. J. et al. (Org.) Projeto LUPA 2007/2008: censo agropecuário do estado de São Paulo. São Paulo: IEA/CATI/SAA, 2009. Disponível em: < http://www.cati.sp.gov.br/projetolupa>. Acesso em: jan. 2011.
 

Palavras-chave: estimativa de safra, laranja.