Valor da Produção Agropecuária Paulista: resultado preliminar de 2025


A estimativa preliminar de 2025 contabilizou o montante de R$171,61 bilhões, uma ligeira elevação no VPA de 0,55% em termos reais comparado ao obtido com a estimativa final de 2024 que foi de R$170,67 bilhões (Tabela 1)1. Observações preliminares indicam que há tendência de prevalência desse crescimento impulsionada pelo vetor preços frente ao vetor produção.

O bom desempenho da carne bovina e de frango, café beneficiado, soja, ovos e leite foi em magnitude capaz de compensar as substanciais quedas observadas na cana-  -de-açúcar e laranja para indústria (produção e preços em ambos os casos), dois dos mais proeminentes cultivos paulistas, resultando nessa estabilidade para o VPA preliminar 2025.

Os dados utilizados para a estimativa de cálculo são os preços recebidos pela agropecuária paulista de 50 cadeias selecionadas de origem vegetal e animal, em um comparativo dos intervalos de janeiro a dezembro de 2024 e a contabilizada para o período de janeiro a julho de 2025.

Foram realizados ajustes metodológicos na origem de dados primários (cadeia das proteínas animais)2 com revisão na sistemática de obtenção dos valores atualizados para as séries nominais3. Para a comparação de preços entre os períodos, os valores nominais mensais provenientes da estatística Preços Médios Mensais Recebidos pelos Agricultores Paulistas (PMR), publicados mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), estão corrigidos para o julho de 2025 por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE). Após a correção, foi calculada a média simples dos preços de cada produto para a estimativa preliminar do VPA de 2025 e da estimativa final do VPA de 2024 (recalculo). Deste modo, nos artigos publicados anteriormente, o valor do VPA 2024 é inferior ao apresentado no presente artigo.

 

Os dados de produção, obtidos através dos cinco levantamentos anuais de previsão e estimativas de safra efetuados pelo IEA, em conjunto com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA)4,5,6 foram agrupados em: Produtos para a indústria; Produtos de origem animal; Grãos e fibras; Frutas frescas; e Produtos olerícolas. O cálculo das variações do VPA conforma os índices de preços e quantidades construídos pela fórmula de Fisher (base 2020 = 100)7.

O desempenho econômico das 50 principais cadeias produtivas paulistas indica estabilidade, com pequenas alterações no ranking de participação no VPA dos 10 principais produtos compostos na atual estimativa, em ordem declinante, por: cana-de-açúcar, carne bovina, laranja para indústria, carne de frango, café beneficiado, soja, ovo de galinha, leite, laranja de mesa e milho.

Considerando apenas os produtos vegetais (seis produtos) desse conjunto dos 10 mais relevantes, o VPA somou R$97,47 bilhões, ou seja, 56,79% do total obtido pela agropecuária paulista. Por sua vez, a produção animal (quatro produtos), ranqueada entre os 10 primeiros, alcançou R$48,34 bilhões, ou seja, 28,17%. Portanto, o conjunto de cadeias contabiliza 84,96% do total apurado.

Ao acrescentar o tomate para mesa, a carne suína, o amendoim em casca, a banana e a batata, amplia-se a lista para os 15 primeiros ranqueados, agregando-se outros R$11,59 bilhões ao VPA que, somado aos 10 primeiros calculados, contabiliza 91,72% do total.

Compete relacionar os principais destaques em altas e baixas do VPA que não compõem os já relacionados: as altas percentuais mais expressivas nesse cálculo prévio foram contabilizadas para a alface e o algodão em caroço, com incrementos de R$388,23 milhões e de R$100,07 milhões, respectivamente. Em contrapartida, as maiores baixas percentuais registraram-se para o pêssego e para o triticale, com perdas de R$43,63 milhões e R$23,26 milhões, respectivamente.

O grupo Produtos para indústria reduziu o VPA em R$3,27 bilhões, queda de 3,81%, reflexo principalmente da diminuição simultânea nos preços e na produção de cana-de-açúcar e laranja para indústria, que juntas representam 85,33% do VPA desse grupo. No segmento de Olerícolas, a retração foi de R$2,36 bilhões, queda de 23,65% neste grupo, decorrente notadamente da diminuição nos preços e na produção de cebola e batata, esta última responsável por quase 25% do VPA. Entre as Frutas frescas, a redução somou R$1,1 bilhão, queda de 7,94% neste grupo, influenciada principalmente pelas oscilações negativas de preço e produção da laranja para mesa e da banana, produtos que respondem por 48,55% do VPA. Já o grupo Grãos e fibras foi o único com resultado positivo nos produtos de origem vegetal, acrescentando R$508 milhões ao VPA, incremento de 11,25% neste grupo, principalmente em função do bom resultado do milho e soja, que juntos têm participação de 76,06% no VPA do seu grupo (Tabela 2).

O grupo de produtos de origem animal apresentou uma evolução de 13,05%, o que representa R$5,95 bilhões de majoração no seu VPA, influenciada pelas altas de preço e produção da carne bovina, ovos e leite, que representam 67,23% do VPA do seu grupo.

 

 

PRODUTOS PARA INDÚSTRIA

A cana-de-açúcar tem posição consolidada no estado de São Paulo, ocupando a primeira colocação do ranking, com VPA estimado de R$55,20 bilhões, 5,47% menor do que em 2024. Sua produção aponta para leve redução (-3,23%), em parte em função da redução de produtividade (idade do canavial associada a estiagens prolongadas). Ademais, o preço recebido pelos canavieiros oscilou negativamente (-2,32%), pressionado pela oferta em países grandes competidores no mercado internacional como Índia e Tailândia.

A laranja destinada à indústria ocupou a terceira posição no ranking, com VPA preliminar de R$15,33 bilhões, representando uma queda de 18,80% em relação ao período anterior. Após um ciclo de forte valorização, o preço médio corrigido recuou 4,42% no período considerado, refletindo posicionamento baixista das extratoras que alegam acúmulo de estoques de suco e, ainda, redução nas exportações de suco de laranja em razão da baixa qualidade do produto remetido ao exterior. Além disso, a produção também diminuiu 15,05%, em parte devido a problemas fitossanitários e prolongada estiagem, que reduziram o tamanho dos frutos e, consequentemente, o volume da safra. Esses fatores combinados determinaram a queda no resultado do VPA.

Ao longo do segundo semestre de 2024 e, acelerando-se em 2025, houve expressiva valorização das cotações do café nas bolsas de valores e commodities internacionais, promovendo robustos ganhos no valor obtido pelo café beneficiado paulista no cálculo do valor da produção agropecuária (47,09% no período considerado), ainda que a produção estimada não tenha exibido variação significativa entre as safras (-2,84%). Dessa forma, a contribuição do café para a formação do valor da produção agropecuária foi de R$9,60 bilhões, posicionando-se no quinto posto do ranking dos 50 itens considerados no cálculo dessa primeira aproximação do VPA paulista.

 

GRÃOS E FIBRAS

As maiores contribuições positivas para o VPA do grupo vieram do milho, sorgo, algodão e arroz, com destaque para algodão (123,42%), sorgo (29,02%) e milho (25,65%). No caso do algodão, o expressivo aumento na produção, de 127,42%, foi o principal fator para o acréscimo no VPA. Para o sorgo, a contribuição decorreu das variações positivas tanto na produção (11,42%) quanto no preço (15,80%). Já o milho apresentou variação positiva de 25,65%, impulsionada pela elevação do volume estimado de produção (9,93%) e do preço (14,30%), adicionando ao VPA outros R$808,6 milhões, denotando sua relevante participação na produção agrícola estadual.

A previsão para o VPA da soja é de R$8,94 bilhões, com substancial avanço frente ao contabilizado em 2024 (14,97%). Com produção de 68,7 mil toneladas, superando em mais de 9,3 mil toneladas o resultado de 2024, mesmo sob estabilidade dos preços recebidos, houve substancial majoração do resultado final do VPA da oleaginosa.

No caso do amendoim, as produções recordes do Brasil (expansão de 22,09% frente à estimativa final da safra de 2024), da Argentina e dos Estados Unidos, além da oferta dentro da normalidade dos dois maiores países produtores mundiais da oleaginosa (China e Índia), repercutiram fortemente sobre as cotações do produto, com recuo de 20,22%. Diante desse contexto houve diminuição do VPA preliminar dessa cultura, totalizando R$2,49 bilhões, redução de 2,60%, posicionando o amendoim no 13º lugar no valor da produção paulista.

 

FRUTAS FRESCAS

O somatório das principais frutas cultivadas no território paulista contabilizadas pela estimativa para 2025 apontam um resultado de R$12,97 bilhões ao VPA do segmento. Laranja, banana e uva para mesa, com forte presença na mesa do brasileiro, apresentaram redução no VPA (17,17%, -24,43 e -17,17%, respectivamente), em função da redução de preços e produção. Ainda nesse grupo, houve aporte positivo no VPA do limão (+16,48%) e da tangerina (+23,34%), ambos com variações positivas de preço e produção.

 

OLERÍCOLAS

No grupo das olerícolas, entre os 12 produtos analisados, tomate e batata respondem por 61,17% do VPA. O tomate apresentou variação positiva de 7,09%, enquanto a batata registrou redução expressiva de 52,99%, apesar da produção se manter estável entre os períodos considerados. Assim, em decorrência da queda dos preços recebidos pela batata, houve diminuição de R$2,36 bilhões no VPA desse segmento

 

PRODUTOS ANIMAIS

Este grupo que congrega todos os produtos de origem animal, possui oito produtos, e apenas dois apresentaram redução - tilápia e casulo (-3,04% e -1,85% respectivamente) -, ambos em função da queda estimada da produção (-5,77% e -1,85%, respectivamente). Os demais seis produtos (carne bovina, carne de frango e carne suína, ovos, leite e mel) apresentaram aumento no VPA. A carne bovina teve maior aumento (20,76%), seguido dos ovos (14,28%) e mel (11,19%). Apenas a carne suína apresentou uma leve redução no seu preço (-0,12%) e, para os demais produtos, ocorreu aumento tanto na produção como nos preços.

 

 

 

 

1VEGRO, C. L. R. et al. Valor da Produção Agropecuária Paulista 2024. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 20, n. 5, p. 1-10, maio 2025. Disponível em: https://iea.agricultura.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=16288. Acesso em: 9 jan. 2026.

 

2Para as carnes (bovina, suína e de frango), a produção foi calculada a partir dos dados constantes nas Guias de Trânsito Animal (GTAs) (número de animais enviados ao abate) emitidas via Coordenadoria de Defesa Animal (CDA), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Destaca-se que somente os animais criados em solo paulista são contabilizados. Com essa nova metodologia, busca-se obter uma maior precisão na informação de produção desses produtos e a uniformização dos dados do governo paulista. Os preços médios das carnes (bovina, suína e de frango) foram calculados a partir dos dados levantados pela rotina dos preços mensais recebidos (PMR) pelos produtores e ajustados para rendimento-peso de carcaça (carne) para os suínos e frango. O cálculo do preço das carnes foi ponderado pela produção mensal calculada a partir das GTAs emitidas.

 

3INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, Tabela 7060 – IPCA: variação mensal, acumulada no ano, acumulada em 12 meses, 2025. Rio de Janeiro: IBGE, 2026. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7060. Acesso em: 9 jan. 2026.

 

4INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Banco de dados: estatísticas da produção paulista. São Paulo: IEA, 2025. Disponível em: http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/subjetiva.aspx?cod_sis=1&idioma=1 Acesso em: 9 jan. 2026.

5INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Banco de dados: estatísticas de preços médios. São Paulo: IEA, 2025. Disponível em: http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/precos_medios.aspx?cod_sis=2. Acesso em: 9 jan. 2026.

 

6COORDENADORIA de Defesa Agropecuária (CDA). Guias de Trânsito Animal (GTA). Relatório interno. [S. l.: s. n.], 2025.

 

7HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1991. 426 p.


Palavras-chave: valor da produção agropecuária, produção e preços médios, desempenho do agronegócio paulista.


COMO CITAR ESTE ARTIGO

VEGRO, C. L. R. al. Valor da Produção Agropecuária Paulista: resultado preliminar de 2025. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 1, jan. 2026, p. 1-8. Disponível em: colocar o link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.

Data de Publicação: 12/01/2026

Autor(es): Celso Luís Rodrigues Vegro (celvegro@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Terezinha Joyce Fernandes Franca (terezinha.franca@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Paulo José Coelho (pjcoelho@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Maximiliano Miura (maximiliano.miura@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Thiago Brena Consulte outros textos deste autor